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Criatividade
O triunfo da ideia
por Ana Paula Lemos ilustrações de Júlio Vanzeler
Parece um paradoxo, mas não é. A sociedade tecnológica, marcada pelo desenvolvimento das telecomunicações, orientada pelos fundamentos da economia e fundada nos valores do capitalismo, criou novos agentes criativos, os webdesigners, e uma nova expressão artística, a cibercultura.

Com o nascimento destas novas entidades criativas, a ideia triunfou definitivamente sobre a tecnologia, já que a Internet se tornou o espaço preferencial da inovação e o lugar criativo mais competitivo, entre todas as outras expressões artísticas.


No dia 11 de Setembro de 2001, pelas piores razões, é certo, o mundo consciencializou o que os homens pareciam ter esquecido: o absoluto triunfo da ideia sobre a tecnologia. Naquela manhã, uma ideia diabólica suspendeu o nosso futuro e alterou decisivamente o curso da História. Afinal, nem o país mais tecnológico do mundo pôde responder à força da ideia. Ana Costa Franco, de 33 anos, empresária, publicitária, explicou-nos, através deste exemplo dramático, mas nem por isso indizível, o decisivo papel da ideia nas sociedades modernas e projectou, com surpreendente assertividade, o modo como a criatividade pode contribuir para alterar, modificar e mesmo transformar o nosso dia-a-dia.

Mas como escreveu Noel Clarasó, escritor espanhol, “as grandes ideias são aquelas nas quais a única coisa que nos surpreende é que não nos tivesse ocorrido antes”. Os criativos só investem nas grandes ideias. Os terroristas têm a arte de aproveitar apenas as más.

Diz-se que todos os criativos são pessoas inteligentes. O estudo de Maria de Fátima Morais, psicóloga e investigadora, denominado Criatividade como (Re)Conciliação: Indivíduo, Cultura e Acaso, confirma esta tese, mas adianta que muitos indivíduos com elevados valores de QI (Quociente de Inteligência) não são criativos. E sublinha: “A inteligência, medida por formatos, aparece como condição necessária mas não suficiente para a manifestação de criatividade. Assim, valores baixos de QI dificilmente se associam a indivíduos criativos. E os que o são, geralmente demonstram valores de QI acima da média.”

Fomos à procura de alguns dos homens e mulheres que fazem da ideia o seu principal instrumento de trabalho e quisemos saber como se alimenta a criatividade em sociedades tão competitivas como as nossas. Tal como se afirma no estudo de Maria de Fátima Morais, apesar de não existirem diferenças de género relativamente às competências criativas, os factores sociais, históricos e económicos têm “promovido” aos lugares cimeiros da criatividade mais homens do que mulheres, numa desproporção bastante acentuada. Entre 1901 e 1987, 395 homens ganharam o Nobel em domínios científicos e apenas nove mulheres o conseguiram. Na literatura, área associada tradicionalmente às mulheres, constatava-se a diferença de 83 homens para cinco mulheres.

Falámos com Luís Afonso, cartoonista do jornal Público, com José António Tenente, estilista, com José Luís Peixoto, escritor, com Pedro Pires, director criativo e autor de várias marcas publicitárias, e ainda com Ana Costa Franco, a mulher que criou a ideia “Ser genuíno é ter o original”, campanha lançada pelo Ministério da Cultura contra a pirataria, com o João Estopa, brand manager na Vodafone. Por fim, convidámos Maria João Vasconcelos, professora universitária, especialista em comunicação e a primeira mulher a pôr a investigação científica ao serviço da Publicidade, para nos contextualizar o tema que homenageia a Máxima no seu 15.º aniversário. Também José Moreira, webdesigner, deu o seu testemunho, falando-nos da mais recente expressão de criatividade humana.


 20 dicas para uma boa ideia
1. Na cabeça, existe uma mina de ouro. Construir um computador com
as mesmas características de um cérebro custaria mais de três biliões de biliões de dólares. Assim escrito: US$ 3 000 000 000 000 000 000 000

2. Todos os dias, escreva pelo menos uma ideia sobre estes assuntos: como posso ser mais eficaz, qual a melhor maneira de ajudar determinada pessoa,
que contributo posso dar à minha empresa ou ao meu país

3. Elabore um projecto de vida onde constem os seus principais objectivos. Nunca deixe de andar com esta relação

4. Faça anotações. Nunca saia sem papel nem lápis. Anote tudo, não confie na memória

5. Armazene ideias. Coloque em cada pasta um assunto. Ideias para a casa, para aumentar a eficiência no trabalho, para ganhar mais dinheiro. Aumente o banco de dados com leituras, viagens, conhecimentos com novas pessoas, filmes, competições desportivas...

6. Observe e absorva. Observe tudo minuciosamente. Aproveite o que observa. E, principalmente, observe tudo como se fosse a última vez

7. Desenvolva uma forte curiosidade sobre pessoas, coisas, lugares. Ao falar com uma pessoa, faça com que ela se sinta importante

8. Aprenda a escutar e a ouvir, tanto com os olhos como com os ouvidos. Perceba o que não foi dito

9. Descubra novas fontes de ideias. Utilize novas amizades, novos livros, assuntos diversos e até artigos – como este, por exemplo

10. Compreenda primeiro. Depois julgue

11. Mantenha o sinal verde da mente sempre ligado

12. Procure ter uma atitude positiva e optimista. Isto ajuda-o a realizar
os seus objectivos

13. Pense todos os dias. Escolha um lugar e uma hora para pensar alguns minutos, todos os dias

14. Descubra o problema. Ataque os problemas de uma maneira ordenada. Um dos métodos é descobrir qual é realmente o problema. Caso contrário, não o podemos situar. Faça trabalhar o subconsciente. Fale com alguém sobre a ideia, não a deixe morrer

15. Construa grandes ideias a partir de pequenas ideias. Associe ideias. Combine. Adapte. Modifique. Aumente. Diminua. Substitua. Reorganize-se

16. Evite situações que enfraqueçam o cérebro: barulho, fadiga, negativismo, dietas desequilibradas, excessos em geral

17. Crie grandes metas. Grandes objectivos

18. Aprenda a fazer perguntas que desenvolvam o cérebro. Quem? Quando? Onde? O quê? Porquê? Qual? Como?

19. Coloque as ideias em acção. Lembre-se de que uma ideia razoável
colocada em acção é muito melhor do que uma grande ideia arquivada

20. Use o tempo ocioso com sabedoria. Lembre-se de que a maior parte das grandes ideias, dos grandes livros, das grandes composições musicais, das grandes invenções foram criadas no tempo ocioso dos seus criadores



Têm uma coisa em comum: procuram obsessivamente a diferença na rotina do dia-a-dia, diferença esta que individualiza o trabalho na comunidade dos seres que se dedicam à mesma tarefa ou que aspiram à produção dos mesmos resultados.

Todos fazem parte da pequena, pequeníssima elite, que conseguiu triunfar na guerra da competência criativa e mesmo alguns, como Pedro Pires, Ana Costa Franco e José António Tenente, foram mais longe ao contribuírem para criar novas molduras de comportamentos, através das funções que desempenham, gerando tendências e criando expectativas sociais até então inexistentes.

Pensemos em Luís Afonso, cartoonista do jornal Público. Todos os dias alimenta o Bartoon, a única tira semanal de banda desenhada do jornal e, aos domingos, na Pública, na rubrica Sociedade Recriativa, enche de imaginação uma das páginas da revista. Como é possível criar diariamente uma narrativa composta por quatro desenhos e respectivos textos?

“Sou um consumidor compulsivo de informação escrita. Oiço rádio quando estou no carro e raramente vejo televisão. A informação é a ferramenta de trabalho para grande parte da minha produção, mas também utilizo alguns pensamentos e reflexões nascidos na observação directa ou através de leituras e conversas”, explica-nos Luís Afonso. Depois, o que se segue é uma vontade férrea de construir a obra. “As emoções estão permanentemente a sobrevoar o meu trabalho. Há cartoons onde elas aterram, há outros em que é preciso fazê-las descolar.


”Pedro Pires, de 31 anos, director criativo, e Ana Costa Franco, de 33 anos, directora-geral de uma empresa de comunicação e publicidade, representam a geração criativa que está no poder. Trabalham como uns mouros. Em média, contou-me o Pedro, faz duas directas por semana. A Ana também mostra com insistência as suas olheiras. Ambos se vestem como manda a revista inglesa Face: urban wear, vintage ou street wear. Todas estas desi-gnações correspondem a um mesmo tipo social: jovens urbanos, requintados, exigentes, consumidores vorazes de marcas, pessoas pouco dadas a uma vida ao ar livre, mas disponíveis para a prática de desportos radicais, amantes do cinema, maníacos de música – Pedro, por exemplo, põe música em casa na sua mesa de mistura – e vivem devorando tudo quanto é novidade, das revistas à Internet, passando pelos livros.

José Moreira, de 31 anos, webdesigner, licenciado em Tecnolo-gia e Artes Gráficas, ilustra bem este modus vivendi onde a criatividade nasce à velocidade da rede, quase on line. “Alimento a minha vida criativa devorando revistas, livros, material sobre moda, fotografia e, claro, Internet.


 Você é criativo?
Se é como a maioria das pessoas, provavelmente não se considera criativo. Mas, por favor, não caia nesse erro. Todos nós somos criativos. Para libertar o seu potencial criativo, domine as seguintes estratégias:

Captação.
Agarre as ideias depressa, porque elas são de tal modo fugidias que num instante se esvaem. As pessoas que levam a sério a exploração da sua capacidade criativa desenvolvem a “captação” como um dos seus instrumentos de trabalho. Salvador Dali captava as ideias no chamado estado fértil do sono. O pintor ficava sentado numa poltrona, com uma chave na mão, por cima de um prato colocado no chão. Quando adormecia, o ruído da chave a bater no prato despertava-o. Nesse instante, ele desenhava as imagens que ia vendo.

Desafio. Coloque-se em situações difíceis, em que inclusivamente existem sérias hipóteses de fracassar. O fracasso pode ser um manancial de criatividade.

Ampliação. Quanto mais conhecimentos tivermos e quanto mais diversificados forem, maior o potencial para a produção criativa.
Se normalmente lê romances policiais, pegue num livro de História.
No carro, procure as estações de rádio que não conhece. E se, habitualmente, quando chega a casa, liga a televisão para ver um jogo de futebol, mude para assistir ao canal História.

Ambiente. Por fim, intensifique a criatividade, cercando-se de diversos estímulos. E aprenda a mudá-los regularmente. A maneira como reagimos aos outros pode ser uma forma de “ambiente” criativo. Coloque objectos fora de comum na sua mesa de trabalho, como um boné ou um alicate ou ainda uma vela. O que vai fazer com esses objectos?


”O sujeito criativo, afirma Maria de Fátima Morais, “é tendencialmente capaz não apenas de resolver problemas, mas de colocar questões e criar, redefinir e prever problemas”. O indivíduo criativo, escreveu ainda esta investigadora, tende a formular e a manipular facilmente as imagens mentais, o que lhe fornece várias possibilidades de formular associações, ao mesmo tempo que constrói facilmente uma rede de conhecimentos flexíveis, permitindo-lhe assim reorganizações rápidas e um eficaz agrupamento de informações armazenadas.

Pedro Pires, criador da Yorn, produto de telecomunicações dirigido aos jovens e o primeiro em Portugal a segmentar o mercado nesta especificidade, exemplifica bem o perfil da personalidade criativa traçado por Maria de Fátima Morais.

“Ser criativo implica cruzar dados”, afirma este director criativo. Por isso, acrescenta, “leio muito, sou vidrado em revistas e viciado na informação”.

Perguntaram a John Kao, conhecido pelo Senhor Criatividade, um famoso publicitário norte-americano, “em que mundo vivemos?”

“Num mundo em que a vantagem competitiva vem do domínio das novas competências económicas, ou seja, da habilidade, de ser rápido, ágil, original e inteligente. E acrescentou: “As empresas que consigam desenvolver a capacidade de usar a criatividade da sua gente, ou seja, o pensamento descontínuo e não linear, para se progredir dos dados para o conhecimento, e deste para o saber, e do saber para o valor, terão uma incrível vantagem competitiva.”

Por isso, afirma John Kao, “o poder da criatividade aumenta exponencialmente com o grau de diversidade e de divergência existente dentro da empresa, já que a criatividade é basicamente saber combinar perspectivas pouco comuns e saber gerir o pensamento descontínuo”.


A improvisação é assim um dos grandes segredos da criatividade e a metáfora perfeita do novo pensamento da gestão.

Um escritor também é um criativo mas, como nos disse Pedro Pires, a diferença entre um criativo e um artista é que este tem direito a viver no seu mundo, a imaginação, e o criativo é geralmente um indivíduo que cria por encomenda ou ao abrigo de regras previamente estabelecidas. Dos últimos são exemplo os publicitários. Como nos explicou Maria João Vasconcelos, professora universitária, a publicidade tornou-se uma das expressões criativas mais importantes do mundo moderno, e uma expressão social, onde se encontram em maior número os agentes criativos portugueses.

“Os meus livros são ficção, mas são uma ficção que eu conheço, que vivo e, em muitos casos, as histórias aconteceram-me a mim, conhecia-as, vi-as. No entanto, as personagens que criei, a partir do momento em que existem, têm vida própria e muitas vezes fico sem saber se algum dia os vi ou foram sonhados por mim”, conta-nos José Luís Peixoto, um dos jovens escritores portugueses mais promissores, no entender de Vasco Graça Moura.

Também José Luís Peixoto integra o grupo dos criativos da geração www. Tem um piercing na orelha, veste de uma forma cool, usa habitualmente jeans e ténis, depois de ter passado por uma fase gótica muito acentuada, investe na promoção da sua imagem junto dos media e, tal como os seus “colegas” criativos, consome velozmente tudo quanto é informação.


 A criatividade segundo Isabel Leal
1. Há muitas, e algumas bem curiosas, teorias para explicar porque é que alguns de nós, apesar de tudo poucos, conseguem elevados padrões de criatividade

2. Convém dizer que a criatividade, à partida, tem uma conotação positiva. É bem vista, seja qual for a área: artística, literária, científica, técnica; possuir recursos internos que possibilitem transformar, recriar, pegar em elementos dispersos e disponíveis e produzir qualquer coisa que se reconheça como nova, diferente, por vezes, mesmo única

3. Uma noção clássica, que recobre uma parte substancial daquilo a que chamamos criatividade, é a de pensamento divergente. Um tipo de pensamento que permite elaborar um grande número de soluções, a partir de uma única fonte de informação, e escapando às fórmulas habituais. Considera-se que existem algumas aptidões facilitadoras deste tipo de pensamento divergente. A saber: a fluência ou rapidez de produção, a flexibilidade e a originalidade, sendo esta a possibilidade e frequência de gerar associações raras e respostas engenhosas

4. Muito se tem escrito sobre os mecanismos psicológicos da reparação e da sublimação, que de acordo com algumas teorias permitiram níveis de transcendência de conflitualidades arcaicas e, nesse sentido, de criatividade

5. Mas de todas as teorias, a que mais me agrada, a que mais me faz sentido é uma que radica num conceito de um pediatra que também era psicanalista, chamado Winnicott. Dizia ele que inerente a qualquer ser humano, e desde muito cedo, existe a capacidade de jogar, de brincar. De, na relação com um outro, desenvolver actividades lúdicas que se significam a si próprias, que são em si mesmas, que provocam emoções positivas mas também vinculações com esse outro

6. É sempre fascinante observar crianças brincando com os próprios dedos, ao esconde-esconde com um rosto conhecido, vê-las rir deliciadas com cócegas, senti-las crescer no faz-de-conta que: “Agora sou eu a mãe” ou “Este pauzinho é uma espada”. Ou seja, de acordo com esta perspectiva, podemos dizer que a criatividade, a mistura de curiosidade, interesse, capacidade transformadora e prazer disso tudo, existe em nós, desde sempre

7. Depois a socialização trabalha no sentido da formatação, da homogeneidade, da aquisição de regras de conduta e de muitas estereotipias

8. Depois alguns de nós, à margem disso tudo, têm competências específicas: para a música ou para a diferença de sons, para os números ou para a coordenação óculo-manual, por exemplo. Ou então nascem em famílias muito estimulantes a dados níveis, ou tropeçam no percurso de vida com a possibilidade de adquirir saberes/fazeres, que a sociedade em geral valoriza

9. O que chamamos criatividade talvez seja uma mistura, sem receita, do que resiste, em cada um de nós, do prazer de brincar da nossa infância perdida (em que quase todos somos grandes criadores); com habilidades específicas eventualmente biológicas; com o domínio de técnicas aprendidas; com a circunstância do mundo à nossa volta se dispor a valorizar isso tudo, como tal

10. Mas lá que há criadores sem obra, há



Os indivíduos criativos são velozes. Vivem nos corredores da velocidade máxima. Não têm tempo. O pensamento e a acção estão direccionados por convicções pessoais. Dispõem de uma anormal auto-suficiência. Para agir, não esperam que os outros digam o que fazer. A autoconfiança é o motor das suas obras. Têm uma enorme tolerância à ambiguidade. O sujeito criativo gosta de problemas e fomenta o risco. É curioso, dispõe de uma vastidão de interesses incontrolável e está sempre aberto a experiências novas.

João Estopa, licenciado em Marketing de Comunicação pela State University of New York, é o brand manager da Vodafone, ocupando o seu dia-a-dia a gerir a criatividade das pessoas que fazem as campanhas de comunicação e publicidade desta operadora de telecomunicações. Como nos disse, compete-lhe a responsabilidade de zelar pela imagem da Vodafone. Nada do que vemos, lemos ou ouvimos acerca desta marca é alheio a João Estopa. É ele quem define a personalidade da marca. Compete-lhe ordenar a criatividade dos outros de molde a que corresponda exactamente ao que se definiu para o cumprimento das estratégias estabelecidas.

“Na sua definição mais redutora, a imagem de uma empresa, marca ou produto remete-nos para a sua identidade gráfica, isto é, o seu logotipo e o conjunto das suas múltiplas aplicações. Mas isso é apenas um dos elementos de configuração da personalidade da marca. É apenas uma parte do seu look. Se uma marca fosse uma pessoa, o logotipo seria talvez os olhos. Falta ainda passar à postura, à atitude, ao carácter. Para isso existem todas as manifestações visuais e comportamentais da marca, ou seja, tudo quanto ela passa para o exterior e a forma como comunica”, conta-nos o especialista, apontando o dedo ao documento que elaborou sob o título Imagem: A Percepção é Realidade.

O seu trabalho consiste em fazer corresponder a criatividade aos objectivos propostos pela marca.


José António Tenente, o estilista que reinventou o glamour português, quando pega no papel e no lápis, cria uma obra que só depende de si e, se quer vender, do mercado com que vai interagir. É o criador quem dita as tendências, cria comportamentos e joga com as regras.

Para Pedro Pires e Ana Costa Franco, o processo criativo depende de pessoas como João Estopa, que têm por missão avaliar a conformidade da obra criativa com os objectivos propostos pela dinâmica empresarial.

Como todos os criativos – talvez nesta matéria a moda seja o exemplo típico –, José António Tenente ousa projectar o seu imaginário na construção da sua obra. “No meu trabalho”, diz-nos, “as referências são múltiplas e podem estar ligadas a várias áreas – a análise de uma personagem, uma história, uma época específica. O meu imaginário é sobretudo antigo (séculos XVII, XVIII e XIX), mas também acompanho e me interesso por áreas do pensamento contemporâneo. Não sou um fanático da informação.”

Para além do indivíduo criativo, como lembra Maria João Vasconcelos, existe o espírito do tempo e, a este respeito, escreve Fátima Morais, “a criatividade não é independente do tempo e do espaço em que vive o indivíduo”.


 Perfil das pessoas criativas
Características positivas:
Original
Independente
Enérgica
Curiosa
Intuitiva
Atracção pela complexidade
Aberta a novas ideias
Gosta do risco

Características negativas:
Ultrapassa limites e desafia as autoridades
Rebelde e pouco disposta a colaborar
Problemas com convenções e leis
Caprichosa, indiferente e desorganizada
Distraída e esquecida
Descuidada com detalhes e coisas menos importantes
Egocêntrica, com falta de tacto e desinteressada dos outros
Emocional



A forma como o tecido social, sobretudo as gerações que hoje têm 20 e 30 anos, legitima o poder artístico dos DJs ou dos Web – os heróis do tempo moderno, os rapazes e as raparigas que põem música nas discotecas e paginam a Internet – é justamente o reflexo que contextualiza o criador no seu tempo. Ambas as expressões artísticas nasceram da possibilidade que a tecnologia ofereceu ao homem moderno. Criou-se a música electrónica e os gurus da informática inventaram a Internet.

Mas a ideia, mesmo entre os agentes criativos da modernidade, é a deusa desta geração www. Os homens e as mulheres do nosso tempo que desempenham lugares de destaque na vida empresarial pagam o que for preciso por uma boa ideia.
 



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