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Simpática, afectuosa e comunicativa, é mulher amável como figura pública e companheira de trabalho respeitada pelos seus pares, deputados na Assembleia da República. Teggy é o seu diminutivo desde sempre, e o papel de mãe uma busca de perfeição, equilíbrio desejado entre as arritmias da política e a estabilidade da família. Foi Governadora Civil de Lisboa, Secretária de Estado da Defesa, Secretária de Estado das Artes e Espectáculos, por disciplina de obediência partidária ao CDS-PP. Por respeito à democracia, aparece frequentemente em debates de ideias, escreve artigos de opinião, trata da condição da mulher, defende o casamento ho¬mos¬sexual e a despenalização do aborto. E garante que ser de Direita não significa ser reaccionária ou querer regressar ao passado.
No seu meio e na comunicação social, a sua simpatia é sempre citada. Eu sou uma privilegiada, quem não tem essa percepção dos outros não pode progredir. Como entrou na política?
Quase por acaso, pouco a pouco. Comecei por ser contactada para trabalhar como assessora jurídica do grupo parlamentar do CDS--PP. Uma vez que se está no ambiente da política, vemo-nos envolvidos na possibilidade de usar esse espaço de afirmação, mais do que expressão de ideias.
Porque são tão poucas as mulheres na política?
Custa-me sempre responder porquê, uma vez que, em 230 deputados, não chegam a 50 as mulheres nas bancadas da Assembleia da República. Esta realidade é indiciadora de como ainda é invulgar as mulheres estarem na política. As mulheres têm de falhar muito menos que os homens, há muito mais exigência em relação a elas. Infelizmente, para serem aceites, têm de criar um estilo masculinizado, têm de incorporar uma forma masculina de fazer política. É difícil uma mulher abandonar uma reunião e dizer “vou buscar o meu filho à creche”, esse motivo ainda é visto como pouco profissional, há outras justificações melhor vistas. O papel de mãe não é fácil de conciliar com as tarefas políticas, no dia-a-dia das mulheres.
O aspecto físico tem influência na carreira?
A juventude não ajuda na política, e para uma mulher, a conquista do lugar exige mais trabalho e perseverança. Se temos um ar leve, corremos todas o risco de nos tratarem por “a menina”. Se não dizem assim, pensam.
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Em cima, com a escritora Agustina Bessa-Luís. Na Assembleia da República e, à esquerda, no Dia da GNR, em 2002. |
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Não tratam de igual para igual?
Às vezes sim, quando estamos a tratar de assuntos que afectam toda a sociedade. Mas muitos ainda consideram que certos assuntos são de mulheres. As discussões sobre a violência doméstica ou a maternidade são menorizadas em relação a assuntos de finanças, até do ponto de vista da comunicação social. As notícias sobre economia têm mais espaço do que a morte de uma mulher assassinada pelo marido ou pelo namorado. O assalto a um Multibanco causa mais consternação à comunicação social do que a notícia de violência sobre uma mulher.
A questão das mulheres tem sido uma causa sua?
Insisti para que a vacina contra o colo do útero fosse aceite no Plano Nacional de vacinação, o que aconteceu no fim de 2008. O mesmo fui fazendo para que a questão da violência doméstica fosse discutida em plenário.
Política é profissão ou passagem?
Deve ser encarada como passagem, o ideal é que não precisasse de um salário para viver.
Os políticos têm vida de rua, mas raramente conhecem a rua.
Poucas pessoas devem conhecer tão bem o país como os políticos, ao contrário do que se diz
Conhecem o país, mas não a rua.
É verdade!
Que juízo acha que fazem de si?
Custa-me falar de mim. Conquistei um espaço profissional, consegui que a minha presença seja vista naturalmente com respeito no meio masculino.
Incomoda-a o estatuto de mãe solteira nos ambientes conservadores em que circula?
É uma circunstância da minha vida, à semelhança de tantas mulheres que têm a responsabilidade de educar os filhos e trabalhar ao mesmo tempo. Nesse plano, sinto-me privilegiada pelos apoios que tenho. Os meus pais ajudam-me muito, sem eles seria difícil criar um filho.
Nessa gestão, sobra-lhe algum momento para ter uma vida pessoal?
Sempre que tenho tempo, vou andar à beira-rio ou vou a parques infantis com o meu filho. Poucas vezes posso ir ao cinema, vejo DVDs e séries na televisão. E noticiários.
Os amigos?
Esse é um terceiro eixo, que é a minha parte mais prejudicada. Estou muito pouco com os meus amigos, muito menos tempo do que gostaria. O que lamento profundamente.
O amor?
Fui com um amigo ao concerto da Madonna, e veio no dia seguinte nos jornais que somos namorados. Há uma obsessão em criar vidas amorosas, parece que não é permitida uma amizade entre uma mulher e um homem. Outra desvantagem é que tenho de ter reuniões com homens por causa do meu trabalho. Isto é uma filigrana, e acabo por ter pouco espaço para a minha vida privada.
Estamos numa sociedade hipócrita?
Estamos, e o pior é que as pessoas julgam as outras muito pelas aparências. Diz-me a experiência que as que mais julgam e condenam são as pessoas que têm as vidas mais ocultas.
Sente que é muito querida, para além das circunstâncias partidárias?
Sou muito informal a trabalhar, ninguém tem de me tratar por senhora doutora.
Como cuida de si?
Outra dificuldade é essa, de cuidar da apresentação, o que sempre é exigido. Às vezes vejo uma roupa numa montra e corro a comprá-la. Se penso lá voltar quando tiver tempo, já não encontro o que procuro.
Que cuidados tem com a forma física?
Devia fazer ginástica, mas é uma decisão adiada. Acabo por andar à beira-rio e no Parlamento ando quilómetros, há pelo menos 500 metros entre o meu gabinete e o Plenário. Quero comprar um pedómetro para medir o espaço que ando. Devo dar 5 mil passos por dia, pelo menos.
Faz dieta?
Não.
É pessimista?
Não, acho que nos momentos de crise e nos momentos difíceis surge o melhor das pessoas.
Convive bem com a popularidade?
Popularidade relativa. Nem sempre as pessoas me conhecem, só há pouco tempo a senhora da lavandaria conseguiu fixar o meu nome. Os políticos não são particularmente bem vistos e não são tão conhecidos como os apresentadores de televisão. Acontece-me ser abordada na rua por pessoas a darem-me sugestões, a fazerem críticas ou elogios. Eu ando de autocarro e vejo e oiço o que as pessoas dizem, recebo dezenas de e-mails, pus e-mail no site da Assembleia, o que muitos outros deputados não fazem. Recebo queixas e opiniões da população, isso anima-me a fazer política.
Teresa Caeiro veste casaco e calças em crepe de seda e blusa em musselina de seda, tudo Donna Karan, na Stivali l Styling: Helena Assédio Maltez, assistida por Joana Lestouquet l Cabelos: Helena Vaz Pereira l Maquilhagem: Sónia Pessoa com produtos Giorgio Armani l Agradecimentos: Altis Belém Hotel & SPA |
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