
EM TEMPO DE REGRESSO AO TRABALHO CUIDE DO SEU CORAÇÃO. AS ARRITMIAS CARDÍACAS CONSTITUEM A PRINCIPAL CAUSA DE MORTE SÚBITA EM PORTUGAL. MAS NÃO LHES ATRIBUÍMOS IMPORTÂNCIA.
por Natacha Gonzaga Borges |
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O sintoma mais comum é a palpitação e pode, em certas pessoas, constituir um factor de grande desconforto. Mas as palpitações, por si, podem não constituir uma verdadeira arritmia, ocorrendo apenas em situações de stress ou como resposta normal do organismo a uma sobrecarga física ou emocional.
No entanto, também podem estar associadas a arritmias e serem acompanhadas de outros sintomas, como sensação de mal-estar e fraqueza, confusão mental, pressão arterial baixa, falta de ar, dor torácica, sensação de desfalecimento ou desmaio. Sintomas que poderão indiciar uma paragem cardíaca e exigir auxílio médico imediato.
Tipos de arritmia
Em condições normais, o coração “bate” com uma frequência que varia entre 60 e 90 vezes por minuto (bpm), embora muitos indivíduos tenham frequências cardíacas entre 50 e 60 bpm ou entre 90 e 100 bpm, não inspirando preocupação por esse facto.
Na bradicardia, contudo, a frequência de batimento ocorre menos de 60 vezes por minuto, ou seja, o coração funciona de forma mais lenta que o habitual.
É comum ocorrer em indivíduos normais, durante o sono, e em atletas, mas pode estar igualmente associada a patologias.
Pelo contrário, na taquicardia, o coração bate de forma acelerada, mais de 100 vezes por minuto. Pode ocorrer durante a actividade física, devido a stress emocional, febre, ou dor, mas também devido à presença de doenças.
Terapêuticas preventivas
A especificidade da arritmia determinará o tipo de tratamento. Em alguns casos o uso de medicação anti-arrítmica é suficiente, podendo prevenir a ocorrência de novos episódios. Noutros casos, porém, são necessárias terapias adicionais.
Existe uma arritmia bastante comum, que acomete principalmente indivíduos com doenças cardíacas prévias: a fibrilhação auricular. A sua importância advém do seu potencial para predispor à ocorrência do acidente vascular cerebral (AVC).
Nas idades mais avançadas, esta arritmia merece uma atenção especial já que pode surgir isoladamente, independente da ocorrência de outras doenças cardíacas. Nestes casos, os pacientes usam, além da medicação anti-arrítmica, anticoagulantes que diminuem o risco de formação de trombos (“coágulos”) no coração.
As arritmias lentas, quando sintomáticas e perigosas, po-dem ser tratadas através do implante de um pacemaker (marcapasso), um aparelho que gera impulsos eléctricos que estimulam o batimento cardíaco. As taquicardias são habitualmente abordáveis por terapêutica medicamentosa. Mas se existir o risco de conduzirem à taquicardia ventricular prolongada ou fibrilhação ventricular (uma forma de paragem cardíaca), poderá ser necessário o implante de um cardiodesfibrilhador, capaz de identificar e tratar a arritmia quando ela acontece.
Suspeitas de arritmia
Após exame físico, o médico poderá solicitar--lhe exames de diagnóstico. O electrocardiograma é um dos exames mais vulgares. Regista a actividade do coração em diferentes pontos, através de eléctrodos condutores colocados sobre a pele, e fornece informações importantes sobre a frequência cardíaca, a natureza do ritmo e a condução do impulso, podendo sugerir alguns tipos específicos de arritmia. No entanto, apenas regista a actividade do coração durante uns curtos segundos.
Tendo em conta que as arritmias, em geral, aparecem e desaparecem (paroxísticas), se o ECG não for realizado na altura em que a arritmia está presente, poderá indicar um resultado aparentemente normal.
O Holter é, genericamente, um electrocardiograma realizado durante 24 horas. O paciente permanece com os eléctrodos durante esse período de tempo, ligados a um aparelho que é pendurado à sua cintura, e faz a sua vida normal, ficando com a tarefa de anotar todas as actividades que vai realizando ao longo do dia, os sintomas e os respectivos horários em que ocorrem. Pode ainda ser fundamental ao diagnóstico médico a realização de um estudo electrofisiológico, feito em ambiente hospitalar. |
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