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À saída do cinema, depois de ver Um Coração Poderoso, alguém comentava: “O filme é bom, mas nunca te esqueces que estás a olhar para a Angelina Jolie.” Maria João Bastos ainda não viu o filme, e nem se compara com uma das actrizes mais populares do mundo, mas sabe que, no universo que frequenta, não quer que as pessoas tenham esta imagem dela quando a vêem numa novela, no cinema ou numa peça de teatro. “É claro que toda a gente sabe quem eu sou, quem é a Maria João Bastos. Mas quanto menos souberem sobre a mi-nha vida pessoal, mais irão acreditar nas personagens que represento. Não é interessante, para a minha carreira, estar a expor a minha vida pessoal. Se não, quando as pessoas estiverem a ver-me, vão estar a ver a Maria João que casou com não sei quem, que tem dois filhos, que lindos que eles são, a casa dela é óptima, não é? Quanto menos mostrarmos de nós, mais poderemos ser credíveis.”
A meio da conversa, com o rio Tejo ao fundo, já não havia formalismos. Depressa se percebe que ali está uma pessoa afável, divertida, de bem com a vida. Para isso contribui o facto de a vida ter sido boa com ela. Mas o que poderia parecer apenas sorte – como o contacto do agente da Elite que a descobriu numa esplanada e a levou para o mundo da moda – depressa se transforma em algo mais sólido.
“Nunca tomei uma decisão do género ‘quero ser actriz’, nem nunca tive uma conversa profunda com os meus pais sobre isso. Foi algo que esteve sempre dentro de mim, sempre foi claro para todos que era algo que eu ia perseguir.” A “revelação” surgiu por volta dos três anos. Maria João assistia com os pais ao teatrinho de fim de ano da escola da irmã mais velha. “Quando ela entrou, achei que eu é que devia estar lá em cima e por isso desatei a correr pela sala, subi ao palco, agarrei num microfone e comecei a cantar o Sobe, Sobe, Balão Sobe! Desatou-se tudo a rir. Lembramo-nos sempre desta história e eu tenho uma imagem desse dia”, conta.
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Casaco em lã, vestido em fazenda
de
lã, ambos Burberry. Lenço em
seda,
Salvatore Ferragamo.
Carteira, Furla.
Colar em ouro e
madrepérola, Van
Cleef & Arpels. |
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Dos três anos em diante, nunca mais largou a representação. Teatros de bairro, concertos caseiros, tudo servia para Maria João exercitar a sua vocação. Benavente era pequena demais e Maria João foi para Lisboa, aos 17 anos, tentar a sorte. Mas uma sorte controlada. “Vim atrás de um sonho, mas vim para a faculdade, porque não sabia como iam correr as coisas e queria jogar pelo seguro”, revela.
Parece haver qualquer coisa entre Maria João e as esplanadas. “Um dia, ainda andava na faculdade, estava num café e fui abordada por uma pessoa que me perguntou se eu queria ser modelo da Elite. Nunca tal me ti-nha passado pela cabeça, até porque na altura as modelos eram muito altas, com grandes peitos, mulheres robustas. E eu não era nada disso, por isso aquilo não fazia grande sentido para mim.” Passou dias sem ligar, até que começou a pensar que a moda poderia ser um caminho para chegar à televisão. Afinal estava em Lisboa há um ano e não tinha conseguido um único contacto.
“Fui para a agência e surpreendentemente apaixonei-me pelo mundo da moda. Vivi momentos fantásticos. E descobri depois que não estava errada quanto à minha opção.” Passado pouco tempo, Maria João fez um casting para a produtora NBP, que na altura ia produzir Os Lobos, uma série televisiva.
Maria João foi escolhida para uma personagem, mas disse que não. “O Virgílio Castelo diz-me que eu vou interpretar uma personagem que é lésbica e que vou contracenar com a Fernanda Serrano. E acrescenta que eu teria de fazer cenas de nu. Fiquei entre a espada e a parede. Não tenho nada contra os nus, mas como era modelo, tinha receio de que se o meu primeiro papel fosse a mostrar o corpo, poderia ficar catalogada como alguém que tinha tido uma oportunidade porque era apenas modelo e tinha de mostrar o corpo. Foi isto que lhe expliquei, a medo. É que, para mim, era uma coisa tão séria ser actriz que não queria começar por aí.”
Saiu da NBP a pensar que esta poderia ter sido a sua última oportunidade, mas segura de que tinha feito o que a consciência lhe dizia.
“Não me iria violentar a fazer uma coisa que não queria e da qual me poderia vir a arrepender”, assegura. Soube, mais tarde, após um novo telefonema de Virgílio Castelo, que não tinha de arrepender-se de nada. Ele tinha percebido e até admirado a atitude dela e aí estava a convidá-la para o primeiro papel em televisão, na série Todo o Tempo do Mundo. Os dados estavam lançados e não mais parariam de rolar.
Os meus gostos
Beleza
Peça Blush
Fond-de-teint MAC
Maquilhagem Shiseido
Hidratante Myo Myoso, da Gernétic
Cuidados especiais Massagens e vários
tratamentos na clínica Persona
Spa Todos
Ginásio Active Life
Cabeleireiro Duarte Menezes
Visagista Clínica Persona
Maquilhadora Cristina Gomes e Naná
Champô/amaciador Pantene
Banho Imersão com umas pastilhas efervescentes fantásticas da Thalgo
Sabonete/gel Vasenol
Moda
Peça Vestido de noite
Material Caxemira
Carteira Furla
Sapatos Luís Onofre
Óculos Chanel
Relógio Furla
Lingerie Victoria’s Secret
Jeans Diesel
Sapatos de ténis Nike
Loja Maria Bonita, no Brasil
Cultura
Livro Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago
Filme O Amante, de Jean-Jacques Annaud
Peça de teatro Pillowman
Música Soul
Intérprete Sade
Museu Guggenheim de Bilbao
Escritor José Saramago
Actriz Cate Blanchett
Actor Sean Penn
Casa
Divisão Varanda
Peça Ventoinha de tecto
Cor Branca
Ambiente Romântico |
À direita: Carteira em pele, porta-moedas em pele, carteira
em pónei, porta-chaves em plexiglas, tudo Furla.
Realização: Ricardo Preto l Maquilhagem: Naná Benjamim
(AR atelier) l Cabelos: Ana Sousa |
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Luxos
Carro Jaguar
Sabor Vinho tinto
Restaurante Bica do Sapato, Lisboa
Jóia Qualquer jóia da Van Cleef & Arpels
Pedra preciosa Diamante
Perfume Dolce & Gabbana
País Portugal
Cidade Rio de Janeiro
Champanhe Moët & Chandon
Viagem Pantanal, Brasil
Paisagem Pantanal
Privado
Capricho A minha varanda
Transgressão Acelerar
Lugar secreto só A minha casa
Lugar secreto acompanhada Algures longe
Vício Chocolate |
na minha carteira
Esferográfica Mícron. Óculos de sol D&G. Bâton Chanel. Desmaquilhante Bobbi Brown. Água vitaminada Hakansson. Fluid shimmer Armani. Blush Lancôme. Telemóvel HTC-P3600. Iogurte natural. Caixa de vitaminas naturais. Pastilhas elásticas Pocket Pans cool mint. |
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As mãos esguias e cuidadas, que acompanham a conversa, sublinham o quanto é importante para Maria João a carreira que escolheu e a profissão que tem. Percebe-se que dificilmente se deixaria deslumbrar. Vendo bem, quem teria coragem para não começar aos saltos e aceitar de imediato a proposta de um representante da Globo para participar numa novela no Brasil? Ela teve.
“Estava numa esplanada no Chiado com uma amiga quando o telefone tocou. Era um senhor com sotaque brasileiro a dizer que era do departamento internacional da Globo, que queriam que eu fizesse um papel na novela O Clone, de uma jornalista portuguesa chamada Amália. Fiquei branca e só disse: ‘Como?’ E ele explicou tudo outra vez. Joguei à defesa e disse que precisava de pensar. Desliguei o telefone, contei à minha amiga que teve esta reacção: ‘Tu disseste à Globo que precisavas de pensar?’” Con-clusão: era tudo verdade, Maria João foi para o Brasil e lá ficou durante quatro anos.
Maria João Bastos voltou para fazer a telenovela Mundo Meu, em que encarnava a vilã da história, uma personagem complexa, que exigiu muito dela enquanto actriz. Quando terminaram as gravações, voltou para o Brasil para fazer um filme, projecto que não chegou a concretizar. Porque se há coisas que a fazem parar e pensar, há outras que a fazem meter-se num avião em três tempos. “Estava no Brasil quando o José Eduardo Moniz me liga a dizer que quer que eu ve-nha fazer o Tempo de Viver. Disse que não, num primeiro momento, mas depois acabei por ser convencida quando me explicaram que a minha personagem ia perder o marido nos atentados do 11 de Setembro e que isso ia ser filmado. Para mim, aquele primeiro episódio era suficiente porque tinha saído de Nova Iorque pouco tempo antes do atentado, porque achei que era um projecto ambicioso e porque senti que podia fazer alguma justiça às pessoas que tinham perdido familiares naquele dia”, explica de forma entusiasmada.
Agora está de férias. Mas nem por isso tem muito tempo disponível. Já prepara um novo projecto, na TVI, do qual não pode dizer nem uma pala-vra. Mesmo que venha à conversa Equador, a série que a televisão de Moniz se prepara para filmar e na qual Maria João Bastos deverá ser a protagonista feminina. Mas ela nada diz.
Também é clara e frontal na relação com a imprensa. Pelo menos com quem pode ser: “Respeito o trabalho dos jornalistas e também sei que eles me respeitam quando digo que não falo da minha vida pessoal. Consegui atingir um equilíbrio saudável, mas não abro as portas da minha casa, não aceito férias pagas por revistas, não vou passear de barco com o namorado.” O tom muda quando falamos de paparazzi. “Essas pessoas não me merecem respeito. Já fui perseguida de casa para o trabalho, já estive em situações em que não fazia ideia de que estava um fotógrafo atrás de mim. Não lido bem com isso”, sublinha. E apesar de tentar que a sua vida não seja condicionada por esta realidade, acaba por admitir que isso acontece.
Escolhas, escolhas e mais escolhas. Maria João gosta de decidir. Gosta de preferir um caminho a outro. “Considero-me uma pessoa segura, quer a nível pessoal quer a nível profissional. Gosto muito de viver e encaro a vida como um jogo que adoro jogar. Não vale a pena estar deprimida. A minha atitude é sor-rir muito e aceitar as coisas que vêm até nós como fazendo parte do nosso percurso.”
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