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MULHER & CARREIRA

 

Em horário Nobre, invadem os ecrãs e conquistam-nos pela assertividade da sua informação.

 


Por Anabela Mota Ribeiro
Fotografia de Carlos Ramos
Produção e styling de Paulo Gomes

 

Isabel Lopes Gomes
“Gostaria que todos tivessem a oportunidade de ficar emocionados perante uma pintura, um filme, uma música ou um poema. “Só por isso, já teria valido a pena ter feito os cerca de 300 programas de cultura que fiz. Quero fazer o que gosto e passar a magia disso aos outros.” Apresenta o Estação das Artes na RTPN”.
Cristina Esteves
“Como sou? Teimosa, aparentemente calma, mas constantemente acelerada e em stress. Não lido bem com hesitações ou dúvidas, mas também as tenho”
Cristina Esteves veste casaco em lã e vestido em seda Chloe, na Stivali. Sapatos em pele Christian Louboutin, na Fashion Clinic. Isabel Lopes Gomes veste trench-coat em lã Burberry Prorsum, na Fashion Clinic. Vestido em crepe de seda Philosophy by Alberta Ferretti, na Loja das Meias. Botins em verniz Decénio. Modelos: Ela usa vestido Michael Kors, na Fashion Clinic. Colar em âmbar e ouro Isabel Lopes da Silva, chapéu de veludo nos Emaús. Ele veste fato em fazenda Oficina Mustra e camisa em algodão Boss, na Loja das Meias.
Lurdes Baeta
“O jornalismo pareceu-me a melhor via para aquilo que gostava de fazer: ler, escrever e viajar.” É uma jornalista que lê policiais com serial killers. Adora caderninhos e bloquinhos, filmes de terror, casas assombradas, espíritos. E gatos.
Lurdes Baeta usa vestido em lã Decénio. A modelo usa vestido em jersey de seda Gucci, na Stivali, e colete em pêlo sintético Gant. Óculos escuros Chili Beans e brincos Acessorize.
Sandra Felgueiras
“Quis ser uma contadora de histórias. “Sou muito emocional. O caso Madeleine marcou-me profundamente. Pela intensidade com que me dediquei à história, pelos contornos que assumiu, pela exigência que imprimi à cobertura, pelas emoções que tive de digerir ao longo de mais de um ano. Passei quase 24 horas sobre 24 horas a falar da vida de uma criança que não conhecia.”
Sandra Felgueiras usa vestido em lã Miguel Vieira e pulseira em Metal Tara Jarmon. Os modelos vestem calças em fazenda de lã Gant e calças em fazenda Massimo Dutti.
Carla Jorge de Carvalho
“Nunca ambicionei o jornalismo do jornalista-herói destemido. Gosto de contar histórias e de as levar a quem me quer ouvir. Aprendi a gostar dos directos sem rede. E são esses momentos que mais me têm marcado: as saídas de prisão preventiva de Paulo Pedroso e Carlos Cruz, a escolha do novo Papa, alguns acidentes de avião.”
Marta Atalaya
“Estava em estúdio aquando dos atentados de 11 de Setembro: foi o grande desafio profissional da sua vida. “Foram cinco horas em directo, alucinantes, que exigiram muito de mim, profissional e emocionalmente.” É extremamente exigente e crítica em tudo o que faz. “Não me lembro de uma única vez em que tenha ficado 100 por cento satisfeita com o meu desempenho.”
Carla Jorge de Carvalho usa vestido em fazenda de lã Gucci, na Stivali. Marta Atalaya veste trench-coat em acetato Tara Jarmon. A modelo usa vestido em seda e organza Filipe Faísca. Chapéu em feltro Tara Jarmon. Luvas em camurça Mango.
Conceição Queiroz
Viver em Cabo Verde foi uma das melhores opções que tomou. “Tinha ido de férias por três semanas mas acabei por ficar um ano. Assumir a direcção de informação da Televisão de Cabo Verde foi uma belíssima experiência. Senti que fiz serviço público.”
Susana Bento Ramos
É persistente. Pratica equitação desde criança. Quis ser veterinária. E cantora. Soube, com a certeza dos 15 anos, que seria jornalista.
Conceição Queiroz usa vestido em mistura de lã e poliéster Dsquared e sapatos de verniz Christian Louboutin, ambos na Fashion Clinic. Susana Bento Ramos usa vestido preto Philosophy by Alberta Ferretti, na Loja das Meias, sapatos Christian Louboutin, na Fashion Clinic e anel Gatto. A modelo usa vestido em seda Decénio.
Teresa Pina
É jornalista da SIC Notícias. A investigação jornalística que fez com Isabel Lacerda, em 2004, levaria à saída do Governo de dois ministros. “Tratava-se da entrada em Medicina da filha de um desses ministros. Neste trabalho, os conhecimentos jurídicos foram decisivos para a análise da situação. Foi a primeira vez em que tive a noção do poder dos media, neste ambiente das 24-hour-news.”
Teresa Pina veste trench-coat em seda e lã Gucci, na Stivali. A modelo veste calças em seda Jil Sander, na Fashion Clinic.
Cristina Esteves
Estudou Direito na Universidade Clássica e Jornalismo no Cenjor. O seu percurso profissional fez-se na RTP.

Entrevistou a mãe do Rui Pedro, a criança até hoje desaparecida. Acompanhou o primeiro julgamento de Vale e Azevedo. Reportou a visita oficial de Jorge Sampaio a Itália e constatou que “Berlusconi é mesmo muito baixinho!”. Emocionou-se quando cumprimentou o Papa João Paulo II. “Foi claro para mim que seria a primeira e a última vez a estar com o Sumo Pontífice. Foi impossível conter o que sentia... Sou católica. Mesmo que não o fosse, aquele momento seria sempre especial.” É uma mulher bonita que não gosta de se ver na televisão. “Não gosto, nem nunca gostei.”

Apresenta o jornal da meia-noite na RTPN, semana sim, semana não. Não gosta de viajar, mas não resiste a viagens. O número 7 persegue-a… “A maioria dos bons e dos maus momentos sucede em dias com 7. O nascimento dos meus filhos. A morte de familiares muito próximos.” Tem 39 anos, é mãe do Frederico e da Sofia; está grávida do terceiro filho.

Isabel Lopes Gomes
Nasceu em 1976, em Avignon (mas não se lembra). Viveu em Coimbra, Braga, Lisboa; actualmente vive no Porto. Tem um gato “que é um verdadeiro mestre em posições zen, quando não encarna o tigre que há nele”. É do signo Peixes.

Gosta de viajar, sentir-se estrangeira, sentir tudo como se fosse a primeira vez. “Uma das viagens da minha vida foi ao Oriente: China, Camboja e Vietname. Gostaria de voltar para o Oriente, para conhecer o Japão, cuja cultura me inspira tanto. E a Itália; não por acaso, alguns dos filmes mais belos de sempre vieram de lá: Morte em Veneza, Roma Cidade Aberta, Viagem aItália, as ilhas desertas do Antonioni...” Quando se vê em televisão é supercrítica. “A espectadora é diferente da ‘personagem’ que encarna a apresentadora; o que não significa que sejam duas. Sou eu quem escolhe os temas e escreve os textos.

Num dos programas que fiz, conheci o homem com quem vivo. Foi a entrevista que correu melhor!” --- Tem uma presença serena, de Gioconda. O olhar é misterioso e doce. Mas é uma “mulher real”, que estima nos outros a humildade e a dignidade.

Lurdes Baeta
É algarvia. “Mas sinto-me mais cosmopolita do que muitos lisboetas. Desde que nasci que me habituei a conhecer gente de todo o mundo.” Trabalhava nos Verões, essencialmente no aeroporto de Faro. Uma parte dela está sempre pronta a partir. A sua vida mudou quando se mudou para Lisboa para estudar Comunicação Social. “Vim morar para quartos alugados, conheci famílias excepcionais. Vivi a noite, o cinema, as exposições. Passava as tardes a estudar na Biblioteca Nacional, fiz ciclos de cinema no Chapitô.” A TVI é a sua casa. Entrou em 1993 para trabalhar na documentação de um programa de Artur Albarran. “Foi a melhor escola de televisão que podia ter tido.

Incentivavam a originalidade, a utilizar com inteligência o poder da televisão, a potencialidade das imagens, do som, a importância do embrulho, do grafismo"

Em 2003 a direcção apostou nela para apresentar pequenos especiais, depois os jornais de fim-de-semana quando alguém faltava, depois o jornal da hora do almoço… “Fui andando, crescendo, aprendendo. Em 2005, poucos meses depois de nascer a minha filha, escolheram-me para fazer dupla no Jornal Nacional. E agora, poucos meses depois do nascimento do meu filho, ofereceram-me o Última Edição e o Jornal Nacional de fim-de-semana (intercalado como Júlio Magalhães); mas desta vez com um salto qualitativo: estou a editar.” Tem 37 anos, é casada há 14, tem três filhos. “A minha família está sempre em primeiro lugar.”

Sandra Felgueiras
É jornalista da RTP desde 2000. “Apaixonei-me pela televisão. Pelo poder do imediato. Pela capacidade de chegar a um milhão de pessoas em segundos. Pela indescritível sensação de permitir que todos vejam o que os nossos olhos viram primeiro. Sem distorções.”

Licenciou-se em Comunicação Social, fez o Erasmus em Barcelona, deu os primeiros passos como jornalista na Barcelona Televisió. Hoje trabalha na editoria de Sociedade da RTP.

É uma mulher ambiciosa que compete sempre consigo própria. “Desafio-me a cada instante a superar-me, o que reconheço que me desgasta imenso.” Foi uma menina precoce. “Aos seis anos já dizia que queria ser jornalista e aos oito ensaiei uma entrevista ao então presidente da Câmara de Felgueiras. Não correu lá muito bem… Adoro ser jornalista, mas fico destroçada sempre que me sinto aquela enfant terrible que invade a privacidade alheia e que só apetece esbofetear.”

Carla Jorge de Carvalho
Foi a primeira cara do Canal de Notícias de Lisboa, com João Moleira. Eram sete horas de uma manhã de Setembro de 1999.

Transitou para a SIC Notícias. É uma pivô que não consegue ver-se na televisão. “É uma coisa que quase que me incomoda fisicamente! Custa-me ver-me, ouvir a minha voz. Só vejo defeitos e coisas de que não gosto.” Em televisão, Carla Jorge de Carvalho é segura, rigorosa, assertiva. Fora da televisão, é introvertida, reservada, suave. “A minha natural timidez foi uma alavanca importante para decidir ser jornalista, porque me propus interiormente ultrapassar essa suposta barreira com uma profissão de grande exposição.” Nasceu em 71. Licenciou-se em Comunicação Social. O que lhe é indispensável? O ioga, que pratica há dez anos; pela concentração e relaxamento que proporciona.

Mais do que tudo: “Sou mãe há dois anos e meio e isso é mesmo o mais importante da minha vida!”

Marta Atalaya
O jornalismo é um sonho concretizado. “Tenho o vício de fazer perguntas desde miúda e uma enorme curiosidade pelo que me rodeia. Ainda hoje, mesmo fora do trabalho, pergunto e oiço mais do que falo. Vim para o jornalismo movida também pelo espírito missionário e romântico da profissão.” Um exemplo que confirma este espírito: “A SIC apresentou uma reportagem que mobilizou a opinião pública. Graças ao contributo das pessoas, seguiu para a Guiné-Bissau um contentor com brinquedos, fraldas, medicamentos e roupa para crianças de três instituições.”

Marta Atalaya tem 36 anos, estudou Comunicação Social. Trabalhou na secção de Internacional no Semanário, no Desporto no Correio da Manhã. Depois no Canal de Notícias de Lisboa (CNL), até ingressar na SIC para o lançamento da SIC Notícias. “Estou muito realizada com aquilo que faço, o desafio e a adrenalina dos directos são enormes. A função de pivô é de grande responsabilidade, uma honra. Além da proximidade com o espectador, representamos o trabalho de toda uma equipa. Nunca escondi, no entanto, que gostava de ter tempo para a reportagem.”

Gosta de trabalhar em equipa, talvez porque venha de uma família grande. Jogou basquetebol, foi federada. O marido e os filhos, os pais e os irmãos são o seu porto seguro. Aprendeu com os filhos, Duarte e Maria, a sentir o essencial. “Que desperdício e vazia a vida sem eles...”

Conceição Queiroz
Nasceu em Moçambique, onde viveu até aos 12 anos. Foi escuteira. Gasta o dinheiro em livros, viagens, gasolina. Adorou a Namíbia, Londres, Joanesburgo, Nova Iorque, Swazilândia. Acredita na força do jornalismo narrativo. Prefere textos reais, quentes, densos, sedutores. É repórter da TVI. O jornalismo começou por ser um acaso. É uma espécie de missão. Marcaram-na em particular alguns trabalhos. “A reportagem que fiz sobre a Urgência do Santa Maria – da qual resultou o livro Serviço de Urgência –, outra que fiz sobre o cancro, ou ainda o trabalho na Jamba Mineira, uma região praticamente abandonada no Sul de Angola. Encontrei crianças com imenso potencial, a comerem o pão que o diabo amassou. Há um único hospital para 90 mil habitantes. Morre-se por tudo e por nada. Apercebi-me da fragilidade da vida e em momentos como este é difícil ser totalmente imparcial.”

É optimista. “Mas senti-me sem chão quando perdi a minha mãe.”

Susana Bento Ramos
Durante a faculdade fez um semestre em Nova Iorque. “Consegui dois estágios: um numa rádio de música clássica, pertencente ao grupo do New York Times, o outro com o correspondente do Expresso em Nova Iorque, Tony Jenkins. Escrevi um artigo sobre um restaurante sadomasoquista que foi capa do velhinho suplemento Vidas do Expresso. Tinha ido a uma despedida de solteira nesse restaurante. Era surreal e caríssimo. Éramos assediadas por uns homens esculturais para ir para o meio da sala… ser espancadas. E pagar por cima! O artigo foi publicado em Agosto de 1999, um timing perfeito porque tinha rebentado o fenómeno Tiazinha.”

É embaixadora da Luta contra o Cancro do Colo do Útero. Considera-se uma autêntica “geek”: “Tenho uma página no Facebook, estou no Twitter, tenho um blog e faço sites para apresentar os trabalhos de Mestrado.” Frequenta o Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação no ISCTE.

Na TVI, faz reportagem. “Já tinha saudades, confesso!” Tem quase 31 anos. A sua voz é grave, sexy.

Teresa Pina
Formou-se em Direito. Fez um mestrado na prestigiada Birkbeck College, em Londres; o tema: Direito e Direitos Humanos. Na “capital do Império”, colaborou com o Secretariado Internacional da Amnistia Internacional. “Decidi pedir uma licença na SIC e voltar a estudar, numa área que associasse o Direito e o Jornalismo (a minha tese foi sobre Freedom of the Press). Foi uma experiência inesquecível: a de voltar a estudar depois de dez anos no mundo do trabalho, a de pensar o mundo a partir de Inglaterra, a de pensar Portugal a partir de Inglaterra.”

Nasceu em 73. Fez teatro universitário. Lê o mundo através dos olhos do repórter e escritor polaco Kapuscinski. Mas não só.Cresceu uns centímetros depois de aderir ao ioga; a coluna agradece, o esqueleto rejuvenesceu. Um dia, gostava de conhecer o Rio de Janeiro guiada por “anfitriões locais”.

Assistente de Fotografia: Nuno Beja, Pós-Produção: Sílvia
Maquilhagem: Antónia Rosa
Cabelos: Helena Vaz Pereira, Assistida por Sofia e Ana Fernandes
Agradecimentos: Mercedes Benz, Hotel Bairro Alto, Palácio Pombal e Convento do Car.













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