Assinar Revista | PDA
Newsletter
Directório:  Acessórios | Beleza | Calçado | Vestuário | Marcas | Vestuário

  Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA
Pesquisar

 
Subscrever Máxima




ESTRELA DO MÊS







No Brasil é figura nacional e de São Paulo
é pertença. Jornalista há 38 anos e há seis actriz de teatro, cinema e novela,
também é cantora com três discos publicados. Senhoras e senhores,
Marília Gabriela

Por Leonor Xavier l Fotografia de Francisco Aragão
Sedutora
No pequeno ecrã,a arte
de perguntar envolve
inteligência e sedução.
Marília Gabriela é uma entrevistadora nata.
 
Felizes terão sido os seus dias em Lisboa, palco de teatro iluminado que pisou no Tivoli como Lady Macbeth, cenário de mundaneidades várias que desfrutou, cidade amável no modo como a recebeu, e mais ainda, sendo ela visitante famosa, imagem conhecida de televisão. Conhecemo-la como personalidade do saudoso canal brasileiro GNT, sob protesto extinto na TVCabo. Loira, ágil e esguia, casual de estilo, comunicativa no jeito, simpática na clareza da fala, Marília Gabriela, ou Gabi, como usa ser chamada, agora entre nós teve o seu tempo de brilho e deixou marcas de passagem. A arte de tudo perguntar é o talento que a tornou a mais prestigiada entrevistadora da televisão brasileira. Foi este o tema corrido da conversa que segue, mais interessante do que a sua separação sentimental do galã Gianecchini, objecto de notícias várias, e por acordo mútuo, aqui jogada fora.

Pelos nomes de programas seus – Cara a Cara, De Frente com Gabi, Marília Gabriela Entrevista – sugere uma conversa directa com os seus convidados. Uma vez disse que sexo, política e arte são temas fecundos. Também já disse que tudo se pode perguntar. Que definição faz do seu estilo?
Se me olhasse de fora, seria uma pessoa genuinamente curiosa. Percebo em mim uma curiosidade maior do que qualquer pudor ou qualquer medo, o que resulta numa pessoa destemida. Sou uma mulher destemida na profissão. Em que dou importância às pessoas e em que lhes faço perguntas.

Estando perto de si, percebe--se que é muito de São Paulo. A impressão está certa?
Sou paulista. Ajo, penso como paulista, tenho muito orgulho em ser. Não considero a rivalidade entre Rio de Janeiro e São Paulo. O Rio de Janeiro é uma beleza, uma tranquila simpatia. São Paulo não foi favorecida por arquitectura da natureza, mas é incomparável. Não tem nada a ver com o que se espera de uma cidade maravilhosa como o Rio, mas tem outro tipo de resposta para as solicitações. É uma cidade onde a pessoa pode permitir-se ficar sozinha e ter óptimos amigos, especiais. Eu não preciso da galera, como se diz a festa do convívio no Rio. Mas o melhor que São Paulo tem são as pessoas. Ser paulista é achar a cidade bela sob a luz do Outono, é saber organizar-se no meio do caos, é tornar o trânsito possível sem ninguém desobedecer a regras. É ter qualidade de vida. É ter cultura. São Paulo tem amplo espectro de tudo o que a gente procura. Livrarias, cinemas, teatros. Não dá tempo de aproveitar tanta gente, tanta criação, tanto experimento, tanto grupo novo, tanto restaurante. A gente sai, vai a cinco lugares no mesmo dia, está com três tribos diferentes. Tem a grande miséria dos grandes centros, mas é a cidade onde se tem respeito aos horários e se é elegantemente discreto. Onde um evento bebé, como a São Paulo Fashion, que ainda ontem começou, já é internacional.

Tem consciência de que a sua fala é expressiva, tem riqueza, é bem construída?
Essa consciência não me preocupa. A minha fala é uma cultura, assimilada, resolvida. Sou muito crítica, presto uma atenção enorme no que é falado até comigo, por filhos, amigos, maridos. Dói no meu ouvido ouvir falar mal português. O meu livro predilecto é o Dicionário Houaiss. A maior brincadeira é um jogo de salão que é sobre dicionário. Se souber uma palavra ganha pontos, se não souber, pode ganhar se inventar outra palavra. Sei que sou capaz das maiores crueldades e amabilidades pelas palavras. Sei o peso das palavras. Sou da geração da leitura, leio desde os quatro anos de idade.

“Percebo em mim uma curiosidade maior do que qualquer pudor
ou qualquer medo, o que resulta numa pessoa destemida.”


No começo dos anos 70 já era apresentadora do Jornal Hoje e repórter do Fantástico, da Globo. O seu percurso foi luminoso desde o início?

Fiz a escola numa cidade do interior do Estado, fui para São Paulo aos 20 anos, em 1968. Logo fiz amizade com o pessoal do Teatro Arena. Raul Cortês pegou-me na mão para fazer testes no Teatro Ruth Escobar. Conheci jornalistas como Fernando Morais ou Murilo Felisberto, editor chefe do Jornal da Tarde, celeiro de talentos. Também fui muito amiga dos irmãos Luís Carta, que fundou a Vogue, e Mino Carta, que fundou a Veja.

Procurei trabalho na televisão, em 1969 tinha começado o Jornal Nacional, foi quando pedi emprego na Globo, consegui um estágio. Logo no princípio faltou um repórter, houve conspiração cósmica para eu entrar. Jornal em televisão era muito mal visto. Os meus coleguinhas eram preconceituosos. Desembarquei e fui aceite.

Com garra
Gosta de correr riscos, de enfrentar dificuldades
e só se sente bem quando exige muito da vida. Mas goza-a plenamente.
Chegou a São Paulo na época mais dura da Ditadura Militar. Como viveu esse tempo de censura?
Sentávamos em bares e discutíamos política à boca pequena, tínhamos de ceder em alguns pontos. Lembro uma vez que na televisão fazíamos uma cobertura dos bispos do Brasil e o câmera, que era novinho, entrou lá e pusemos uma imagem de Dom Hélder [Câmara, Arcebispo de Olinda, perseguido pelo regime militar].

A Globo veiculou a imagem e ele apareceu, imenso. No meio daquela caça às bruxas, o rapazinho foi interrogado: “Eu achei ele bonito, com aquela cruz ao peito.” Fui ao analista, era o Roberto Freire [médico psiquiatra  e escritor brasileiro]: “Você não pode se censurar, esse papel não é o seu não, você não pode começar a ceder ao jogo e na origem já começar com a censura”, disse ele.

Naquela altura, muita coisa aconteceu. Houve greves de jornalistas, morreu o Flávio Márcio [autor teatral, crítico da classe média brasileira]. Tudo estava sendo experimentado, do sexo à literatura. Era tudo rico, não havia nichos, a gente se testava, eu sou resultado de uma experimentação. Meus filhos [Christiano e Theodoro Cochrane, 35 e 28 anos], eu eduquei dizendo que os professores são contestáveis. Que sejam convencidos por eles, e não que isso os impeça de saber porquê.

Como é a vossa relação?
Tenho uma relação intensa com os meus filhos, próxima, de grude, de agarração, de intimidade. Comprei aqui um web top, mostramo-nos todos os dias, sei se um fez a barba, se outro cortou o cabelo. Têm 35 e 28 anos, não casaram. No Brasil agora casar é viver junto, a gente diz: “Amigado com fé, casado é.”

Tornou-se cantora por fenómeno de geração?
Tenho dois discos e um CD gravados. Cantar, eu cantei sempre. Vivi a época da música em Ribeirão Preto, fazia parte de grupos universitários. Quando Chico, Toquinho e os outros vinham lá, eu já cantava.

Na TV Mulher nos anos 80, sempre lutou pelos direitos das mulheres. Acha que há um modo feminino de tratar os temas?
Não faço distinção entre um e outro modo, nunca parei para pensar. Sou muito dada a pensamentos para o bem e para o mal, sou alguém que sente e pensa como mulher. Profissionalmente, nunca me imaginei num sexo,  nunca coloquei para mim mesma se estava fazendo um género ou outro.  Sou uma mulher, e é prazeroso ser mulher. Penso que pensamos de forma diferente, que temos pensamentos diferentes, sentimos de maneiras diferentes. Um director me observou e me falou o seguinte: “O que acontece com você é uma coisa estranha. Os homens falam com você como se fosse um homem. Falamos à sua frente de assuntos de que só falamos entre nós.” Caio Prado, dono da Brasiliense [Editora], me procurou: “Queria que você escrevesse um livro sobre o mundo dos homens. Eles acham você tão maravilhosa como um homem. Tendo um livre trânsito, podia ter opiniões sobre o assunto.” Eu nunca quis ser mãe de filha mulher, intuía que não tinha delicadeza para botar os laçarotes, todas as pulseirinhas, os sapatinhos. Nunca fiz análise para saber qual seria o sexo dos meus filhos. Mas tinha a certeza de que eram homens.

Na minha profissão sou bicho, eu de repente me surpreendi por descobrir que eles são homens. Por mais que os conheçamos, há ali uma linha delicada, uma divisória, um terreno desco-nhecido. Um dia lendo Doris Lessing, O Carnê Dourado, me surpreendi por uma frase, uma palavra que só mu-lher conhece. Ela escreve uma coisa que só nós compreendemos, e os homens devem ter na literatura algumas coisas que só eles sabem. Juro: certas emoções, sensações, só nós sabemos. Procurei. “Não, fique tranquila, vocês foram educadas com literatura masculina”, foi a resposta que tive.

Quer falar de pessoas que admire, que tenha conhecido e a marcaram? Sentiu-se tímida em face de alguém?

Eu nunca me intimido. Se fosse homem, a única vez que disse que gostava de ser uma pessoa seria Millôr Fernandes [humorista brasileiro]. Aquele destemor, aquela coragem, aquele brilhantismo. Millôr, quase sem me conhecer, me botou no dicionário dele, dizendo que eu era maior que a televisão. Cito sempre como fenómeno de maior carisma Fidel, que entrevistei em 1992. Foi a constatação de que carisma existe, ouvia falar de carisma. Lia e aí conheci e me impressionei com a paixão de Arafat. Um estadista sem terra, sem país, apaixonado pela causa. E me vem à cabeça o discurso maduro de Bibi Ferreira. Cito pessoas conhecidas dos seus leitores.

Além dessas especiais entre os milhares de pessoas que entrevistou, quais são as mais interessantes?
A cada dia estou mais segura de que os mais impressionantes e mais próximos da minha realidade são os relatos e testemunhos de vida de pessoas desconhecidas. É a vida ali na esquina. Senão, eu não acho graça.

“Sou alguém que sente e pensa como mulher. Profissionalmente, nunca me imaginei num sexo.”

Sendo tão realizada, admite que existe um grau de inquietação em si?
Tive raivas e ódios gratuitos, sou grande e as pessoas me odeiam gratuitamente. Eu dizia ao Gaiarsa, um [psic]analista famoso: “As pessoas reagem mal a mim.” “Você é Catarina da Rússia, olha de cima para elas.” Eu estou sempre pronta, preciso de discussão com analista. Fui num deles para dizer que achava a minha vida um tédio. Abriu o olho na minha frente: “Você tem noção do que está dizendo? Tem de ter cuidado com as sãs exigências para viver. Exige demais para estar bem.” Eu sei que preciso de ter uma história por dia para contar. Senão a minha tendência é de ficar triste, infeliz. E sou a pessoa que gosta de correr riscos. Se um director de teatro vem me propor uma peça, eu pergunto: “Qual é a peça? Vou correr risco?” “Vai.” “De vida?” “Sim.” “Então está óptimo.” Têm de me apresentar um grau de dificuldade monumental.

Qual a sua regra de vida?
É um verso do Mário Quintana que lembro pela vida fora: “Só o desejo inquieto que não passa faz o encanto da coisa desejada, e terminamos desdenhando a caça pela doida aventura da caçada.”

Como mantém energia para tanto?
Faço Pilates todos os dias. Fiz ioga, mas operei os dois joelhos. Fiquei fascinada com Pilates, não parei mais.

Quantas Marílias Gabrielas por sua causa há no Brasil?
A primeira vez que ouvi o meu nome foi à filha da empregada do Chico Aragão. Hoje tem muitas, isso dá a medida da minha idade.













Anunciar on-line | Assinaturas | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo| Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.