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Em Ficheiros Secretos: Quero Acreditar, GILLIAN ANDERSON vive um thriller com elementos sobrenaturais. E mantém a aura da actriz que vale mais do que ser bela.
Por HAROLD VON KURSK l Fotografia de RUVEN AFANADOR/CORBIS OUTLINE |
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Gillian Anderson nasceu em Chicago. Passou a infância em Londres, onde a família viveu nove anos enquanto o pai estudava produção cinematográfica. Os Anderson regressaram depois aos EUA e fixaram-se no Michigan, onde o talento de Gillian para a representação foi descoberto. Durante a adolescência, algo rebelde, namoriscou com a cena punk rock, mas foi a representação que mais a atraiu e, depois de concluir o ensino secundário, em 1986, estudou no prestigiado Goodman Theater, da Universidade DePaul. Concluída a licenciatura em Belas-Artes, participou num workshop de três semanas organizado pelo Teatro Nacional britânico na Universidade de Cornell, em Nova Iorque. Aos 22 anos, Gillian rumou a Nova Iorque para seguir a carreira de actriz.
A sua primeira oportunidade surgiu com um papel na produção off-Broadway da peça Absent Friends, pelo qual Gillian recebeu um Theater World Award em 1991. Pouco tempo depois, aceitou um papel no filme de baixo orçamento The Turning e mudou-se para Los Angeles. O ano de 1993 marcou um ponto de viragem na carreira da actriz: foi escolhida para interpretar a agente Dana Scully na nova série televisiva da Fox, The X Files. “Não conseguia largar o argumento!”, recorda Gillian.
Bem-vinda, Miss Gillian
Com uma carreira premiada, é com expectativa que se recebe o regresso da enigmática agente federal Dana Scully ao grande ecrã. |
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Beleza americana
Ainda que o talento e a capacidade para interpretar diferentes papéis caracterizem Gillian Anderson, é certo que a sua beleza feérica ajudou a abrir-lhe as portas da fama. |
Continuou a ser Scully nos Ficheiros Secretos durante épocas consecutivas (até Maio de 2002), ao longo das quais acumulou dois prémios da Screen Actor’s Guild, um Emmy e um Globo de Ouro. Em 1998, protagonizou o filme Ficheiros Secretos e participou em Os Poderosos e Hellcab. Em 2000, Gillian fez história nos Ficheiros Secretos ao tornar-se a primeira mulher a escrever e a realizar um episódio. Em Dezembro de 2000, estreou A Casa da Felicidade, de Terence Davies e o papel da protagonista, Lily Bart, valeu a Gillian os prémios BIFA e da Village Voice Critic’s Poll para Melhor Actriz. Foi também aclamada pela crítica pelas suas interpretações em palcos londrinos de What the Night is For, de Michael Weller, e The Sweetest Swing in Baseball.
Seguiram-se outros papéis notáveis nos filmes The Mighty Celt, onde contracenou com Robert Carlyle, e Tristram Shandy, e na série da BBC internacionalmente aclamada Bleak House, onde interpretou Lady Dedlock. Nos seus créditos mais recentes incluem-se O Último Rei da Escócia, Straightheads – Desejo de Vingança, Robbie the Reindeer in Close Encounters of the Herd Kind (em que fez a voz da rai-nha Vorkana), Boogie Woogie, No-one Gets Off in This Town e How to Lose Friends and Alienate People.
Actualmente, Gillian Anderson reside em Londres com Piper, a sua filha adolescente, Oscar, o seu filho de 18 meses, e o seu companheiro, o empresário Mark Griffiths. O seu novo filme, o ansiosamente aguardado Ficheiros Secretos: Quero Acreditar, baseado na série televisiva premiada, é realizado por Chris Carter, criador da série, e volta a reunir Gillian Anderson com David Duchovny.
O enredo do filme está envolto no mais profundo segredo e Chris Carter descreve-o como um “presente de Natal”. O que pode dizer-nos?
Não muito… Só posso dizer que vai ser bastante assustador e horripilante…
Vamos assistir a uma modificação da sua personagem, Dana Scully, neste filme?
Vamos ver uma Dana Scully mais velha e amadurecida. Foi pedido especificamente aos argumentistas que encaixassem todos os elementos que o público desejava.
Teve algumas reservas em voltar a interpretar este papel?
Sempre esteve entendido que, quando a série acabasse, faríamos outro filme, embora estivesse previsto para mais cedo. Todos tínhamos a certeza de que ia acontecer; a questão era quando. Há uma grande diferença entre fazer uma série ininterruptamente e juntarmo-nos durante alguns meses para voltar a interpretar um personagem num filme. A ideia de reencontrar Scully, alguns anos depois, atraía-me.
As séries televisivas actuais tendem a centrar-se em teorias de conspiração. Como vê essas séries, tendo como contraponto os Ficheiros Secretos?
Não as conheço bem. Na altura em que a nossa série falava de teorias de conspiração, nos anos 90, era difícil dizer se era oportuna ou não, sob a administração Clinton. Era mais fácil questionar a autoridade. Com o governo actual, temos ainda mais razões – mas menos capacidade – para ter liberdade de expressão e abordarmos esses assuntos como o fazíamos no tempo de Clinton. O clima é diferente.
A sua personagem é a mais céptica do duo Mulder e Scully. Diria que é uma pessoa mais espiritual ou mais céptica?
Neste filme, Scully tem de reflectir muito sobre a sua fé, que é extremamente importante para ela [Scully é uma católica devota]. As minhas crenças na espiritualidade são importantes, mas não têm tanta intensidade como as dela. Em geral, porém, tendo a ser mais espiritual do que céptica.
Se David Duchovny não tivesse aceitado participar no filme, tê-lo--ia feito ainda assim?
Foi David quem ressuscitou a ideia do filme. Ele queria avançar mas, se um de nós não estivesse interessado, o filme não teria acontecido. Tenho estado em contacto com Chris e David desde o fim da série, e o filme sempre fez parte do nosso futuro juntos.
Como foi voltar a trabalhar com David Duchovny?
Foi uma sensação de grande familiaridade. Foi divertido. Foi interessante partir de uma perspectiva muito diferente e querer fazer um filme o melhor possível. Podíamos demorar mais tempo em cada cena e voltar atrás. A série televisiva foi muito diferente: estávamos tão cansados que só queríamos que o dia chegasse ao fim. No filme, trabalhámos em equipa para fazer o melhor trabalho de que éramos capazes.
Trabalhar com uma pessoa durante tanto tempo, na série, deve ter sido bastante complicado, por vezes. Como foi mesmo trabalhar com David numa base tão próxima?
Havia dias em que não nos suportávamos; noutros, ríamo-nos juntos como perdidos. O David está sempre a dizer que era como um casamento combinado, e tem razão. Estávamos enredados naquela situação. Não tí-nhamos de gostar automaticamente um do outro, mas havia dias em que gostávamos um do outro e até nos adorávamos.
Está a adaptar ao cinema o livro Speed of Light, de Elizabeth Rosner, e planeia realizá-lo. Como é que está a correr?
Devagar! Ou estou a mudar de casa, ou a ter um bebé, ou a fazer um filme, por isso estou a levar algum tempo a fazer essa adaptação, mas vou avançando a pouco e pouco.
Como concilia a sua vida profissional com a familiar?
É difícil manter uma relação, passar tempo suficiente com um filho pequenino e uma filha adolescente e trabalhar 16 horas por dia. Temos de saber acumular energias e escolher judiciosamente para onde devemos canalizá-las. As filmagens de Ficheiros Secretos: Quero Acreditar foram as mais longas que fiz ultimamente – quase dois meses e meio. Nos outros projectos tenho trabalhado três, quatro ou cinco semanas seguidas. Preferia não ter de fazer rodagens tão longas nos tempos mais próximos, porque têm os seus custos.
Gostaria de fazer mais teatro?
Sem dúvida. Aliás, vou participar num projecto no início do ano que vem, aqui no Reino Unido, mas não posso falar dele, pois vai ser anunciado muito em breve. Trata-se de um clássico, mas não é Shakespeare.
Passou uma grande parte da sua infância em Londres, e é nesta cidade que vive hoje. Sente-se mais em casa aqui do que nos Estados Unidos?
Certamente. Quando não estou cá, tenho saudades. É possível que isso se deva ao facto de ter passado aqui a minha infância. Tem muito a ver com uma sensação de familiaridade, mas o facto é que prefiro a Europa em geral. Gosto mais da mentalidade, da consciência do mundo e do ritmo europeus. São muitas as coisas que aqui apelam à minha sensibilidade. Não sei se se trata de algo adquirido, porque cresci aqui, ou se já nasceu comigo e teria acabado por acontecer na mesma.
Como foi trabalhar com Billy Connolly em Ficheiros Secretos: Quero Acreditar?
O Billy Connolly estava histérico. É uma das pessoas mais divertidas que conheci. É um homem amoroso e muito alegre que está de bem com a sua vida, o seu mundo e a sua família. Houve dias em que eu chegava ao set um bocado resmungona, mas para o Billy está sempre tudo bem, e eu acabava por me calar.
Vai haver outra sequela dos Ficheiros Secretos?
Se esta correr bem, a ideia é voltarmos a juntar-nos daqui a uns anos para fazer outro, e depois mais outro…
Estas filmagens foram exigentes do ponto de vista físico? Como era o ambiente?
Desse ponto de vista, foram mais exigentes para o David do que para mim. O ambiente foi bom, porque grande parte da equipa era constituída por pessoas com quem já tínhamos trabalhado no Canadá, e foi óptimo revê-las. Além disso, estávamos descansados quanto à qualidade do seu trabalho. O dia-a-dia do David era muito mais cansativo do que o meu; eu tinha muitos diálogos. Mas foi uma rodagem dura. Filmámos em Whistler, com 18 graus abaixo de zero; depois filmámos durante três semanas num hospital psiquiátrico abandonado, escuro e deprimente… Mas em geral as filmagens correram bem, e a equipa era excelente.
O que faz quando não está a trabalhar?
Não faço ideia! No outro dia fui com a minha filha ver a exposição do Peter Doig na Tate Britain. Vou buscá-la à escola, estou com o meu filho durante o dia, vamos ao cinema, fazemos o jantar. Vou ver os Radiohead com a minha filha. Uns amigos levaram-na a ver as Spice Girls quando eu não estava cá – dessa safei-me! |
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