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A Internet é um mundo à parte. Possui
inúmeros benefícios, mas também
alguns riscos. Como orientar crianças e adolescentes
para que naveguem em segurança?
Por Mariza Figueiredo
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Em todo
o mundo existem cerca de 250 milhões de servidores
de Internet. E conectados a eles encontram-se milhares
e milhares de pessoas. Gente de todo tipo e de todas as
idades. Pessoas normais, pessoas interessantes, uns quantos
voyeurs e também algumas mentes mais retorcidas.
Uma amostra do mundo que nos cerca. Mas neste universo
ainda circulamos um pouco às cegas, pois é
um meio anónimo em que não vemos nem caras
nem corações. E onde também proliferam
vírus e artimanhas concebidos para paralisar os
nossos computadores ou para tirar partido deles sem que
o saibamos.
Mas decidir pura e simplesmente prescindir do acesso à
Internet, por medo ou precaução, é
inútil e errado. Ele seguramente irá fazê-lo
quando for a casa de um amigo, mas sem que tenha tido
uma orientação sua.
“Proibir é
regredir”, observa, taxativo, Fernando
Costa, professor na área das tecnologias educativas
na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
da Universidade de Lisboa, responsável por diversos
projectos e pelo site Aprender com Tecnologias.
Desenvolver uma cultura familiar para a utilização
do computador e da Internet é o me-lhor caminho
para uma utilização segura. Isso faz-se
sugerindo caminhos, comentando sites, orientando para
perigos e supervisionando a utilização pelos
mais pequenos.
Da mesma forma como os ensina a não falar com estranhos,
deve ensiná-los a preservar a sua privacidade on-line
e a ter cuidado por onde anda. Se há ruas e bairros
a evitar na vida real, eles também existem na Internet.
O uso seguro passa por estabelecer regras: número
de horas ao computador, sites permitidos e sites a evitar,
como se portar nos chats, instant messengers e news groups,
cuidados a ter com e-mails e downloads gratuitos.
“Quanto mais novos são os filhos, maior a
necessidade de acompanhamento”, sublinha Fernando
Costa. À medida que crescem, não só
interiorizam as principais regras como, com a sua ajuda,
vão aprendendo a discernir o bom do mau, o seguro
do perigo.
“Existem cinco áreas
de risco para as quais convém que pais e educadores
estejam alerta e que sensibilizem as crianças para
maneiras de minorarem a sua exposição”,
comenta Tito de Morais, fundador do site Miúdos
Seguros na Net, um projecto que ajuda pais, professores
e educadores. São elas: os conteúdos inadequados,
os contactos perigosos ou intimidativos, as práticas
comerciais e publicitárias não-éticas,
o copyright ou a violação dos direitos de
autor, e os comportamentos compulsivos.
Os conteúdos
inadequados estão relacionados
com a pornografia, os sites violentos que vinculam o ódio,
o racismo ou a violência gratuita. “Podem
ser inapropriados e prejudiciais ao desenvolvimento da
criança. Podem mesmo ofender os valores e os padrões
segundo os quais as famílias desejam educar os
seus filhos”, comenta Tito de Morais. Para os evitar,
pode usar software específico ou recorrer a opções
disponíveis nos browsers (Explorer, Netscape, entre
outros), que limitam o acesso a este tipo de sites. Mas
atenção: a nível informático,
não existe bloqueio 100 por cento eficaz. O mais
seguro é a orientação da criança
para evitar tais sites. E se houver persistência,
que não hesitem em desligar o computador ou chamar
os pais.
Os contactos perigosos ou intimidativos podem ter lugar
através dos chats, fóruns, Instant Messaging
(IM), correio electrónico, entre outros. “São
efectuados por pessoas mal intencionadas que geralmente
não são quem dizem ser. Podem constituir
uma ameaça para crianças, jovens e até
adultos, sobretudo se conduzirem a encontros off-line”,
comenta Tito de Morais. Nada de revelar dados pessoais
– nome, morada, idade, telefone – ou fornecer
fotografias. Um dos problemas dos chats é que,
muitas vezes, a amizade on-line leva à curiosidade
de conhecer o interlocutor no mundo real. Deve-se orientar
crianças e jovens a não marcarem encontros
sem o conhecimento dos pais. “A minha filha fez
uma amizade num desses chats e, a certa altura, marcaram
um encontro. Ela contou-me e, em vez de proibir, achei
melhor acompanhá-la”, recorda Fernando Costa.
A proibição só aguça a curiosidade,
enquanto o encontro real tende, em geral, a não
se repetir. Chats, fóruns e IM podem também
dar margem a perseguições e contactos hostis.
Sensibilize o seu filho para não lhes dar resposta.
“As práticas comerciais e publicitárias
não-éticas e a dificuldade em distinguir
conteúdos informativos de conteúdos publicitários
podem enganar as crianças, promover a recolha de
informações que violam a sua privacidade
e atraí-las para compras não autorizadas”,
explica Tito de Morais. Há sites que solicitam
informação pessoal das crianças e
jovens em troca de ofertas ou concursos.
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Ensine-os a não confiar nas ofertas fáceis.
Devem também ter cuidado ao fazer download de ficheiros.
Estas facilidades gratuitas podem permitir a instalação
paralela de sistemas que não só controlam
a utilização do computador e da circulação
na Internet, mas também pregam partidas, como mudar
o sistema de ligação à Internet.
“Por mais cuidados que tivéssemos, fomos
apanhados por um sistema desses. De um dia para o outro,
a ligação que utilizávamos para a
Internet passou a ser feita por meio de uma chamada de
valor acrescentado. As contas de telefone subiram assustadoramente
e tivemos algum trabalho em eliminar o problema”,
recorda Fernando Costa.
Os pais devem orientar
os filhos em relação ao copyright e aos
direitos de autor. Copiar, partilhar ou alterar textos,
imagens, ficheiros de áudio e vídeo, softwares
e outros conteúdos protegidos por convenções
internacionais pode ser considerado crime. Pais e professores
devem alertar para que as pesquisas na Internet para os
trabalhos de escola sejam feitas de forma a obter informação
sem copiar material.
Os comportamentos compulsivos podem ser o resultado da
utilização excessiva das tecnologias. “Podem
gerar a dependência, com reflexos nocivos ao nível
da vida social e escolar da criança. A este nível,
a American Psychological Association tem vindo a alertar
para o facto de que é possível que crianças,
jovens e adultos possam tornar-se psicologicamente dependentes
da Internet, e que esta perturbação pode
dar-se com outras tecnologias, como é o caso dos
jogos vídeo”, diz Tito de Morais. Tendo em
atenção todos estes cuidados, o computador
e a navegação na Internet são meios
interessantes para estreitar relações entre
pais e filhos.
Conselhos para os
pais
Tito de Morais,
fundador do site Miúdos Seguros na
Net, recomenda:
1. Familiarize-se
com a Internet e com outras novas tecnologias
de informação e comunicação
(TIC) usadas pelos seus filhos
2. Coloque o
computador, o acesso à Internet e outras
TIC numa zona comum da casa, de forma a facilitar
a tarefa de supervisionar a utilização
3. Defina regras
que devem ser observadas durante a utilização
do computador, da Internet. Proceda à
sua revisão periódica para as
adequar à evolução da
maturidade dos seus filhos
4. Garanta o
cumprimento das regras e premeie-os
5. Familiarize-se
com as soluções tecnológicas
para a segurança on-line de crianças
e jovens. Mas este é um problema de
pessoas; a tecnologia pode ajudar, mas não
resolve tudo!
6. Faça-os
entender que o computador, a Internet e as
TIC não são um direito, mas
um privilégio. Como tal, podem ser
retirados a qualquer momento
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