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Diva incontestada das pistas de dança nas décadas de 70
e 80, Donna Summerregressa à ribalta com o álbum Crayons,
espectáculos esgotados e com as canções que a tornaram
famosa a serem mais procuradas que nunca.
POR GAYNOR FLY
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Emblemática rainha da música disco, Donna Sum mer é conhecida pelos seus êxitos Love to Love You, Baby, Love’s Unkind, I Feel Love, No More Tears (Enough is Enough), Bad Girls, Dinner with Gershwin e This Time I Know It’s For Real. Mas entre os seus êxitos conta-se também State of Independence, com Michael Jackson participando no coro de estrelas da canção. A cantora a quem foi atribuído um Grammy, mãe de três filhas e também avó, fez, no ano passado, 60 anos, pouco depois da saída do seu álbum de regresso Crayons. Em Julho actuou na Alemanha pela primeira vez desde que se tornou famosa, inaugurando a série de concertos Electronic Beats Classic, em Berlim. Estivemos com esta lenda da disco antes do espectáculo.
A música disco e house estão a voltar em força, e a sua música é mais procurada do que nunca. Até que ponto isso a estimula?
É muitíssimo estimulante, porque é a prova de que a música nunca morre, está em constante descoberta de uma vidaprópria. Eu já tive muitas personificações,
e outras pessoas, como por exemplo
a Beyoncé Knowles, utilizaram partes da
minha música. É para mim uma grande
honra passar para outra geração.
Há artistas que diriam sentir-se roubados quando outros mais jovens lançam versões das suas canções.
Eu sinto-me muito honrada porque se isso acontece é porque eles gostaram mesmo da minha música. Conhece aquele programa de televisão, o American Idol? Nesse programa eles usam muito as minhas canções, porque não são muito fáceis de cantar. E usam-nas porque percebem que se se é capaz de cantar esta canção é porque se tem uma boa voz. Por isso, para mim, em todos os aspectos, ouvir alguém cantar a minha música de uma nova forma e ter uma abordagem diferente com nova forma de pensar é surpreendente.
E até me ajuda. Como é que acha que a música electrónica evoluiu desde os seus princípios?
Eu acho que a música electrónica é como um grande círculo: anda à volta e depois regressa a uma outra formação do princípio. Começa de novo e alguém lhe acrescenta uma coisa qualquer e então ela lá gira de uma nova forma. Com todos os dispositivos e possibilidades de alterar o som que temos hoje, a música electrónica vai poder florescer ainda mais e tornar-se um som ainda diferente num formato também diferente.
Há 17 anos que não lançava um álbum, mas no ano passado regressou em força com o álbum Crayons. Como é que descreve a sua relação com a fama e o sucesso?
Não se esqueça que sou casada; tenho filhos e netos. Por isso, poder ir para a estrada e poder actuar em sítios que não impliquem demasiado esforço para que as pessoas venham é uma experiência extraordinária. É para mim uma grande honra as pessoas pagarem para me ver. Faz-me pensar que posso continuar. Se isso não acontecesse, provavelmente eu diria: “OK, o meu tempo acabou.”
Como é a sua vida sem espectáculos?
Parece que é uma pintora
dedicada e que vive em Nashville,
no Tennessee. Pelos vistos escolheu
uma vida calma depois dos
tempos loucos dos anos 70.
Já não pinto há bastante tempo, mas
pinto e tenho tido uma carreira de pintora bastante bem sucedida. Mas faço
muitas coisas criativas. Faço guiões, escrevo
canções e também livros. Além
disso, viajo bastante.
Acha que a pressão para se ser
jovem e bela é pior desde que começou
a sua carreira artística?
Não, não acho que tenha piorado, só que
há mais gente nesta indústria porque o
mundo está a crescer. Há tanta gente a
tentar a sua sorte que isso faz aumentar
os requisitos para se ser bem sucedido.
Mas ao mesmo tempo que gente jovem
e bonita é bem sucedida temos alguém
como a Queen Latifah: tem um tremendo
sucesso e foge à norma. O que
quer dizer que as pessoas também continuam ávidas de gente que não seja apenas bonita. Queremos gente com substância ou melhor dizendo: as pessoas que têm substância querem pessoas com substância. [Ri]
É muito importante para si manter- se em boa forma?
Bem, já não sou tão esbelta como dantes, mas tento manter a melhor forma possível. É sempre bom mantermo-nos saudáveis, não é? [Ri] Faz-se o que se pode. Obviamente que mudamos e o nosso corpo muda conforme vamos ficando mais velhos. Podemos fazer o que quisermos mas nem sempre conseguimos evitar tudo. Temos de viver com o que temos. Mas quando estou no palco sou bastante activa. Estar no palco exige muito trabalho e é muito stressante, mas quando se gosta nem se dá pelo stress.
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“EU NÃO CONSIGO
VIVER SEM FÉ,
é absolutamente
essencial
na minha vida.” |
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Donna Summer revive os anos
de ouro de uma carreira
em que
os álbuns esgotavam e as mais
prestigiadas
revistas a adulavam.
Esteve ausente
17 anos, mas
o público não a esqueceu. |
Fez 60 anos no ano passado. Diria que a vida melhora à medida que se fica mais velho?
Eu acho que nos é permitido ser jo - vem durante mais tempo. A minha mãe com a minha idade estava realmente velha. Não é de admirar: as suas canções tiveram um impacto tão grande nos anos 70 e 80, que a sua música se tornou quase uma metáfora acústica de um estilo de vida louco e vibrante. Poderá a música mudar realmente o mundo? Sem dúvida, acho que a música tem o poder de mudar o mundo. Acho que altera a nossa forma de pensar. Um bom exemplo disso é a terapia do som. Quando ouvimos a música clássica de Beethoven ou Brahms, o nosso corpo sente-se mesmo mais sereno. Quando nos queremos estimular, ouvimos rock e entramos na onda do “Come on let’s do it!”. A música altera-nos a forma de ser, sem dúvida.
“Pray always and keep the faith” (Reze sempre e mantenha a fé) é uma frase que se encontra no seu website. Até que ponto é importante acreditar em alguma coisa?
Penso que é de extrema importância. Quer dizer, podemos viver sem isso, mas nesse caso, quando se vive uma situação grave, não sei o que se pode ter como apoio. Se dependemos de nós próprios para tudo na vida, o que vamos fazer quando nos sentirmos fracos? Em quem confiaremos e onde nos apoiaremos? Acho que a fé é algo poderoso, porque nos ajuda a sair das dificuldades sem ajuda exterior. Eu não consigo viver sem fé, é absolutamente essencial na minha vida. Poderá haver quem consiga viver sem fé, mas eu não sei como se faz.
Vai manter-se visível e activa?
É importante fazer coisas boas e caridade e darmos o nosso tempo para ajudar os pobres. Tudo o que precisamos para manter íntegra a sociedade.
Ainda consegue ouvir as suas canções com prazer?
Às vezes há uma determinada canção que não quero ouvir, porque estou cansada dela, mas há outras que consigo ouvir vezes sem conta e quando me preparo para as cantar num espectáculo, adoro-as. E adoro-as pela resposta que obtêm. Cada um dos ouvintes do público tem um a história totalmente diferente ligada a essa canção. Isso en tu siasma-me imenso, porque eu gosto de estimular neles essa memória.
Falando de memórias: os anos 60 e 70 foram realmente assim tão loucos?
Foram mesmo!
Como é que os viveu? Como é que sobreviveu?
Embora eu tenha feito parte deles em termos da música, não participei nas coisas negativas, nos excessos. Quer dizer, participei, mas não cometi grandes excessos. Consegui manter-me um pouco de fora, marcar para mim uma linha e dizer: “Não, eu não vou ultrapassar esta linha.” |
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