Assinar Revista | PDA
Newsletter
Directório:  Acessórios | Beleza | Calçado | Vestuário | Marcas | Vestuário

  Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA
Pesquisar

 
Subscrever Máxima




ESTRELA DO MÊS

ARRASTA MULTIDÕES. HÁ MUITO QUE UMA SÓ PESSOA NÃO CONSEGUIA ESTE FEITO EM PORTUGAL. tony carreira TEM UM PÚBLICO QUE O IDOLATRA, SENDO AS MULHERES O CENTRO DO MUNDO DESTE CANTOR QUE TOCA NO FUNDO DOS SEUS SENTIMENTOS.

Por Maria Elisa Domingues
Fotografia de Carlos Ramos
Styling de Vasco Correia


Qual é a sua recordação de infância mais antiga?
A morte do meu avô, tinha eu seis anos, porque foi ele que me criou – os meus pais eram emigrantes em França –, e o primeiro dia de escola. A minha mãe vendia sardinhas e punha o dinheiro do peixe numa bolsa de pano, a mesma que eu usei para levar os cadernos para a escola. Continuo a lembrar-me do cheiro.

Sentiu vergonha dos outros miúdos?
Não, vivíamos todos no mesmo filme, não havia esse sentimento. Foi aquele cheiro muito forte que me marcou.

Força interior O sucesso de Tony Carreira fundamenta-se num dado inequívoco: acreditar em si próprio.
A vida era muito dura?
Muito. Quando eu tinha cinco anos, a minha mãe mandava-me comprar pão a três quilómetros, que eu fazia a pé de dois em dois dias, porque era três tostões mais barato.


Que idade tinha quando saiu da aldeia pela primeira vez?
Tinha 6/7 anos, para ir à Serra da Estrela. Da segunda, já foi mais tarde, vim a Lisboa. Apaixonei-me de imediato pela ponte sobre o Tejo, com todas aquelas luzes que pareciam uma árvore de Natal e deslumbravam um miúdo da aldeia. A primeira professora marcou-o?
Marcou-me pela extrema rigidez. Mas, na altura, as coisas eram assim. Quando o jeep da GNR aparecia em Armador ficava apavorado, sabíamos que era a autoridade e que podia dar problemas. Pelo contrário, quando cheguei a França aos 11 anos e me deparei com a dificuldade de não falar francês, encontrei uma professora que me ajudou muito. Tive a alegria de voltar a vê-la este Verão, em Paris, porque alguém lhe fez chegar a minha biografia onde eu falo na forma como me acolheu. Ela desconhecia que o aluno António Manuel Mateus Antunes fizera uma carreira como cantor mas esforçou-se para me ir ver actuar.

Sabia que havia gente presa por razões políticas?
Não me lembro disso, só daquele medo sempre presente. No entanto, apesar dessas dificuldades por que todos os miúdos passavam – a GNR, a professora autoritária, os pais ausentes – tenho recordações maravilhosas da infância. Sabíamos que, para vivermos melhor, os pais tinham de emigrar e que um dia faríamos o mesmo.

Acreditava que um dia teria uma vida melhor?
Sim. Quando fui ter com os meus pais, era um miúdo rebelde. A pequena cidade dos arredores de Paris onde eles viviam, para mim, era Nova Iorque. Queria sair com os amigos, mas o meu pai via os perigos que espreitavam o miúdo recém-chegado da aldeia e não deixava. Tivemos os confrontos naturais da idade. A vida deles era de muito trabalho, o meu pai nunca tirou um sábado ou um domingo e todos nos tínhamos de ajudar.

Toda a sua família trabalha consigo. Quer a família quer o trabalho são fonte de conflitos. Não é um grande peso?
De forma nenhuma. É um dever que espero transmitir aos meus filhos. Tive mais sorte financeiramente, logo é meu dever ajudá-los. Os meus pais, ainda hoje, apesar de eu ganhar mais, dão exactamente o mesmo a cada um de nós no Natal.

Mas trabalhando com a família não está a potenciar a possibilidade de problemas?
Não é facil trabalhar com a família. Mas a minha vida foi construída assim. Desde o primeiro dia, trabalho com o meu irmão. Quando, aos 15 anos, comecei a tocar na primeira banda de garagem, Os Irmãos 5, ele já lá estava, era viola-baixo. E quando precisei de alguém que me levasse aos ensaios, pois não tinha idade para guiar, convenci-o a ir tocar baixo, porque assim já tinha chauffeur. Fui eu que o trouxe para a minha vida, ele não me pediu nada.


Uma espécie de magia O magnetismo em palco e a sedução pessoal são decisivos para conquistar o público, especialmente o feminino.
A sua mulher também trabalha consigo. São casados há mais de 20 anos. Trabalharem juntos não afecta a relação mais íntima?
Pelo contrário, temos uma relação muito mais sólida desde que a Fernanda começou a trabalhar comigo. Passou a defender-me mais desde que entrou no meu mundo.

Quais foram as suas primeiras paixões musicais?
A primeira canção que ouvi na rádio foi a Lágrima, cantada pela Amália, ainda hoje, para mim, a canção mais bonita do mundo. E, no entanto, não gosto de fado. Mas a voz, o timbre quente da Amália, são sublimes. Mais tarde, em França, descobri um cantor israelita, Mike Brand, que se suicidou pouco depois. Continuo a ouvir os seus discos. Foi ele que, sem o saber, me deu uma enorme vontade de cantar. Quando conheci o guitarrista Carlos Santana, nasceu a vontade de saber tocar guitarra para compor, visto que ninguém compunha para mim.Tenho uma certa frustração de não ser um bom guitarrista. Ser apenas médio limita-me na composição; por vezes, tenho o acorde na cabeça, mas preciso de ajuda para o concretizar.

Sempre teve a convicção de que iria vencer?
Sempre. Daí também a luta com o meu pai, que achava que cantor não era profissão, queria que eu estudasse mais. Só deixei de a ter quando as coisas começaram a acontecer. Em 88 participei no Festival da Canção, comecei a gravar discos para várias editoras, mas sem sucesso. E, durante um ano, convenci-me que afinal não ia conseguir. Já tinha estado em todas as editoras e nenhuma queria apostar de novo em mim.

É difícil ter segundas oportunidades em Portugal…
Um artista que caia, por norma, nunca mais se levanta. Aliás, em Portugal, quando um artista morre, fisicamente, desaparece. Mesmo Amália, uma verdadeira diva, nunca teve uma homenagem à medida da sua carreira. Veja a diferença para a Edith Piaf, que morreu há muito mais anos, mas é constantemente recordada.

Quando é que percebeu que podia viver só das canções?
Entrei para uma fábrica aos 16 anos, estive lá até aos 25. Quando senti que já conseguia sustentar a família com as canções, dei a mim próprio dois, três anos para continuar ou voltar atrás.

Isso aconteceu quando?
Em 1993. Em França, cantava para as comunidades e, no Verão, vinha a Portugal fazer espectáculos. Em condições muito diferentes das de agora, claro: cantei em cima de tractores, de tanques, de tudo.

Devia ser complicado…
Não, era muito feliz. Na primeira tournée que fiz cá, ainda com música gravada, em play back, cheguei ao final do Verão com mais dinheiro do que teria ganho se ainda estivesse na fábrica a fazer uma coisa de que não gostava. Por isso, senti-me extremamente feliz, se tivesse ficado por ali já era feliz.


Demorou vários anos até ter o reconhecimento de hoje…
Quando fiz o primeiro Olympia, em 2000, decidi logo gravar o espectáculo em DVD pois pensei que podia não voltar a cantar numa sala assim. A editora era contra porque dizia que os DVD de concertos não se vendiam, mas eu insisti e acabou por ser o primeiro disco de sucesso, a partir do qual a minha carreira conheceu uma enorme viragem. Logo a seguir, decidi agendar o primeiro Coliseu. Para mim, emigrante rotulado como cantor pimba, cantar na melhor sala da capital, era um sonho. E quando, em 2003, enchi o Pavilhão Atlântico, então a minha carreira explode. Muita gente da comunicação social que me ignorava ou, na melhor das hipóteses, pensava em mim apenas como o tal “pimba”, começou a interessar-se: “Mas, afinal, quem é este caramelo?”. O próprio Expresso quis uma entrevista, o que até então era impensável.

Mas a grande adesão dos fãs é anterior …
Sim, eu já vendia muitos discos cá, tinha um público enorme mas, em termos de comunicação social, era totalmente ignorado.

E qual era a sua opinião da comunicação social?
Pensava que era injusto mas, ao mesmo tempo, não me importava muito.

Estranho. Porquê?
Porque, pelo meu lado tímido, acanhado, quase me dava jeito que não me entrevistassem. Quando fui nomeado para os últimos Globos de Ouro, e me encontrei numa sala cheia de gente conhecida, tive a sensação – posso estar errado – de que aquele mundo não era o meu. De que aquele público não era o meu.

Eu vi-o no Pavilhão Atlântico e estava lá gente de todos os estractos sociais, sabendo todas as suas canções de cor.
Talvez eu esteja errado. De qualquer modo, quando hoje sou abordado por alguém que não reconhecia o meu tra- balho e passa a dar-lhe atenção, é um reconhecimento do meu trabalho e fico feliz por isso. Como serei grato aos que ainda me ignoram se reconhecerem o que faço daqui a 10 anos. Não alimento qualquer ressentimento.

Por que razão, depois dos espectáculos, está horas em pé a dar autógrafos? É marketing?
Não. Faço-o porque há uma certeza que eu tenho: se, hoje, os políticos gostam de falar comigo e sou entrevistado para o Expresso, a RTP, a Máxima, devo tudo isso ao apoio que o público sempre me dedicou. Tenho pelo meu público uma gratidão sem limites.

Tem muitos políticos entre os seus fãs?
Agora tenho (risos). Não há um concerto em que o presidente da câmara local não queira jantar comigo. Pelo menos, este ano, porque há eleições. Não interpreto isso mal, é o trabalho deles. Mas já não acredito na política, que é cada vez mais atacar o vizinho, em vez de apresentar soluções para os pro- blemas.

Não há nenhum político que admire?
Admirava Sarkozy, mas afinal as promessas transformaram-se num filme de Hollywood…

Continua a interessar-se pelo que se passa em França?
Muito pouco. Tinha uma enorme vontade de vir para Portugal, sem a certeza de que me ia adaptar, porque vi muita gente regressar e voltar para França pouco depois. Hoje, tenho a certeza que é o país onde quero morrer. E não digo isto para ser politicamente correcto, mas porque adoro este país e tenho muita pena que não esteja melhor, porque tem tudo para isso.


Lugar de sonho
Uma praia das Caraíbas.
Gosto da água quente.

Cantor
Mike Brand.

Cor
Preto.

Carro
Tenho gostos de velho: que seja confortável.

Desporto
Futebol.

Desejo
Ter tempo para me despedir daqueles que amo antes de morrer.

Prazer
Andar de moto de água com os meus filhos.

Prato
Cozido à portuguesa.

Bebida
Gosto de vinho tinto, mas prefiro champanhe.

Temos poucos recursos naturais…
Mas temos um clima fantástico, uma excelente gastro-nomia, um povo acolhedor como poucos. Falta-nos organização. Um exemplo: na vida pessoal, eu atraso--me com frequência. Na vida profissional, estou sempre a horas. Mas a maioria das pessoas chega atrasada, porque o exemplo vem de cima, os políticos não têm respeito pelas pessoas, resolve-se tudo por compadrios e amizades. O problema é a liderança. Eu tenho uma empresa com 50 pessoas e penso que tenho sido um bom líder. As pessoas sabem que podem acreditar em mim, já lhes dei provas disso.

50 pessoas é uma grande responsabilidade.
É, mas isso permite-me ser um artista independente. É uma estrutura cara mas artisticamente vale a pena. Se eu hoje disser “Gostava de mudar isto no espectáculo de amanhã”, tenho pessoas no escritório que, de imediato, tratam de tudo.

A qualidade cenográfica, a iluminação, o som do seu espectáculo no Atlântico eram muito bons.
Se eu estivesse inserido numa produtora, onde haveria outros cantores, nunca poderia decidir ter um ecrã de 40 m2 no palco porque o produtor dizia-me que era impossível. A única maneira de ter o que quero é ser independente. Na minhas tournées, em qualquer cidade do país, levo uma orquestra de cordas. Se a estrutura não fosse minha, nunca teria esse número de pessoas na estrada. Fica mais caro, mas é minha convicção que, no longo prazo, essa qualidade compensa. O espectáculo não é só a figura central, é tudo o que a envolve.

O seu reportório é de canções de amor, algo repetitivas em termos das líricas. Alguma vez pensou alargar esse leque?
Já comecei a fazê-lo. Nos dois últimos discos, são perceptíveis mudanças nas músicas e nas líricas. Mas nos concertos tenho o vício de cantar sempre as canções que marcaram mais, o que, por vezes, é um erro que vou corrigir. Musicalmente, já estou a trabalhar outras formas para o próximo disco. É uma evolução que veio com a idade e que vou aprofundar. Quero gravar alguns temas com uma orquestra sinfónica… No próximo disco vou provavelmente surpreender muita gente, não porque as canções sejam muito diferentes mas porque serão produzidas de forma diversa. Se não houver novidade, as pessoas saturam-se. É um dever perante o público e uma exigência perante mim próprio.

Tem excelentes músicos na sua banda...
Tenho. Mas, sabe, há uma grande injustiça na forma como se analisam os cantores pirosos ou pimbas. Repare: há bandas de jazz que são uma miséria, há bandas rock que são uma lástima, mas para aí os críticos nunca apontam o dedo, é proibido. Na música ligeira vale tudo, pode-se matar, esfolar… Não estou a dizer que eu é que sou bom. Só quero é que as regras sejam iguais para todos. Mas esta minha vontade de mudança é uma evolução natural, não tem a ver com um desejo de agradar a certos sectores. Qualquer género, se for bem defendido, tem o seu lugar. Eu sempre fiz questão de ser rodeado dos melhores músicos, dos melhores técnicos. Melhores, tanto a nível de talento como de seres humanos. Pode ter o melhor baterista do mundo, mas se ele for uma peste, vai para a estrada e lixa-lhe a tournée toda.

A gestão das tournées deve ser dura…
São as pessoas com quem passamos mais tempo, tive uma época em que dava 150 concertos por ano. Se não forem pessoas bem formadas, é desesperante. Tenho músicos extraordinários, o que é para mim motivo de muito orgulho. É claro que nos apetece ir para outros campos.

Quem é que lhe dá conselhos?
Ninguém. A não ser indirectamente, como está a fazer.

Gostava que o Pedro Abrunhosa, que o foi ver ao Atlântico, compusesse para si?
O Pedro surpreendeu-me muito. Para mim, era óbvio que ele não gostava de mim. E, de repente, um dia, ligou-me e depois veio ao Atlântico, o que considero uma prova de coragem, pois estou certo que muita gente o criticou. Mas ele é superior a tudo isso. Temos continuado a falar sobre a possibilidade de trabalhar juntos. O que é que o seduz mais numa mulher?
Não consigo distinguir um só aspecto, é um todo.

Como encara a infidelidade numa relação?
Acho que há pessoas que são infiéis e apaixonadas pela pessoa que estão a trair, e outras que são fiéis e não gostam da pessoa com quem vivem. O cenário ideal é ser fiel e não o contrário.

O homem e a mulher vivem a infidelidade da mesma maneira?
A mulher, quando é infiel, em geral, está emocionalmente envolvida. O homem, para ser infiel, não precisa de estar envolvido.

E quanto a ser capaz de perdoar?
As mulheres são muito mais generosas, em tudo. As mulheres superam as dificuldades com muito mais coragem que os homens. Se as mulheres fossem tão unidas entre si como os homens, eram, em definitivo, quem mandava no mundo.

Um homem que admire?
O meu pai, pela forma como se sacrificou para o bem dos filhos. É um homem exemplar que, apesar de não saber ler nem escrever, tem uma enorme sabedoria. É o meu herói.

E mulher ?
A minha mãe, pela capacidade de sofrimento, de compreensão, de sacrifício. Hoje estão reformados, vivem em Portugal.

São felizes, depois de uma vida de tanto trabalho?
Muito. Há pouco, a minha mãe foi operada a um quisto sem importância e vi o meu pai deixar cair uma lágrima com medo de perder a mulher da sua vida.


One Man Show. Tony Carreira esgota lotações e tem admiradores fiéis que o acompanham dentro e fora do país. Que outro artista conseguirá este feito no país?
Em concerto com o filho Mickael Carreira; o album de sucessos, Best of - 20 Anos de Canções, e o album mais recente, O Homem que Sou.
 

Maquilhagem e cabelo: Vasco Correia / Espelho Meu (www.espelhomeu-vcs.com)
Carlos Ramos assistido por Nuno Beja e Sílvia Caetano













Anunciar on-line | Assinaturas | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo| Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.