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CORPO & ALMA

MUDAR DE ATITUDE RELATIVAMENTE AO QUE LHE ACONTECE PODE CONTRIBUIR PARA REDUZIR OS NÍVEIS DE STRESS? SAIBA QUAL É A OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS.

POR JÚLIA SERRÃO

Noções que se confundem, medo, ansiedade e stress não são a mesma coisa. O stress pode causar ansiedade mas nunca o contrário, escreve Pilar Varela no livro Ansiosamente (A Esfera dos Livros). Mas tal como no medo, pode haver um lado útil no stress. Daí que possamos falar em stress positivo e negativo. O primeiro surge quando a pessoa se sente pressionada mas encara a situação com determinação. O segundo “está relacionado com a previsão de consequências negativas. A tensão é destabilizadora”.
Importado do campo da física para a área da psicologia por Hans Selye, o filósofo definiu o stress como “uma sobrecarga humana que depende tanto da intensidade da pressão como dos recursos com que o indivíduo conta para lhe fazer frente”.

Tal como na física, o conceito pressupõe “a existência de uma pressão que é exercida sobre ‘determinado material’, o qual vai responder de acordo com a sua constituição”, observa o psicólogo clínico Bruno Brito. Se a pressão for muito grande, há a possibilidade de “o ‘material’ ficar com deformações crónicas ou rupturas”. O mesmo acontece com o ser humano.

Manifestações
Esta pressão pode ser espoletada pela morte de alguém próximo, divórcio, insegurança, instabilidade profissional, instabilidade económica. Em alguns casos, por muito menos. As pessoas não são todas iguais e têm reacções diferentes face às situações. “Um prazo para cumprir acaba por ter a mesma resposta como se fosse um urso grande a assustar- nos.” Por outro lado, esta pressão não tem de ser real. “Conseguimos assustar-nos com a nossa própria imaginação.”

Mas o stress não tem de ser negativo. Inicialmente é uma coisa boa. “É uma capaci-dade de defesa que temos para lidar com o que está à nossa volta, um mecanismo psicofisiológico de resposta adequada às ameaças que nos rodeiam.”

ALGUNS SINTOMAS Perda de apetite, enxaquecas, taquicardia, medos e fobias, remoer pensamentos e apatia.
Quando uma ameaça é percebida surgem uma série de manifestações físicas e psicológicas que “nos ajudam a responder a esse perigo”. São elas a respiração ofegante “e as chamadas borboletas no estômago, que são movimentações do fluxo sanguíneo para ajudar a tonicidade muscular a responder a essa ameaça”. Do ponto de vista psicológico, há um alerta. E a nossa atenção fica mais centrada para perceber tudo o que se está a passar à nossa volta e preparamo-nos para uma de duas respostas possíveis: a luta ou a fuga. Esta é a forma normal de lidar com as coisas, garante Bruno Brito. O problema “é que enquanto no passado tivemos este tipo de mecanismo de resposta para nos adaptarmos ao ambiente, neste momento os prazos para cumprir e as contas para pagar acabam por ser uma série de ursos que nos vão aparecendo”.

O stress positivo é uma espécie de motor: estimula, lança-nos na perseguição de objectivos. O negativo é bloqueador: impede-nos de alcançar os alvos.

O que fazer?
Uma das primeiras coisas a fazer é a distinção entre uma situação e outra. É importante não perder tempo e energias com o que não é possível mudar, mas concentrarmos esforços no que é. Falar com os amigos e familiares sobre os nossos medos e angústias também ajuda a reduzir o stress. Este apoio social marca toda a diferença ao nível da sanidade mental. Por fim, é fundamental saber dizer ‘não’ quando confrontados com um pedido excessivo ou que não nos dá tempo para cumprir.

Bruno Brito diz que, segundo se sabe, existe uma grande ligação entre o humor e à capacidade de “ter uma maior clarividência relativamente a ter solução para as situações de stress”. Por outras palavras, “o facto de viver a vida de uma forma mais positiva acaba por ajudar a encontrar soluções para os obs tá - culos que encontramos”.













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