Assinar Revista | PDA
Newsletter
Directório:  Acessórios | Beleza | Calçado | Vestuário | Marcas | Vestuário

  Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA
Pesquisar

 
Subscrever Máxima




SOCIEDADE

Viajam sozinhas para todo o lado. De coração aberto e alma atenta ao agridoce sabor a desconhecido. Peregrinação fabulosa, recheada de aventuras singulares.

Por Filipa Veiga
Fotografia de Mário Príncipe

Partem sozinhas com bagagem mínima e o essencial para qualquer eventualidade. Sabem para onde querem ir, mas ignoram para onde serão levadas. É este sabor agridoce a desco-nhecido que as leva a partir.

“Do que mais gosto é do inesperado, de como a vida se resolve sozinha. É a sensação óptima de me deixar levar pela força do destino”, conta Katie. Sofia diz que estas viagens servem para “conhecer os limites e as capacidades humanas em situações básicas. Por exemplo, o que comer, onde tomar banho, como estar sozinha sem o suporte das referências habituais, em lugares onde os costumes são diferentes. Não ter ninguém com quem partilhar o momento ou um assunto. Não saber se estamos a fazer bem ou mal. Tudo é desafio”. Wanda diz que o que mais gosta, nestas aventuras, é a sensação de estar viva, “ousar, ser capaz de me abstrair da rotina do dia--a-dia e aproveitar intensamente o momento”. Leonor ou Noor adora “andar de autocarro com galinhas ao lado, sentir as chuvas torrenciais que aparecem quando menos esperamos, as maravilhas da natureza, a fruta tropical, as tradições locais, festas, danças, rituais exóticos, as negociatas por preços melhores…”


Artista de formação e profissão, persegue diferentes formas de arte. “Viajar sozinha é testar os nossos limites.”
Leonor Veiga
Viajar sozinha não é para qualquer um, muito menos para qualquer mulher. Estas quatro jovens são essencialmente destemidas e bastante experientes. Vivem para tirar o máximo partido das experiências de que podem usufruir. Noor – “Luz” em árabe, nome que ganhou numa das viagens à Indonésia e que vem de Leonor – viaja sozinha desde miúda. É designer, pintora, está a tirar um mestrado em Museologia. Recorda-se bem da primeira vez que entrou num avião sozinha. “Tinha apenas 13 anos e ia entregue à hospedeira. Viajava para os Estados Unidos, com escala em Tóquio. Quando cheguei ao aeroporto japonês, quem me devia acompanhar, por qualquer motivo, não apareceu.” Foi a experiência de quem já andava de avião desde os dois anos que a guiou.

“O meu pensamento foi: ‘Follow the crowd!’ Entrei no segundo voo. Safei-me. A partir daí, nunca mais precisei de apoio. E aprendi a resolver situações destas!”

Katie tem 29 anos e está em Portugal há um. Filha de ingleses, nasceu e cresceu em Espanha, e estudou numa escola francesa. Em pequena já pensava como uma aventureira. “Foi principalmente a vontade de aprender línguas e conhecer outras culturas que me fez começar a viajar. Comecei pela Europa, com o meu pai.” Em adolescente já não se contentava com o que aprendia nas salas de aula. “A escola espanhola não era suficientemente estimulante, só aprendíamos inglês, que eu já falava em casa! Então, aos 15 anos, decidi visitar as minhas duas me-lhores amigas. Fui ter com a Denise ao País Basco e depois de autocarro até à fronteira de França e fiquei duas semanas com a Alex, em Bordéus. Ainda segui para Londres de avião, para fazer umas entrevistas num colégio. E ganhei a bolsa!” Entre os 17 e os 19 anos viveu na capital londrina, onde estudou línguas e teatro, em regime de internato. Esta experiência marcou-a para a vida. Sofia tinha 20 anos quando os pais lhe ofereceram um bilhete de avião para visitar a Suíça, a França e a Alemanha. “Namorava um rapaz de quem eles não gostavam…quiseram que eu fosse ver gente nova. A partir daí, nunca mais quis outra coisa! Foi também a primeira vez que andei de avião. Adorei Zurique, foi muito educativo: eles já separavam o lixo e cá nem se falava em ambiente!” E de repente estava a passear pela Índia, Tailândia e Indonésia: “Escolhi o Oriente para me orientar…” E orientou-se. Foi na Índia que descobriu a profissão que hoje exerce em Portugal, a de terapeuta de ayurvedica e de sacro-craniana.


De famílias aristocráticas, viveu no estrangeiro desde os 16 anos. “Viajar é descobrir que o mundo é muito maior do que o nosso dia-a-dia.”
Wanda Von Breisky
Wanda decidiu fazer a sua viagem solitária para curar um desgosto de amor. “Nessa fase trabalhava tanto que não tinha praticamente tempo para mim. Além disso, sentia-me perdida, sozinha e confusa. Tinha o meu negócio de promoção de artistas que, apesar de muito estimulante, é um nicho de mercado muito competitivo. Uma amiga ia de viagem com o namorado, quis tirar-me do abismo do meu coração despedaçado. Levou-me para a Tailândia. Eles ficavam uma semana, eu continuava sozinha por mais um mês!” Quando deu por si, estava a descobrir as três ilhas que abrem o Golfo da Tailândia. Começou por Koh Samui, voou depois para a sensual e alegre Koh Tao e acabou a dançar na Full Moon Party de Koh Phangan. Ainda passou por Krabi e finalmente ficou 10 dias nas paradisíacas ilhas Pipi. Conheceu uma cozi-nheira local de quem se tornou logo amiga. “Aprendi a cozinhar o mais saboroso caril tailandês. E passava os dias com os pescadores a explorar, de barco, as ilhas à volta. Ou em longos passeios pela praia, a conhecer gente nova e diferente de todo o mundo! Mais importante, fiz tudo à minha velocidade, ao meu gosto e de acordo com as minhas necessidades. Egoisticamente, aprendi a usar o tempo!”

Mas uma experiência destas também pode trazer memórias menos agradáveis. Todas estas aventureiras sabem que estão sujeitas às leis do acaso. Katie foi apanhada de surpresa no meio do mar. “Estava em África a viver num barco. Parámos dois dias em Inhambane, fui picada por um mosquito e apanhei malária. Os compa-nheiros do barco pensaram que eu tinha uma infecção ligeira e deram-me antibiótico. Só quando comecei com febres de 40 graus e dores insupor- táveis nas costas é que o capitão me levou ao hospital da Ilha de Moçambique, que tem condições muito básicas. Fiquei então num quarto alugado numa pensão aonde um amigo vinha todas as oito horas trocar a agulha de quinino. Perdi oito quilos em dois meses.


Esotérica e muito pacífica. “Viajar é um enriquecimento interior.”
Sofia Guerreiro
Fala cinco línguas e quer saber mais. “Viajar sozinha é relaxante.”
Katie Whiddon
Estava tão fraca que não conseguia caminhar mais de 10 minutos! Mas temos de nos aguentar, porque viajar é como andar de bicicleta: não podemos parar para não perder o equilíbrio.” Wanda também apanhou o susto da sua vida em alto mar. Visitava uma das ilhas da Tailândia quando foi surpreendida por uma tempestade tropical que a deixou isolada, sem comida e rodeada de lama. Desejosa de sair dali rapidamente, entrou num pequeno barco de pescadores. “Na primeira onda percebi a irresponsabilidade da mi-nha decisão. Os coletes salva-vidas estavam meios rotos, as ondas eram enormes, o barco parecia que ia virar a qualquer momento. Eu estava em pânico, como todos os outros. Como uma criança, fechei os olhos e roguei a todos os deuses! Nessa altura achei que nos íamos afundar inevitavelmente. Então decidi abrir os olhos e senti o mais perfeito dos sentimentos: uma tranquilidade nervosa inundou-me. Fiquei forte e viva, e a cada onda que batia no barco sentia-me mais corajosa. A adrenalina saía-me por todos os poros, foi electrizante!” Finalmente chegaram a terra e Wanda recuperou a serenidade que lhe é característica.

Sofia sabe ao que vai, mas não teme. Chegou a viajar sozinha para a Índia, grávida, e mais tarde com o seu bebé de cinco meses. Confessa que esta última viagem foi complicada. “Fomos para Bali, onde ele fez dois anos. Depois para Banguecoque. O David não se deu bem por causa da poluição e seguimos para a Índia, onde ficámos quatro meses. Um dia acordo com 72 chamadas não atendidas: tinha acontecido o tsunami! É este sentimento de desafio constante que me faz sempre querer voltar.”


Na foto de abertura: Katie Whiddon veste colete Tara Jarmon, Calças Luís Buchinho, Chapéu e sandálias Nuno Baltazar. Wanda von Breisky veste casaco Tara Jarmon, Cinto Gant, Saia comprida Ricardo Dourado, Colar em ouro Fluidgold e brincos colecção Star, ambos H.Stern. Sofia Guerreiro usa vestido Nuno Baltazar, Sandálias Missoni, na Soul. Leonor Veiga usa vestido Nuno Baltazar e Cinto H&M.

Realização: Joyce Doret l Maquilhagem/Cabelos: Joana Moreira
Noor viveu oito meses na Indonésia. Sozinha. Aprendeu a arte local do batik e o que significa viver num país islâmico. “Quando via meninas de dois meses cobertas pela jilbab – a parente indonésia da burqa – pensava: esta criança, quando for grande, já não vai conseguir andar sem ela…” Confessa que passou por momentos de “desespero, de solidão, mas encontrei uma forma de os sublimar: comecei a escrever e-mails a contar as minhas viagens. Normalmente só escrevo quando o susto já passou. Dou uma versão que faz parecer que já está tudo bem, o que nem sempre é verdade. Isto pode ser uma experiência difícil, mas fico a saber melhor o que aguento ou o que não estou disposta a tolerar. Acho que há muita gente que nunca experimentou os seus limites”.

Katie desabafa: “Sinto-me enriquecida porque me consigo adaptar a várias situações sem medo e com a mente aberta a tudo. Por outro lado, perdi a estabilidade de uma vida com rotina familiar, e isso nem sempre é enriquecedor.” Resumindo, não é a escolha ideal para pessoas mais convencionais. Todas fazem amigos para a vida. “É a melhor maneira de fazer amizades porque temos mesmo de comunicar e as pessoas também ajudam porque percebem que precisas do seu apoio”, explica Sofia. De resto, na era da comunicação, não há desculpas: “Mantenho várias amizades, nem que seja no Facebook. Todos temos uma alma de viajante, de modo que esta sinergia vem dos dois lados”, explica Noor.













Anunciar on-line | Assinaturas | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo| Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.