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BARROCO Vestido bustier em
seda bordada a
cristais, Dior Haute
Couture. Colar em
platina, espinelas, diamantes, pérolas
e brilhantes, Cartier.
Flores Hervé Gambs. |
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UMA DAS MULHERES MAIS BELAS DO MUNDO,
A ACTRIZ ITALIANA DO MOMENTO E A MUSA DA
MAQUILHAGEM DIOR, MONICA BELLUCCI,
POSA EM TODO O SEU ESPLENDOR COM VESTIDOS
DE ALTA COSTURA NA COMPANHIA DO NOVO SEDUTOR
DO CINEMA FRANCÊS, RAPHAËL PERSONNAZ,
PARA A OBJECTIVA DO FOTÓGRAFO TYEN. POR RICHARD GIANORIO
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O ambiente é barroco, rosa e malva, de um iPod escapa-se uma área de La Traviata. Não faltam os eflúvios de flores. O fotógrafo Tyen, inflamado, grita palavras de amor a Monica Bellucci, fantástica modelo, de um estoicismo que nos obriga à admiração. “Nos limites da minha 6 x 6, as mulheres são como animais selvagens numa jaula. Eu incito-as e elas dão-me tudo...” Resplandecente como os ouros de um palácio romano, mulher fatal de Trastevere ou madona impassível, Monica Bellucci lança o seu olhar de ónix, a sua boca maquilhada por Dior e os seus traços de uma perfeição notável. O vermelho e o negro, paixão cromática que Tyen se dedica a tornar viscontiana. Liberta das ilusões argênticas, Monica bebe café e mordisca uma pizza. Discreta, paciente, encantadora com todos: é uma pessoa desafectada. Como se nada fosse, vai celebrar 20 anos de cinema. Passo a passo, alargou o seu desempenho, depois o seu campo de acção: Itália, França e Hollywood são os pontos cardeais de uma actriz que ganhou sobriedade nestes últimos anos, e que passa a dividir-se entre as superproduções americanas (O Aprendiz de Feiticeiro, com Nicolas Cage, em rodagem) e filmes de autor (um projecto com Philippe Garrel em 2010). Mais? Uma vida familiar tranquila junto do marido, Vincent Cassel, e da filha, Deva. “Há a Bellucci e há a Monica”, resume Tyen que a conhece bem.
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| FATAL Vestido em seda fúchsia
com rosa drapeada
e bordada a lantejoulas,
Dior Haute Couture.
Anel Collection Caresse
D’Orchidée da Cartier.
Raphaël Personnaz
veste roupão Descamps.
Flores Trousselier. |
É a convidada especial do número dedicado à Alta-Costura. Um flash-back dos anos em que era modelo?
É interessante terem-me escolhido, a mim, uma mulher cheia, ou “de formas generosas”, como vocês dizem em França. As raparigas vestem hoje um 32! Quando eu comecei a ser capa, os estilistas queriam-me e invariavelmente eu não cabia nos vestidos de Alta-Costura por causa do peito. Nunca me senti infeliz por causa disso e dizia com os meus botões: porque é que fazem vestidos tão estreitos? [Ri] A profissão de modelo ocupou apenas três anos da minha vida, ou seja, quase nada, mas eu nunca me segui por aquelas regras, nunca. Além disso, eu tenho esta vantagem de conseguir perder peso com facilidade...
Como é que faz?
Sigo a teoria do livro A Dieta do Tipo Sanguíneo: a cada grupo corresponde uma determinada alimentação. O que me convém são as proteínas, a carne, os legumes e a fruta. Evito os lacticínios, o pão, o açúcar. Por outras palavras, a minha dieta é não fazer dieta nenhuma! Gosto demasiado de comer. Mas tenho a sorte de não fumar nem beber. Quanto ao beauty sleep, nem sei o que isso é. O beauty sleep é coisa que não existe quando se tem uma criança.
Ao vê-la tão paciente e reservada durante toda esta sessão fotográfica com Tyen, dir-se-ia que o seu ego está longe de ser inflacionista...
O meu ego? Eu fui uma jovem curiosa, impetuosa até. Era uma provinciana que sufocava em Perúgia. Queria sair daquela vida. A certa altura meti pernas ao caminho, de mochila às costas. Depois veio a universidade, a ida para Milão, o cinema. E a minha filha. A minha filha fez-me dar um espantoso passo em frente: o ego de uma actriz apaga-se de imediato perante um filho.
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| SUMPTUOSO Vestido bustier em renda
e saia em tafetá de seda
e renda, Dior Haute
Couture. Anel Collection
Caresse D’Orchidée
da Cartier. Raphaël
Personnaz veste fato Dior
Homme. Copo Lalique
e flores Hervé Gambs.
Realização: Nicole Picart
Fotografia: Tyen
Exclusivo Madame Figaro |
Tinha dito que a certa altura abrandaria o trabalho em cinema pela sua filha Deva, precisamente...
Para já ela ainda está no infantário. É uma cigana como a mãe, vai comigo para todo o lado. Já fala inglês, francês e italiano, imagine. A minha filha com quatro anos já viajou mais do que a minha mãe durante toda a vida! O que me deixa mais orgulhosa é conduzi-la pela vida tranquilamente, sem sobressaltos, com a maior segurança. Eu sou muito protectora relativamente a ela, muito tranquilizadora e também muito carinhosa. Quando acordo de manhã, é ela a primeira pessoa em que penso.
O cinema deixa-lhe tempo suficiente para a sua vida?
Tenho muita sorte em ser uma actriz europeia. Aqui há uma flexibilidade que não existe nos Estados Unidos. Lá o sistema é um pouco violento: quando acabou, acabou, não há segunda oportunidade. O cinema europeu respeita mais as actrizes: podem ausentar-se e regressar, trabalhar toda a vida; basta- -nos ver as carreiras de Deneuve, Huppert, Baye ou Rampling. Além disso, adoro as boas maneiras dos franceses, adoro quando me chamam “Mademoiselle”. Faz-me lembrar aquela frase do Richard Burton: “Um actor é menos que um homem, ao passo que uma actriz é mais do que uma mulher.” Ser actriz é um estado suspenso. Vive-se num sonho borderline...
Monica Bellucci é borderline?
É sobretudo desorganizada. [Ri] Eu sou muito italiana: ando sempre atrasada. Lembro-me que quando rodei Les Larmes du Soleil, cheguei com 40 minutos de atraso ao encontro com Bruce Willis... Mas embora eu nem sempre saiba muito bem organizar o meu tempo, sei muito bem o que é melhor para a minha filha.
É casada com Vincent Cassel. Como é que faz para evitar os jornais sensacionalistas?
Eu não pertenço ao mundo dos gossips. Nunca procurei suscitar o interesse desses jornais. Tenho absoluta necessidade da minha vida privada, se não morro...
Isso quer dizer que não nos vai dizer nada de Vincent Cassel...
É um pai fantástico. E um actor que respeito profundamente. Ele compreende-me. Que marido é que consegue aceitar que a mulher voe imediatamente para Los Angeles depois de um telefonema, para um casting? Pois é, nós não temos propriamente uma rotina diária... não, não sei o que isso é, a regularidade, acordar sempre à mesma hora, o ginásio às seis horas, o escritório… Excepto, talvez, nas férias, mas nas férias, não faço absolutamente nada, niente...
RAPHAËL PERSONNAZ
“Ela incarna a beleza, a coragem, a vontade”
Jovem actor de 27 anos, foi escolhido para, em breve, ir representar
o papel de Alain Delon num filme biográfico sobre Romy Schneider.
Para nós, ele faz o papel de duro face à superestrela Bellucci.
Qual é o efeito para um jovem actor ver-se na cama com
Monica Bellucci no âmbito de uma sessão fotográfica?
É muito lisonjeador. Mas graças à gentileza de Monica Bellucci eà encenação de Tyen, tudo se desenrolou com muita naturalidade. Tive
a impressão de estar num filme e desempenhar um papel, obviamente
invejável, mas totalmente fora da realidade. Tudo se passou como
num sonho agradável.
O que é que pensa da fantasia criada por Monica Bellucci?
Ela pertence àquela espécie de mulheres fora do comum, como Sophia
Loren ou Claudia Cardinale. São indissociáveis da Itália, mas também
incarnam na perfeição pontes entre a França, a Itália e a América.É evidentemente a beleza o que ressalta a um primeiro olhar, mas são a
coragem, a vontade e a ânsia que possuem que nos impõem respeito.
Qual é a sensação de ir em breve incarnar Alain Delon?
É uma sensação de entusiasmo, mas também de apreensão, que até ao momento é mais motivante do que inibidora. Além de ser uma
grande estrela, é o homem que me fascina. A vida dele é um romance
e eu encaro-a dessa maneira. Eu não tenho nenhuma ilusão de que
se possa incarnar verdadeiramente um tal monstro sagrado... |
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