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O psicólogo Guillermo Ballenato lança em Portugal o seu livro Educar sem Gritar (Esfera dos Livros) e reivindica a felicidade para todos.
Por Mariza Figueiredo
Os pais hoje gritam mais com os filhos?
Os pais encontram-se com mais dificuldade para educar. É uma sociedade complexa e que muda muito rapidamente. E os pais, perante a incapacidade, a sensação de impotência, recorrem a estratégias educativas que não são muito adequadas, como é o caso dos gritos. Este livro não fala apenas dos gritos, mas apresenta uma proposta de uma melhoria social a partir da educação. |
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Os pais não têm de vir preparados de fábrica. Há que dotá-los de ferramentas e estratégias que facilitem o seu trabalho. Com uma linguagem simples, directa e precisa, procuro dar-lhes instrumentos que lhes permitam adaptar as técnicas e as estratégias a cada uma das suas circunstâncias particulares. Cada página é uma recarga de energia, com novas estratégias que lhes facilitarão a mudança.
O que fazer quando notamos que estamos prestes a perder a cabeça?
O bom senso deve ser uma constante, mas às vezes perdemos este sentido das coisas depois de um dia esgotante de trabalho e muita tensão. Às vezes há dificuldade em ir de encontro às expectativas, à necessidade de atenção do filho.
É preciso começar é pela nossa própria vida. Um pai, um educador que é feliz, educa melhor. Ver como se pode ser mais feliz é a primeira coisa a fazer. E como? Reveja a coerência da sua essência como pessoa para que se adapte à vida que leva. Se uma pessoa vive o que sente, pensa, faz e diz, é coerente e conseguirá uma satisfação pessoal maior. E melhore as estratégias de relação com os seus filhos e a comunicação com ele. É o principal. Depois, deve pensar que o esforço maior deve ter lugar nos primeiros anos de vida da criança, de forma a que mais tarde não se faça tanto esforço e se possa ir cedendo a pouco e pouco.
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Sábios conselhos
No livro Educar sem Gritar, Guillermo Ballenato revela alguns dos seus segredos educativos. Destacamos aqui alguns deles:
- A comunicação, a compreensão e o diálogo com os filhos aumenta a confiança destes nos pais
- Os problemas pessoais podem interferir nas relações entre pais e filhos. Em certas alturas, o filho é que “paga os pratos partidos”. Pedir desculpa a um filho joga a favor da imagem paterna e beneficia a relação
- O afecto que o filho recebe dos pais ajuda ao seu posterior desenvolvimento pessoal, intelectual e social
- A qualidade da relação afectiva é tanto ou mais importante que a quantidade
- Os pais são os primeiros e principais agentes de socialização. Posteriormente terá também importância a relação com os outros membros da família, amigos, professores, etc.
- Nos primeiros anos de vida, os filhos precisam de normas claras quanto a horários, hábitos, regras de comportamento e conveniência. A ausência pode causar desorientação e conflitos
- A progressiva flexibilização variará em função da idade, de características dos filhos, contexto, situação
- O desenvolvimento da autonomia e da independência são necessários para assegurar a futura adaptação ao mundo adulto
- Uma tolerância demasiado indulgente pode transformar o filho num ‘pequeno tirano’. Um controlo excessivamente repressivo será igualmente inadequado
- Os filhos devem conhecer de antemão quais os comportamentos adequados
- Prémio e castigo devem ser imediatos à ocorrência do comportamento. Pode-se prolongar o prémio. Ambos serão proporcionais à conduta
- É conveniente começar por premiar comportamentos que se aproximem do desejado
- Um dos piores castigos consiste no remover de atenção. Um prémio de indiscutível eficácia costuma ser o prestar atenção |
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Em que elementos se baseia a sua estratégia?
A melhoria da comunicação, que é o primeiro ponto, tem de partir de uma escuta activa, que implica entender não o que estão a dizer mas o que querem dizer. As crianças não conseguem verbalizar o que realmente as preocupa. Além da comunicação, há o respeito, o afecto, que são essenciais. Costumamos ser muito generosos na crítica e poupados nos elogios, mas assim não construímos uma sociedade melhor. Isso faz-se a partir do reconhecimento do que se faz bem e do que deve ser melhorado. Mas por detrás destas chaves está a autoridade, fruto da coerência, do sentido de justiça. Não autoritarismo, fruto do castigo. A autoridade ganha-se todos os dias. E há pais que não a conseguem ganhar porque mostram incoerência… Dizem hoje uma coisa e amanhã outra.
As crianças hoje têm mais informação, questionam mais, põem em causa mais...
Há coisas que têm de ser claras e há outras que há que respeitar, porque uma pessoa deve poder escolher. Há normas sobre as quais não há que discutir, e há outras em que é muito importante que os pais sejam capazes de oferecer alternativas. Desde o princípio há coisas que devem ser inquestionáveis. É muito difícil voltar atrás. O que há que fazer é ser muito directo e claro. Há que buscar a justa medida. É importante que as reivindicações legítimas sejam atendidas mas que não se seja extremamente condescendente. É importante que o pai tenha a segurança de que o que está a fazer é correcto. Explicar as coisas não é mau – explicar que é necessário, que é para o próprio bem da criança, que é este o funcionamento das coisas. É importante dizer que sim, que entende as suas razões, que é legítimo que pensem assim pelo contexto em que vivem, e que está disposto a mudar a pouco e pouco, mas que aquela altura não é o momento. Com a má conduta, estão a pedir normas.
Acha que as famílias hoje sobrevivem, em vez de conviverem?
Sim. A vida passa muito rápido e as pessoas têm de ter consciência disso. Por essa razão, devemos dar o melhor de nós, transmitir valores aos nossos filhos para que amanhã eles os transmitam aos seus filhos. E devemos fazer isso já, não só pela família e pelos filhos mas pela sociedade em geral. Às vezes não o fazemos porque estamos na pura sobrevivência de trabalho e de dinheiro, e quando nos damos conta o peão e o rei acabam na mesma caixa quando o jogo acaba. É fundamental ser feliz. E não é difícil. Depende da atitude, do pensamento, da confiança que temos em nós mesmos, da auto-estima que devem ter os pais para transmitir aos filhos sem fazer danos à deles. E que fazem os gritos senão danos à auto-estima? À dos filhos, que se sentem desvalorizados, e à dos pais, que se sentem culpados. E um pai culpabilizado tem mais dificuldade para educar. |
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