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PERSONALIDADES
por Harold von Kursk
fotografia de Celebritymediagroup.com/AtlânticoPress

A única coisa que lhe importa é viver de forma aberta, com total honestidade. Depois de uma fase negra, a actriz confessa-se uma pessoa muito feliz. Com um filho maravilhoso e uma ideia positiva de quem é e para onde vai.

Para Angelina Jolie, estes são tempos felizes de uma vida que, por vezes, se pareceu mais com uma telenovela (mesmo pelos padrões dos famosos). Com a ruptura com Billy Bob Thornton e o subsequente divórcio a pertencer já ao passado, saboreia o papel de mãe solteira bem sucedida profissionalmente com o seu filho ado-ptado, Maddox, de dois anos.

A actriz está em Montreal a rodar Taking Lives, um thriller psicológico co-protagonizado por Ethan Hawke e Kiefer Sutherland. O mais recente de uma série de projectos a estrear brevemente (Sharkslayer e The World Of Tomorrow). Espera-se que o seu último filme, Tomb Raider 2, seja um enorme êxito, com o público a aquecer para a muito aguardada sequela do original. O primeiro Tomb Raider estabeleceu um recorde de bilheteira dos filmes sem protagonista masculino.

Angelina passou os seis meses de rodagem de Tomb Raider 2 sempre na companhia do filho, Maddox, que a seguiu para a Grécia, África, Londres e Hong Kong. Durante esse tempo, a actriz voltou a submeter-se a um intenso regime de treino em artes marciais que incluiu o domínio de combate corpo a corpo, técnicas de luta de paus, rappel e até jet ski.

Contracenando com Nicolas Cage, seu actual namorado

Realizado por Jan de Bont, Tomb Raider 2 conterá muito mais cenas de acção com Angelina e menos cansativos gráficos de computador que a saga original. Se o filme corresponder à alta fasquia das expe-ctativas, será uma espécie de “pequeno” regresso para a actriz, cujos últimos dois filmes, Pecado Original e Life Or Something Like It, foram rotundos fracassos.

Para ela, a única coisa que importa é viver a vida de forma aberta e honesta, e não esconder os seus pensamentos mais profundos do escrutínio do público. A sua predisposição, ao longo dos anos, para falar dos seus estados de espírito, emoções, experiências bissexuais e intensidade dos casos amorosos assenta numa filosofia de vida que visa derrubar as barreiras entre as pessoas.

Angelina, parece muito feliz e entusiasmada.
E estou! Foi um ano muito duro mas muito instrutivo para mim. Contudo, a minha vida nunca foi fácil. Tem sido sempre em grandes ondas, para cima e para baixo, e por vezes foi difícil manter-me à tona. Mas neste momento estou muito feliz, tenho um filho maravilhoso e uma ideia muito positiva de quem sou e para onde vou.

Angelina Jolie com Catarina Furtado, ambas na qualidade de Embaixadoras de Boa vontade de ONU
Foi difícil fazer um filme fisicamente exigente como a sequela de Tomb Raider, ao mesmo tempo que tentava reconstruir a sua vida pessoal?
Tenho uma teoria acerca disso. Na minha opinião, quando passamos por momentos muito difíceis, a melhor coisa a fazer é devotarmo-nos ao nosso trabalho e às pessoas que nos são mais próximas, o que, no meu caso, significava estar com o meu filho. Quando se está a rodar um filme e a cuidar de um bebé, não temos tempo para pensar no passado e sentirmos pena de nós. Aprendemos a erguer-nos sozinhos, a enrijecer e a ser responsáveis. Talvez fosse exactamente disso que eu precisava.

Disse-se que voltou a ver o seu primeiro ex-marido, Johnny Lee Miller...
Continuamos a ser amigos, e ainda bem que ele continua a fazer parte da minha vida, mas não existe nenhum envolvimento romântico, apesar de termos uma relação muito próxima e de ele me apoiar bastante. Johnny terá sempre um lugar especial no meu coração.

É muito difícil transformar a heroína de um jogo de acção num ser de carne e osso?
Vejo Lara Croft como uma mulher com confiança nas suas capacidades e que toma as coisas nas suas mãos. Há que lhe dar a personalidade adequada à imagem que todos os fãs têm dela e, ao mesmo tempo, acrescentar-lhe as nossas próprias fantasias, atitudes e carisma. É tudo uma questão de dar profundidade.

Qual é a sua atitude em relação à percepção que o público tem de si?
Tenho medo de especular em relação a isso… [Ri] Gostaria que as pessoas conseguissem ler nas entrelinhas e tivessem em conta que sempre tentei ser sincera em relação à minha vida e que, por vezes, os fa-ctos são exagerados. Gosto de ser aberta em relação às coisas que me acontecem na vida porque preciso de sentir que vivo com total honestidade. Acho que escondemos tantas coisas uns dos outros que nunca nos vemos realmente como somos e nunca comunicamos sinceramente, pelo menos não tão sinceramente como poderíamos. Espero, portanto, que as pessoas possam aceitar-me como sou.

Ouvi dizer que tem uma nova tatuagem…
É verdade, quer ver? [Angelina vira-se e deixa-me espreitar-lhe as costas] São cinco linhas verticais de escrita cambojana antiga que servem para afastar o azar. Gosto muito dela. Parece algo de sagrado.

O que pensa actualmente do fracasso do seu casamento com Billy Bob Thornton?
Continua a ser tudo muito estranho para mim. Não sei porquê, as pessoas estavam à espera que eu me fosse abaixo se alguma coisa corresse mal no meu casamento, mas penso que sou muito mais forte e segura interiormente do que alguém está disposto a reconhecer. As coisas estavam a avolumar-se ou, talvez melhor, a degradar-se há vários meses. Ele já não me respeitava nem estava empenhado no nosso casamento.

Dois casamentos, dois divóricos, um filho adoptado e uma luta permanente contra perconceitos. A vida de Angelina Jolie é um livro aberto e o seu percurso profissional atinge agora um novo fôlego com o papel interpertado em Tomb Raider 2.
Disse-se que um dos principais motivos da separação residiu nas infidelidades dele...
O que era claro para mim é que se passavam coisas, nas minhas costas, que eu não podia admitir. Acho que a maioria das pessoas que leram entrevistas minhas no passado sabem que sou bastante aberta e tolerante, mas há coisas que não estão certas, e eu não posso viver com alguém que não respeita os seus compromissos.

A adopção de Maddox também abriu uma fractura entre si e Billy Bob?
Ao princípio, não, mas depois comecei a perceber que ele não estava disposto a assumir a responsabilidade de me ajudar a criá-lo, e fiquei muito decepcionada e desiludida com isso. Ele revelou-se muito menos homem do que eu pensava. Decidiu partir em digressão com a banda e concentrar-se na sua música em vez de ficar comigo e de estar com Maddox. Acho que isto fala por si.

Ainda gosta dele de alguma forma?
É difícil deixar de gostar de alguém com quem partilhámos algum tempo da forma como o fizemos, mas há coisas que chegam ao fim, e é óbvio que os meus sentimentos por ele mudaram consideravelmente. É muito triste, mas por vezes a vida é assim, e temos de seguir em frente. Para mim sempre foi importante acreditar na capacidade de compromisso e confiar na intensidade dos sentimentos. Durante algum tempo, tive esse empenho e essa confiança, mas depois comecei a perceber que algo correra mal no nosso casamento, e fiquei a pensar no que teria acontecido. Acho que não mudei. Acho que não me tornei uma pessoa diferente. Portanto, pode tirar as suas próprias conclusões.

Como é que tem sido a sua experiência da maternidade no último ano e meio?
Tem sido linda! Sempre quis ter filhos, e já há muitos anos que pensava na adopção. Há tantas crianças perdidas por esse mundo que mais pessoas deveriam considerar seriamente esta hipótese. Penso que consegui preencher um vazio no mundo desta criança maravilhosa e dar-lhe todo o amor e dedicação de que uma mãe é capaz. Tenho-o tido comigo mesmo quando estou a trabalhar, e nunca nos separamos mais do que algumas horas.

Angelina com o Óscar conquistado em 2000, pelo filme Vida Interrompida

Preocupam-na as exigências que a sua carreira poderá fazer-lhe, dificultando o seu papel de mãe?
Absolutamente nada. O meu trabalho como actriz dá-me muitas vantagens. Ganho muito bem e posso ter todo o apoio de que precisar. Mas não vou ser uma mãe que recorre a uma ama para fazer o trabalho todo enquanto eu me divirto. Essa não vai ser a minha ética enquanto mãe. Tenho uma ama quando estou a trabalhar num filme, como acontece agora, e isso é porque eu quero ter o Maddox comigo tanto quanto puder. Ele já se divertiu bastante a ver a mãe a trabalhar no set, de vez em quando, e ambos vamos poder desfrutar dessa experiência em muitos mais filmes, espero eu. [Ri]

A maternidade amadureceu-a?
Aprendemos a estar à altura das responsabilidades. Deixamos de pensar tanto em nós próprias e de nos lamuriarmos das coisas que correm mal, porque já não nos damos ao luxo de sentirmos pena de nós. Tenho uma vida óptima e não olho para trás. Olho para a frente, para a minha vida com Maddox e o meu trabalho, o que já é bastante, por enquanto. Não preciso de um homem na minha vida para ser feliz. Actualmente, o único homem na minha vida é o Maddox! [Ri]

E quanto ao seu confesso lado sombrio? Agora que é mãe, isso é algo que vai ter de pôr definitivamente para trás das costas?
Acho que aprendemos a não ceder a emoções negativas que podem pôr-nos num estado de espírito terrível se deixarmos esses sentimentos dominar-nos. Somos sempre reféns das nossas emoções, em maior ou menor grau, mas eu aprendi com a experiência que podemos controlar os nossos sentimentos mais negativos, não deixando que eles nos destruam. Continuo a ser a mesma pessoa que passou por esses momentos mais negros, mas isso não significa que não seja boa pessoa. Tornei-me muito mais forte, e isso evita que cheguemos ao ponto em que nos sentimos a cair num precipício.

Gostaria de mudar alguma coisa no seu passado?
Sinceramente, não mudaria nada e não me arrependo de nada do que fiz, pois sinto que tentei ser corajosa e aberta na forma como vivi a minha vida. Procurei não me esconder e não fingir ser alguém que não sou, ou não dizer coisas que acho importantes serem ditas, mesmo que possam desagradar às pessoas ou fazê-las pensar que sou doida. Aprendi que só conheço uma maneira de viver, de ser feliz, que é tentar viver cada dia como se fosse o último. Nem sempre se consegue, mas é uma atitude e uma forma de encarar a vida que afecta as nossas decisões quotidianas. Procuro não perder tempo com coisas que não gosto de fazer ou que são muito superficiais.

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