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CORPO & ALMA







Ambientes contaminados e hábitos de vida errados favorecem o aparecimento de algumas destas patologias. Saiba quais e o que fazer para contrariar a tendência.

Por JÚLIA SERRÃO

Os casos de asma, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), insu- ficiência respiratória crónica e de cancro broncopulmonar poderão vir a aumentar até ao ano de 2010.

A conclusão é do estudo europeu Prospectivo Delphi que prevê uma tendência para o incremento das doenças do aparelho respiratório em geral, em toda a Europa. Segundo os especialistas envolvidos no trabalho, o problema afectará igualmente homens e mulheres, embora se pense que a doença evolua de forma dife-rente dependendo da idade dos indivíduos, esperando-se, por isso, um acréscimo maior entre a população adulta e idosa. A cumprir-se esta previsão, o pa- norama das doenças respiratórias em Portugal poderá vir a piorar consideravelmente. Aliás, o crescimento já está em curso. A percen-tagem de indivíduos afectados por este tipo de doenças aumentou claramente como consequência do envelhecimento da população mas também como resultado do aumento da contaminação do ambiente e do consumo do tabaco, entre outros factores.

No que respeita à asma – doença inflamatória crónica das vias aéreas –, por exemplo, o número de doentes tem vindo a aumentar nos últimos anos, afectando actualmente cerca de 10 por cento da população, segundo Mário Morais--Almeida, alergologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica. “A genética não justifica saltos em tão pouco tempo, já o ambiente é mais propício a que existam mais doenças do tipo da asma, da rinite alérgica e do eczema que normalmente coexistem na mesma pessoa”, comenta a propósito do crescimento da doença. “Hoje estamos mais sensíveis: temos uma vida cada vez mais sedentária, faze- mos menos exercício físico, passa- mos mais tempo em casa expostos a alergéneos e na rua também estamos mais expostos a poluen- tes. O fumo do tabaco é outro factor de peso no agravamento desta patologia.”

Os quadros de asma mais graves começam normalmente na infância, mas esta pode aparecer em qualquer idade. Na presença de alguns sintomas, o importante é mesmo procurar um diagnóstico. Segundo Mário Morais-Almeida, sinais como “tosse ou falta de ar” nem sempre correspondem a um quadro de asma. Podemos estar perante “uma inflamação das vias respiratórias sem relação com alergias, entre ou-tras coisas”.

De acordo com o especialista, a prevenção passa por evitar os ambientes em que há muitos alergéneos e a exposição a poluentes, com o destaque para o tabaco, praticar exer-cício físico e ter uma alimentação saudável. “Promover o aleitamento materno é uma atitude de grande impacto em termos de prevenção de asma na criança”, assegura ainda.

Os cuidados são mais personalizados quando a doença está instalada, até mesmo porque existe a asma alérgica e a não alérgica e isso muda tudo em termos de doença e prevenção. “Não há dois doentes de asma iguais”, por isso, cada um deve estar esclarecido pelo seu médico sobre “os cuidados a ter para evitar as crises”. As vacinas da gripe e as antialérgicas são indicadas em muitos quadros.

O que importa saber sobre a gripe

l Também chamada Influenza, a gripe é uma doença infecciosa que ocorre anualmente durante o Outono e o Inverno

l O contágio é feito via aérea pelas gotículas de saliva que se soltam quando se fala, espirra ou tosse

l Manifesta-se por febre elevada e arrepios, calafrios e cefaleias, mialgias, dores musculares e um acentuado mal-estar geral

l O quadro de sintomas inclui tosse seca, entupimento nasal e obstrução da laringe. Na constipação, os sintomas também estão presentes mas são muito menos severos

l Reduza o risco de transmissão através de um conjunto de boas práticas: evitar a proximidade com pessoas constipadas, lavar as mãos com frequência e apostar numa alimentação saudável que inclua a vitamina C – muita fruta, sobretudo citrinos e kiwi, este último excelente para reforçar a imunidade

l A vacina contra o vírus pode ser uma boa opção para os grupos de risco
A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), outra das grandes preocupações em termos de saúde nos dias que correm, define-se por limitações na ventilação e faz-se acompanhar por dificuldades respiratórias, tosse e produção de expectoração. Tem carácter progressivo, podendo provocar graves limitações numa fase avançada (o doente dei-xa de poder desenvolver as suas actividades diárias) e é uma das principais causas de morbilidade crónica e mortalidade no mundo.

A taxa de mortalidade da DPOC tem vindo a aumentar de um modo geral em todo o mundo. De acordo com estatísticas recentes, é a sexta causa de morte a nível mundial, a quinta na Europa e a quarta nos Estados Unidos da América. Calcula-se, no entanto, “que cerca de 76 por cento dos europeus e 50 por cento dos americanos com doença pulmonar obstrutiva crónica estejam subdiagnosticados”, segundo fontes médicas. Juntamente com o cancro do pulmão, uma das principais causas de morte prematura no nosso país, a insuficiência respiratória e a asma, está na lista das doenças que tendem a aumentar até 2010.

O tabagismo é o principal factor de risco para o desenvolvimento destas doenças, garante o pneumologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, António Segorbe Luís. “Cerca de 85 por cento dos casos de doença pulmonar obstrutiva crónica e 90 por cento dos cancros de pulmão devem-se ao tabaco. Neste momento, verifica-se um aumento destas patologias no sexo feminino”, observa, explicando que a DPOC é também a patologia que mais contribui para a insuficiência respiratória. No entanto, acrescenta que certas exposições profissionais podem também contribuir para o desenvolvimento da DPOC e para a génese do cancro do pulmão. -Nomea-damente, “a têxteis e cereais, entre outros”, no primeiro caso. A certos metais, “asbestos ou amianto e radão” – um gás radioactivo com origem no urânio, invisível, sem cheiro e sem sabor –, no segundo.

António Segorbe Luís chama a atenção para os sintomas a levar em conta. “Num fumador, a existência praticamente diária de tosse e expectoração e o notar dificuldade respiratória nos esforços são sinais que se associam à doença pulmonar obstrutiva crónica. A tosse persistente, a pieira súbita, a alteração da quantidade e das características da expectoração, a dor torácica e o emagrecimento podem inscrever-se no quadro do cancro do pulmão – sobretudo quando ocorre o aparecimento de sangue na expectoração.” É imperioso consultar o médico de família, nestas condições. De qualquer forma, devem ser igualmente rastreados, no sentido de poderem vir a realizar um estudo espiro-métrico, os não fumadores que apresentem sintomas de tosse, produção de expectoração ou pouca tolerância ao esforço.

De uma forma geral, os tratamentos actuais da doença pulmonar obstrutiva crónica, ao nível dos fármacos, visam melhorar a qualidade de vida do doente. Não só controlam os sintomas como permitem que o doente ganhe uma maior tolerância aos esforços físicos, tenha menos crises e retarde as complicações possíveis no quadro desta patologia.

No que respeita à prevenção da DPOC, assim como do cancro pulmonar ou da insuficiência respiratória, deixar de fumar continua a ser a medida mais eficaz para travar a evolução de qualquer uma des- tas doenças. E, neste sentido, asse- gura o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, é importante “divulgar cada vez mais os riscos desta substância e sensibilizar a população” para o problema. Uma vida saudável a todos os outros níveis, o que passa obrigatoriamente por ter uma alimentação equilibrada e evitar zonas mais poluentes, pode reforçar ainda estas defesas. Só assim se poderá contrariar a tendência desenhada pelo estudo europeu Prospectivo Delphi.













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