| Felipe
de Borbon, herdeiro do trono de Espanha, anda de amores
(dizem) com Diana Martínez-Bordiú. Andrea,
o filho mais velho de Carolina do Mónaco, foi
visto em Paris com uma amiga que, toda a gente diz,
é sua namorada. A mesma, ao que parece, já
passou o fim de ano com a família Grimaldi/Hanover
na casa de praia que Carolina e o marido, Hernst de
Hanover, possuem na ilha de Lamu, no Quénia,
e para onde só são convidados alguns felizes
mortais, igualmente ricos, como Arpad Buisson, gestor
de fortunas, e a mulher, a escultural ex-modelo Elle
McPherson. Será isto indício de que a
família aceita de bom grado esta relação
do jovem Andrea?
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Grace Kelly parte com os
filhos Carolina e Alberto, numa das inúmeras
viagens que preencheram o dia-a-dia de um jet-setter
do século passado, tal como acontece hoje.
No mar, Claudia Schiffer goza momentos de merecido
descanso, mas sempre perseguida pelos paparazzi.
E Elle McPherson descontrai na companhia da sua
criança. |
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Ivana
Tramp deu um jantar em Nova Iorque para 150 amigos íntimos.
E, em Madrid, as irmãs Koplowitz suspiraram de
alívio ao ler nos jornais que os ex-maridos,
ambos chamados Alberto, e primos direitos, estavam à
beira de irem parar à prisão, envolvidos
em mais um dos grandes escândalos financeiros
que, nas últimas décadas, têm abalado
a sociedade espanhola. Mas as milionárias manas
já não têm nada a ver com isto.
Herdeiras do pai Koplowitz e excelentes gestoras dos
milhões e das empresas familiares, há
anos que estão divorciadas. É por isso
que suspiram de alívio! Caso contrário,
teriam um problema para resolver...
Estas são só algumas das pessoas que fazem
parte deste grupo restrito e fechado, quase secreto,
a que se chama jet-set.
Tudo
começou depois da Segunda Guerra Mundial,
quando o mundo suspirou de alívio e deu largas
à sua vontade de viver. Os anos difíceis
estavam vencidos e algumas pessoas começaram
a ganhar muito dinheiro. Ao mesmo tempo, apareciam os
aviões a jacto. O planeta tornou-se um lugar
muito pequeno, porque era possível chegar muito
mais depressa a todo o lado. É o avião
que permite aos muito ricos vi-sitarem-se com maior
frequência. E nasce assim esta espécie
de clube privado que se encontra hoje em Acapulco para
uma festa de Júlio Mário Santodomingo,
o multimilionário colombiano – que o próprio
Gabriel García Márquez não resiste
a citar nas suas memórias – e amanhã
nas Bahamas, a convite de Michael Douglas, para um almoço
no hotel do qual este actor é dono. Duas semanas
depois, o mesmo grupo reencontra-se em Portugal, para
um casamento. Logo depois, as agendas obrigam-nos a
estar juntos em Sevilha, num baptizado do filho de algum
nobre. E seguem-se as corridas de cavalos em Ascot.
O Baile da Rosa e o Grande Prémio de Fórmula
1 no Mónaco são incontornáveis.
O Carnaval em Veneza ou no Rio de Janeiro. Um fim-de--semana
nas Caraíbas, na ilha de Moustique, a convite
de Mick Jagger, ou a comemoração do aniversário
do fotógrafo Patrick Demarchelier na selecta
ilha de Saint Barthelemy, a Paris das Caraíbas.
A vida de um jet-setter é tão preenchida
que um dos membros deste grupo, que faz roer as unhas
de inveja ao comum dos mortais, disse um dia: “É
preciso ter muito tempo e muito dinheiro para podermos
não fa-zer nada!”
Nos
anos 50, faziam parte deste grupo os mi-lionários
Gianni Agnelli, em Itália, Júlio Mário
Santodomingo, na Colômbia, Antenor Patino, em
Portugal, Aristóteles Onassis, na Grécia,
e mais uma dúzia de outros homens que, como eles,
recebiam monarcas no exílio, protegiam as Belas
Artes, contribuíam para o progresso económico
de vários países onde tinham negócios
e davam festas das quais ainda hoje se fala.
O Estoril foi palco de uma destas noites míticas:
a festa de Antenor Patino. A ocasião trouxe a
Portugal a aristocracia e a alta finança de todo
o mundo. E quem recebeu convite para essa noite extraordinária
ainda hoje fala da festa como se tivesse sido na semana
passada. Porque nunca houve outra igual.
“O que eu acho é que o Patino, o Agnelli
e outros milionários dessa altura tinham um charme,
uma allure, que hoje já não existe...
O jet-set de hoje não tem nada a ver com o desse
tempo. Hoje, basta ter dinheiro ou ser bonita e ter
boa figura. Nos anos 50, quem fazia parte deste grupo
era gente com muito dinheiro, mas também com
muita cultura, muito carisma. Era diferente...”,
conta um aristocrata português que, apesar de
nunca ter sido milionário, privou com Antenor
Patino durante muitos anos e ainda hoje é amigo
da família.
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| Frank Sinatra, para cantar
ou para estar com os seus inúmeros amigos
(da Mafia e não só), ora estava num
lado do planeta, ora no outro. Mas, actualmente
o jet-set consegue cumprir os seus percursos bem
mais depressa. Em férias, a infanta Elena
de Espanha e o seu marido, Jaime de Marichalar,
tal como o príncipe Pablo da Grécia
e a sua mulher, Marie-Chantal Miller, despertam
sempre as atenções. |
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Já
nessa altura, o jet-set era dado a excentricidades e
abria alegremente as portas às estrelas de Hollywood.
Frank Sinatra era o cantor preferido desse grupo exclusivo,
onde tinha muitos amigos. Marilyn Monroe era convidada
para as festas. Aristóteles Onassis perdeu-se
de amores pela cantora lírica Maria Callas e,
apesar de ser casado, aparecia com ela em todo o lado.
No Mónaco, o príncipe reinante casou com
Grace Kelly, a loura explosiva que era actriz em Hollywood.
Foi um casamento de cinema!
Hoje, o jet-set é bastante mais abrangente do
que nesses primeiros anos. Os homens continuam a precisar
de ser muito ricos para fazer parte do grupo. E as mulheres
ainda precisam de ser bonitas e de ter uma figura de
estátua, para serem bem aceites. Mas, se estes
requisitos estiverem preenchidos, a entrada é
livre. Só isso explica que Gilberto Scarpa, um
milionário brasileiro, desejoso de ter um lugar
neste grupo, tivesse gasto seis milhões de euros
num baile, em Punta del Este (Uruguai), e tivesse convidado
centenas de pessoas que não conhecia de lado
nenhum – todos membros do jet-set. Contratou um
dos melhores Relações Públicas
europeus e deu--lhe carta branca para convidar quem
muito bem entendesse. Eram os futuros grandes amigos
de Gilberto Scarpa. Todos milio-nários, como
ele.
Mas tudo tem um reverso. E se é preciso ter dinheiro
para entrar no jet-set, é desnecessário
dizer que, à primeira notícia de um revés
da fortuna, a porta de saída fica escancarada.
Ou seja, sai-se deste grupo de privilegiados à
mesma velocidade a que se entrou! E os “amigos”
de ontem à noite, ao lerem hoje de manhã,
no jornal, a triste notícia de que os seus milhões
desapareceram dos cofres, cancelam os convites, perdem
o seu número de telefone e até são
capazes de dizer que nunca se cruzaram consigo. Oh,
mundo cruel!
Ao
dinheiro e à beleza é ainda necessário
juntar uma pequena corte que segue com o colunável
para todo o lado: cabeleireiro, costureiro, manicure,
pedicure, massagista, vidente, guru, astrólogo,
encantador de serpentes, veterinário e... o cão,
claro! Neste círculo, quase toda a gente tem
um cão. De preferência de uma raça
que seja de tamanho portátil porque, assim, anda
ao colo dos donos nos aviões e pode dormir aos
pés da cama, no hotel de cinco estrelas, no iate
ou em casa de amigos.
Querer entender o jet-set é uma missão
impossível. Nada ou quase nada do que faz ou
do que diz pode ser explicado. Mas a verdade é
que este grupo restrito de pessoas gera constantemente
fenómenos.
Há uns anos, Capri era um dos lugares mais na
moda. Toda a gente queria ir a Capri. Hoje, faz parte
dos sítios quase proscritos e até pode
parecer mal ser-se visto por lá. Valentino, o
costureiro italiano, tem um chalet em Gstaad, um palácio
em França, uma casa em Londres, um palácio
em Roma, uma villa na Via Ápia, um iate de 60
metros ancorado no Mediterrâneo – o MT Blue
One, por onde se passeiam Claudia Schiffer, Simeão
da Bulgária, Kyril da Bulgária e a mulher,
Rosário Nadal, durante anos musa de Valentino,
Naomi... – e uma casa em Capri, que agora está
à venda. Quando este “Papa” do jet-set
anuncia que quer vender uma das suas muitas casas, é
sinal de que o lugar já não está
na moda. E o jet-set deixou de o frequentar.
Definitivamente, no Verão de 2003, estarão
todos no Mónaco, em Ibiza, Portofino, Marbella,
St. Tropez, em Moustique, no Bali, em Edimburgo (porque
aparecer no Festival, em Agosto, dá sempre um
toque culto), nos Hamptons (é claro!) e em Careyes,
o refúgio mexicano recentemente descoberto e
posto na moda pelo multimilionário Jimmy Goldsmith,
que aí passa férias.
E
no Inverno, Valentino, Nicolas da Grécia
– que se murmura ter tido um caso com Elle McPherson
–, Marie-Chantal Miller, cunha-da deste, casada
com o príncipe Pablo da Grécia, estarão
em Gstaad, Aspen, Zurs, Courchevel ou qualquer outra
estação de esqui famosa, a fazer compras,
a conviver, a posar para os fotógrafos e até...
a esquiar.
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| Jacqueline e Aristóteles
Onassis recebem Franklin Roosevelt Jr. a bordo do
célebre iate Christina, no Mediterrâneo,
em 1963. O príncipe Felipe de Espanha, Valentino
e Ivana Trump, cada qual no seu estilo, têm
hoje o mesmo tipo de lazer e de convívio
que o armador grego tinha nos anos 50/60. |
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E
para um bronzeado no Inverno, os destinos são
Barbados, nas Caraíbas, onde muitos ingleses
milionários têm casas de fim--de-semana,
St. Barthelemy ou alguma das selectas ilhas australianas
da Barreira de Coral, como Lizard Island, onde a infanta
Elena de Espanha e Jaime de Marichalar passaram a já
longínqua lua-de-mel. Longínqua porque,
dizem as más-línguas, ou melhor, os mentideros
espanhóis, Jaime se envolveu com a ex-modelo
Nati Abascal e que foi por isso que a sogra, a rainha
de Espanha, uma mulher de fibra e mão de ferro,
o mandou para Nova Iorque curar-se dos dois males que
o afectam: a paixoneta e o AVC que sofreu quando praticava
cardiofitness num ginásio madrileno.
Um grupo como este, que tem os seus aviões, os
seus iates, as suas casas e os seus sítios preferidos,
as suas manias, as suas piadas, as suas pequenas cortes
e uma panóplia de outras coisas muito particulares,
tem também as suas revistas. Em inglês,
a “bíblia” chama-se Vanity Fair.
E, em francês, Point de Vue. Esta última
foi, durante várias décadas, uma revista
onde só as casas reais e o me-lhor da nobreza
europeia apareciam. Mas os tempos e os gostos mudaram
de tal modo que esta publicação, elitista
e aristocrática, se viu obrigada a fazer concessões
e a abrir as suas páginas a algum jet-set. Não
todo...
Na Vanity Fair, aparece todos os meses a “nata
da nata”. Uma senhora americana que vive há
vários anos em Lisboa disse, um destes dias,
durante um almoço com um grupo de amigas portuguesas:
“Em Nova Iorque, para se sair na Vanity Fair,
são precisos anos e um bom Relações
Públicas a trabalhar para nós. Aqui, qualquer
um sai numa revista. Ninguém sabe quem é
nem o que faz. Mas lá na rua dele, devem conhecê-lo...”
Sobretudo, o jet-set não suporta ser incomodado.
Toby Young, um jornalista inglês, teve a ousadia
de mexer nas regras instituídas dentro do grupo.
Divertiu-se muito, mas perdeu um emprego e vários
amigos... E tudo porque, um dia, resolveu aceitar um
convite da Vanity Fair e trocou Londres por Nova Iorque.
Durante um ano, foi o res-ponsável pelas páginas
da revistas que publicam as fotografias das festas.
Toby ia a todo o lado e conheceu, por dentro, o mundo
misterioso do jet-set. Mas resolveu não respeitar
as regras tacitamente aceites por todos e desatou a
fazer perguntas inconvenientes. Cometeu gaffes.
Ao voltar para Londres, escreveu How to Lose Friends
& Alienate People, um livro hilariante (infelizmente
ainda não traduzido para português), onde
relata as suas aventuras e desventuras durante aquele
ano.
Young conta, por exemplo, como aborreceu até
à raiz dos cabelos o escritor Martin Amis com
aquilo que escreveu dele e da sua vida pessoal –
“Se está tão preocupado com o bem-estar
dos seus filhos, porque é que trocou a mãe
deles por uma mulher muito mais nova e muito mais bonita?”
–, ao ponto de, quando lhe pediu uma entrevista,
a resposta chegar por interposta pessoa: “Vá-se
lixar!” Ao longo de 342 páginas, Young
diverte-se e diverte-nos a contar os pormenores de um
mundo que o comum dos mortais julga perfeito.
O
jet-set é um mundo de homens e mulheres
que, apesar de ser mais rico e mais bonito (conceitos
subjectivos, é certo), também tem as suas
fragilidades e as suas fraquezas. Uma delas é
não suportar o humor dos ou-tros, sobretudo daqueles
que não fazem parte do grupo. Por isso, o relato
de Young caiu como uma bomba e fez muitos estragos.
Há uns meses, ao responder a um e-mail da autora
destas linhas, que o felicitava pelo livro, Toby Young
escreveu: “Sabe que metade daquela gente de quem
eu falo deixou de me falar desde que o livro foi publicado?”
O jet-set é assim: milionário, bonito,
alegre, perfumado, encantador, viajado e... vingativo!
E no meio disto tudo, não há portugueses?
Sim, alguns. Os Pereira Coutinho e os Espírito
Santo são duas famílias portuguesas com
excelentes relações em todo o mundo e
com muito dinheiro. Mas fazem parte desse jet-set à
moda antiga: discreto e com relações privilegiadas
com a aristocracia europeia. Depois, há um grupo
de portugueses suficientemente rico para viajar muito,
ter amigos e casas no estrangeiro, ser convidado para
algumas festas. São alta burguesia. Pessoas conhecidas.
Pessoas com notoriedade. Mas jet-set é que não!
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