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Foi
Karl Lagerfeld quem começou. Há uma dezena
de anos, o costureiro aceitou a direcção
artística de um pequeno hotel de charme, acabado
de adquirir por uns amigos seus no bairro residencial
de Grünewald, em Berlim. O edifício, inspirado
no barroco flamejante do século XIX, servira de
cenário ao casamento de Romy Schneider com Daniel
Biasini em 1975. Uma marca discreta que passaria despercebida.
Embora Lagerfeld se tenha preocupado com o menor detalhe,
desenhando os uniformes, a louça e até o
logótipo do estabelecimento, não apôs
o seu nome ao do Schlosshotel, que passou mais tarde a
ser o ex líbris da marca Sofitel do grupo Accor.
A verdadeira identificação de uma marca
de alta costura com um hotel data de meados da década
de 90. Nessa época, Maruccia Mandelli, a criadora
da casa Krizia, apaixona-se por uma pequena ilha das Caraíbas:
a Barbuda. Um paraíso que tenciona partilhar com
alguns amigos mais íntimos. Para isso, cria o K
Club, um magnífico hotel composto por cerca de
30 villas entre a areia e os coqueiros. Cinco quilómetros
de praia e uma decoração sofisticada em
quartos sem televisão. Porque na Barbuda o verdadeiro
luxo é o silêncio...
Palazzo Versace |
Em Florença,
a família Ferragamo reina. Quando Leonardo Ferragamo
decide, em 1996, juntar a actividade hoteleira à
marroquinaria de luxo, fá-lo discretamente. Ao
longo do Borgo San Jacopo, o Hotel Lungarno, ao qual
volta a dar vida, abre as suas janelas e terraços
sobre a Ponte Vecchio.
E várias outras moradas, igualmente sofisticadas
e decoradas por Michele Bonan, nascerão em seguida:
Gallery Art Hotel, Lungarno Suites, Hotel Continentale...
De um lado e de outro do rio Arno, no chique bairro
florentino, elas ilustram várias atmosferas diferentes
mas todas elas ligadas a uma certa arte de viver muito
italian chic. Mas também aqui nada indica que
se dorme num quarto com assinatura Ferragamo. Um pouco
porque, no início desta aventura, o marroquineiro
não queria correr o risco de beliscar a sua marca
com um eventual fracasso hoteleiro, mas também
porque esta iniciativa não se destinava a trazer
valor acrescentado a Ferragamo, como salienta Fabrizio
Gaggio, o director. “Ferragamo pensava que criando
hotéis de charme de um novo estilo, poderia oferecer
aos viajantes um pouco do saber-viver toscano. Após
sete anos de existência com verdadeiro sucesso,
os nossos hotéis continuam a não ter a
nossa assinatura. Mas estamos, obviamente, orgu-lhosos
do êxito desta iniciativa.”
E bem podem estar: em 2003, a Lungarno Hotels, o ramo
hoteleiro, apresentou 18 milhões de euros de
volume de negócios. O grupo possui igualmente,
também em Florença, o Savoy (cuja exploração
foi confiada à sociedade de Rocco Forte) bem
como o Palazzo Capponi. Em meados de 2005 vai abrir
um hotel na via Condotti em Roma, em pleno quarteirão
das boutiques de luxo, e em 2006, um conjunto de villas
de campo. Seguir-se-ão Boutique Hôtels
em Veneza, Milão, Londres e talvez Paris...
Para Donatella Versace,
a discrição é um terrível
defeito. Quando se lança na hotelaria reivindica
o feito e o seu Palazzo Versace apresenta toda a exuberância
de um lugar com assinatura. Em Brisbane, na Gold Coast
australiana, este sum-ptuoso estabelecimento, seleccionado
pelos Leading Hotels of the World, apresenta grande profusão
de mosaicos de mármore e colunatas à italiana.
Lungarno Suites, um
local de eleição, de decoração
minimalista, situado em Florença, e pertencente
à família Ferragamo. |
Para Bulgari, a mesma vontade de
se impor no universo dos palácios. Três anos
depois de se ter associado ao Ritz-Carlton, a marca topo
de gama da poderosa cadeia Marriott, o joalheiro acabou
de abrir esta Primavera o seu primeiro hotel. Num jardim
próximo do Scala de Milão, em pleno quarteirão
da moda, o Bulgari Hotel é um pequeno palácio
com 52 quartos e nove suites, um oásis de chique
serenidade desenhado por Antonio Citterio. O primeiro
passo de um projecto ambicioso que deverá englobar
uma luxuosa estância de férias em Bali e
hotéis em grandes cidades: Londres, Roma, Tóquio,
Nova Iorque...
A sociedade que Giorgio Armani acaba de firmar
com Mohamed Ali Alabbar insere-se, também ela,
numa vontade de desenvolvimento internacional. A sociedade
Emaar Properties, com sede no Dubai, é o maior
promotor imobiliário do Próximo Oriente.
A ela se deverá a construção e gestão
dos futuros hotéis e residências de luxo
Armani, e a Giorgio Armani, a responsabilidade da arquitectura,
do design, da decoração. Um acordo que representa
um investimento total de mais de mil milhões de
dólares. Os 10 estabelecimentos cuja abertura está
programada ao longo dos próximos sete anos serão,
é claro, mobilados pela Armani Casa, a filial de
decoração de Giorgio Armani. Antes de Londres,
Paris, Milão, Nova Iorque, Tóquio e Xangai,
os sócios vão abrir o hotel Armani do Dubai.
Situado no novo complexo de Burj Dubai, o mais vasto imóvel
comercial e residencial do mundo, o hotel possui 250 suites,
um spa de 40 mil metros quadrados e 150 apartamentos de
luxo concebidos e mobilados por Armani.
Cerruti, que deverá abrir no próximo Outubro,
em Viena, o seu primeiro hotel de 75 quartos, anunciou
que, em breve, abrirá dois estabelecimentos no
Próximo Oriente. No Dubai, no quarteirão
de Media City, e no Kuwait, no coração de
Salmiya. Proveniente de uma aliança entre o grupo
hoteleiro Rezidor SAS Hospitality e a célebre marca
de roupa, a sociedade Cerruti Hotels pretende oferecer
uma arte de viver baseada no design. E, também,
jogar com a força da marca na região, como
explica prontamente Kurt Ritter, presidente do grupo Rezidor
SAS: “O Próximo Oriente oferece oportunidades
extraordinárias para o desenvolvimento do nosso
portefólio de marcas. A importação
da marca Cerruti para essa região é uma
etapa suplementar da nossa expansão e irá
introduzir um estilo de hotelaria totalmente novo na região
do Golfo.”
Hotel Monaco, propriedade
da Benetton, no Gran Canal, em Veneza |
Outras marcas italianas vão
posicionando-se discretamente. Massimo Ferretti abriu
a Carducci 76, uma villa balnear estilo anos 20, de 38
quartos, em Cattolica, na costa adriática; Brioni
assina uma suite muito déco no Four Seasons de
Milão; e a Benetton conclui a restauração
do hotel Monaco & Grand Canal em Veneza. No antigo
palácio Dandolo, que abrigava no século
XVII o estabelecimento de jogo público Ridotto,
a Benetton levou a cabo uma excelente operação
de reabilitação, oferecendo uma centena
de quartos, alguns deles com vista para o Grand Canal.
Quanto a Paolo Gerani, director artístico da Iceberg,
acabou de abrir um complexo de 32 suites com spa (a Riviera
Golf Resort) num campo de golfe de 18 buracos em San Gigante
in Marignano, perto de Rimini.
Por sua vez, a Max Mara comprou o pequeno hotel Delle
Notarie situado em pleno coração histórico
da bonita cidade de Reggio Emilia. Para este hotel de
charme de 51 quartos e suites que se pretende o símbolo
da sua hospitalidade para com clientes e fornecedores,
a Max Mara privilegiou manifestamente o conforto. Iniciativas
que poderão muito bem, um dia, dar ideias a outros
criadores. |