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CORPO & ALMA







Uma substância utilizada na prevenção e tratamento da osteoporose promete reduzir o risco de cancro da mama. De forma tão eficaz quanto os fármacos actualmente usados, mas com menos efeitos adversos.

Por JÚLIA SERRÃO

 

Os avanços a nível de prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos cada vez menos agressivos têm vindo a permitir que um maior número de pessoas sobreviva à doença que, mesmo assim, continua a ser a primeira causa de morte nas mulheres com idades compreendidas entre os 35 e os 55 anos.

Este e outros aspectos foram amplamente focados no Encontro Anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO) – uma das mais consideradas organizações internacionais no campo da Oncologia, com um papel importantíssimo no desenvolvimento e apoio à investigação na área da prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças oncológicas, e aconselhamento de procedimentos no cuidado de doentes com cancro em todo o mundo. Entre as novidades divulgadas este ano em Atlanta, Georgia, um dos destaques incidiu na apresentação do estudo STAR, concebido para acompanhar mulheres pós-menopáusicas com risco de cancro da mama e comparar a eficácia de duas substâncias, do grupo dos inibidores selectivos dos receptores de estrogénios (SERMs) no combate à doença.

Estudo à lupa
Universo. No ensaio STAR, participaram 19 mil mulheres pós-menopáusicas com idade média de 58 anos, embora existissem mulheres com menos de 35 anos que tinham sido submetidas a menopausas cirúrgicas
Duração do estudo. Entre 1999 e 2005. O ensaio devia terminar logo que fossem detectados 327 cancros em ambos os medicamentos, o que ocorreu no final de 2005
Resultados. Verificaram-se 163 casos de cancro invasivo no grupo das mulheres que tomavam tamoxifeno e 167 no grupo das que estavam a ser seguidas com raloxifeno.
De acordo com os resultados do ensaio, o raloxifeno, uma droga usada neste momento na prevenção e tratamento da osteoporose pós-menopausa, mostrou-se tão eficaz quanto o tamoxifeno – a substância actualmente mais usada para prevenir o cancro neste grupo de mulheres em risco –, mas com menos efeitos adversos.

“Tratou-se de um ensaio de semelhança, porque não estávamos à espera de grandes disparidades entre as duas drogas. Onde houve diferenças foi ao nível da ocorrência dos efeitos secundários, verificando-se menos 36 por cento de cancros uterinos e menos 30 por cento de tromboembolismos nas mulheres que estavam a tomar o raloxifeno”, explica à Máxima Victor G. Vogel, professor de Medicina e Epidemiologia da Universidade de Pittsburgh, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do estudo. “A nível global, tendo em atenção que o número de cancros invasivos é semelhante e o número de fracturas ósseas também, o facto de se terem verificado menos casos de cancro uterino e tromboembolismo leva-nos a acreditar que o raloxifeno é a melhor droga e a mais segura do ensaio”, diz o cientista norte-americano, lembrando que a esperança agora é que os dados sejam rapidamente submetidos aos organismos competentes, americano e depois europeu, para que o raloxifeno seja aprovado “como droga para reduzir o risco de cancro da mama”.

Apoio a doentes e família
Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (A.P.A.M.C.M.) para associados: doente e família. Possibilita o acesso gratuito ao atendimento/acompanhamento clínico multidisciplinar e oferece participação em actividades lúdicas e desportivas de apoio, entre outras coisas. Tel. 21 758 56 48, site apamcm.com.pt
Movimento Vencer e Viver da Liga Portuguesa Contra o Cancro: um grupo de apoio moral e emocional a mulheres com cancro da mama, família e amigos, feito por mulheres que já passaram pela mesma experiência. Tel. 21 726 57 86, site www.vencerviver.dpp.pt e e-mail vencerviver@dpp.pt
Associação das Mulheres Mastectomizadas Ame e Viva a Vida: grupo de mulheres mastectomizadas que voluntariamente se disponibilizam a apoiar as que sofrem da doença e suas famílias, esclarecendo, fornecendo apoio emocional, promovendo eventos culturais e lúdicos, e participando activamente na prevenção do cancro da mama, entre outras coisas. Tel. 91 327 33 71 e e-mail amm_amevivavida@walla.com
Fernanda Águas, directora clínica e presidente do conselho directivo da Clínica da Maternidade Bissaya- -Barreto, em Coimbra, partilha a mesma opinião. “O raloxifeno pode – e deve – vir a substituir o tamoxifeno na prevenção primária do cancro da mama em mu-lheres de alto risco, uma vez que apresenta menos efeitos adversos para uma protecção idêntica”, observa a médica, que participou activamente em dois ensaios clínicos europeus sobre esta mesma substância, sendo designada como representante de Portugal: o primeiro, o Euralox 1, com o objectivo de avaliar os efeitos do raloxifeno a nível do útero, e o segundo, o Eurolax 2, para estimar em detalhe o seu potencial em induzir ou exacerbar os sintomas vasomotores.

Victor V. Vogel acredita que o fármaco possa vir a ser rapidamente aprovado na prevenção do cancro da mama em mulheres em risco, uma vez que já é utilizado em larga escala na prevenção e tratamento das fracturas ósseas. “Até final de 2006, o mais tardar princípio de 2007.” E explica porquê: “Os médicos de Clínica Geral, mas também os especialistas em Oncologia, conhecem o raloxifeno e usam-no pelo menos há uma década na prevenção da osteoporose. Isto significa que não é necessário educar a classe médica na utilização correcta e detecção dos efeitos secundários do uso da substância, o que é uma mais-valia.”

Embora a etiologia do cancro da mama não esteja completamente desvendada, Fernanda Águas esclarece que há fortes sinais do papel dos estrogénios na sua patogénese. “A teoria hormonal aponta para que níveis elevados de estrogénios em circulação sejam associados a um aumento do risco de cancro da mama na mulher, após a menopausa.” Esta hormona, produzida nos ovários, tem “efeitos proliferativos nas células epiteliais da mama”. Por seu lado, “a mitogénese, ou seja, a divisão celular exagerada que acontece nestes casos, favorece o aparecimento de erros genéticos na célula, podendo ser o início de uma degeneração maligna”.

O papel dos inibidores selectivos dos receptores de estrogénios (SERMs), como o próprio nome sugere, é evitar que isto aconteça. No caso do raloxifeno, um destes inibidores de segunda geração, a função é “actuar na mama através de um bloqueio dos receptores hormonais onde os estrogénios se iriam ligar para desencadear as suas acções e, deste modo, bloquear os seus efeitos proliferativos”, explica a directora clínica. À semelhança do tamoxifeno, a substância está disponível em Portugal e aprovada em prevenção e tratamento da osteoporose pós-menopausa, enquanto a primeira é utilizada há mais de três décadas no tratamento adjuvante do cancro da mama, isto é, como tratamento a seguir à cirurgia. Mas, nos Estados Unidos, tem igual aprovação na prevenção primária desta neoplasia em mulheres de alto risco.

Ser mulher e ter mais de 50 anos são considerados os maiores factores de risco de cancro da mama. No entanto, e de acordo com alguns indicadores, este risco apresenta-se ligeiramente superior nos casos em que a mulher esteve exposta a maiores quantidades de estrogénios – isto é, que tenha tido uma menarca (primeira menstruação) precoce e uma menopausa tardia. As mulheres que nunca tiveram filhos, que tenham tido o primeiro depois dos 30 anos ou que nunca tenham amamentado também parecem correr um maior risco. Embora não seja possível mudar esta situação, é sempre possível alterar o estilo de vida e, dessa forma, contribuir para a modificação do risco. Fernanda Águas explica como: “Isto faz-se através da prática regular do exercício físico, da ingestão de frutas e legumes em quantidade suficiente. A dieta mediterrânica e o uso de azeite, a limitação no consumo de álcool e o combate à obesidade, sobretudo na pós-menopausa, são igualmente fundamentais. São medidas que favorecem a saúde em geral e que concomitantemente podem ter algum papel protector sobre o cancro da mama.


Celebridades do mundo inteiro juntam-se a esta onda de solidariedade: Elton John e Anastacia, Elizabeth Hurley e Ashley Judd.

Os edifícios famosos também se vestem de cor-de-rosa para celebrar o evento.
Caminhar pela vida

A 14.ª edição da Campanha de Prevenção do Cancro da Mama arranca a 5 de Outubro com a Caminhada Rosa.

As Campanhas de Prevenção do Cancro da Mama durante o mês de Outubro tornaram-se uma verdadeira instituição. Criadas pelas Companhias Estée Lauder, têm como objectivo alertar para e insistir na importância do diagnóstico precoce da doença. A Campanha prevê a realização de várias iniciativas à escala planetária ao longo de Outubro, incluindo a distribuição de laços cor-de-rosa e material informativo aos balcões das perfumarias que comercializam as marcas da Estée Lauder. Em Portugal, a acção decorrerá em cerca de 500 perfumarias. A Socosmet – filial das Companhias Estée Lauder no nosso país – promove a 14.ª edição da Campanha de Prevenção do Cancro da Mama que se inicia com a Caminhada Rosa e terá lugar na manhã do dia 5 de Outubro, em Lisboa, na Alameda Keil do Amaral, no Espaço Monsanto. O evento conta com o apoio da Liga Portuguesa Contra o Cancro, do Movimento Vencer e Viver e da Instituição Laço e tem como objectivos alertar para a necessidade da prevenção da doença – “porque esta encoraja o diagnóstico precoce e salva vidas”, permitindo melhor tratamento médico e inspirando uma atitude mais positiva – aconselhar a prática de hábitos de vida saudável e angariar fundos que serão entregues à Liga Portuguesa Contra o Cancro para a compra de unidades de rastreio, através da venda/donativo de uma T-shirt desenhada pelos estilistas Manuel Alves & José Manuel Gonçalves.
Não perca a Caminhada Rosa, seja solidária!













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