Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA



Pesquisar

 
Subscrever Máxima

EM DESTAQUE
Quem faz parte daquele grupo que permanentemente se passeia pelo mundo, de festa em festa? Como se entra para o jet-set?
As histórias. Os escândalos. E outras curiosidades.
por Maria João Vieira
fotos de AP, City Files, SIPA, Guetty Images, Big Pictures
ilustração de José Moreira

Felipe de Borbon, herdeiro do trono de Espanha, anda de amores (dizem) com Diana Martínez-Bordiú. Andrea, o filho mais velho de Carolina do Mónaco, foi visto em Paris com uma amiga que, toda a gente diz, é sua namorada. A mesma, ao que parece, já passou o fim de ano com a família Grimaldi/Hanover na casa de praia que Carolina e o marido, Hernst de Hanover, possuem na ilha de Lamu, no Quénia, e para onde só são convidados alguns felizes mortais, igualmente ricos, como Arpad Buisson, gestor de fortunas, e a mulher, a escultural ex-modelo Elle McPherson. Será isto indício de que a família aceita de bom grado esta relação do jovem Andrea?
Grace Kelly parte com os filhos Carolina e Alberto, numa das inúmeras viagens que preencheram o dia-a-dia de um jet-setter do século passado, tal como acontece hoje.
No mar, Claudia Schiffer goza momentos de merecido descanso, mas sempre perseguida pelos paparazzi. E Elle McPherson descontrai na companhia da sua criança.
Ivana Tramp deu um jantar em Nova Iorque para 150 amigos íntimos. E, em Madrid, as irmãs Koplowitz suspiraram de alívio ao ler nos jornais que os ex-maridos, ambos chamados Alberto, e primos direitos, estavam à beira de irem parar à prisão, envolvidos em mais um dos grandes escândalos financeiros que, nas últimas décadas, têm abalado a sociedade espanhola. Mas as milionárias manas já não têm nada a ver com isto. Herdeiras do pai Koplowitz e excelentes gestoras dos milhões e das empresas familiares, há anos que estão divorciadas. É por isso que suspiram de alívio! Caso contrário, teriam um problema para resolver...
Estas são só algumas das pessoas que fazem parte deste grupo restrito e fechado, quase secreto, a que se chama jet-set.

Tudo começou depois da Segunda Guerra Mundial, quando o mundo suspirou de alívio e deu largas à sua vontade de viver. Os anos difíceis estavam vencidos e algumas pessoas começaram a ganhar muito dinheiro. Ao mesmo tempo, apareciam os aviões a jacto. O planeta tornou-se um lugar muito pequeno, porque era possível chegar muito mais depressa a todo o lado. É o avião que permite aos muito ricos vi-sitarem-se com maior frequência. E nasce assim esta espécie de clube privado que se encontra hoje em Acapulco para uma festa de Júlio Mário Santodomingo, o multimilionário colombiano – que o próprio Gabriel García Márquez não resiste a citar nas suas memórias – e amanhã nas Bahamas, a convite de Michael Douglas, para um almoço no hotel do qual este actor é dono. Duas semanas depois, o mesmo grupo reencontra-se em Portugal, para um casamento. Logo depois, as agendas obrigam-nos a estar juntos em Sevilha, num baptizado do filho de algum nobre. E seguem-se as corridas de cavalos em Ascot. O Baile da Rosa e o Grande Prémio de Fórmula 1 no Mónaco são incontornáveis. O Carnaval em Veneza ou no Rio de Janeiro. Um fim-de--semana nas Caraíbas, na ilha de Moustique, a convite de Mick Jagger, ou a comemoração do aniversário do fotógrafo Patrick Demarchelier na selecta ilha de Saint Barthelemy, a Paris das Caraíbas.

A vida de um jet-setter é tão preenchida que um dos membros deste grupo, que faz roer as unhas de inveja ao comum dos mortais, disse um dia: “É preciso ter muito tempo e muito dinheiro para podermos não fa-zer nada!”

Nos anos 50, faziam parte deste grupo os mi-lionários Gianni Agnelli, em Itália, Júlio Mário Santodomingo, na Colômbia, Antenor Patino, em Portugal, Aristóteles Onassis, na Grécia, e mais uma dúzia de outros homens que, como eles, recebiam monarcas no exílio, protegiam as Belas Artes, contribuíam para o progresso económico de vários países onde tinham negócios e davam festas das quais ainda hoje se fala.
O Estoril foi palco de uma destas noites míticas: a festa de Antenor Patino. A ocasião trouxe a Portugal a aristocracia e a alta finança de todo o mundo. E quem recebeu convite para essa noite extraordinária ainda hoje fala da festa como se tivesse sido na semana passada. Porque nunca houve outra igual.

“O que eu acho é que o Patino, o Agnelli e outros milionários dessa altura tinham um charme, uma allure, que hoje já não existe... O jet-set de hoje não tem nada a ver com o desse tempo. Hoje, basta ter dinheiro ou ser bonita e ter boa figura. Nos anos 50, quem fazia parte deste grupo era gente com muito dinheiro, mas também com muita cultura, muito carisma. Era diferente...”, conta um aristocrata português que, apesar de nunca ter sido milionário, privou com Antenor Patino durante muitos anos e ainda hoje é amigo da família.
Frank Sinatra, para cantar ou para estar com os seus inúmeros amigos (da Mafia e não só), ora estava num lado do planeta, ora no outro. Mas, actualmente o jet-set consegue cumprir os seus percursos bem mais depressa. Em férias, a infanta Elena de Espanha e o seu marido, Jaime de Marichalar, tal como o príncipe Pablo da Grécia e a sua mulher, Marie-Chantal Miller, despertam sempre as atenções.
Já nessa altura, o jet-set era dado a excentricidades e abria alegremente as portas às estrelas de Hollywood. Frank Sinatra era o cantor preferido desse grupo exclusivo, onde tinha muitos amigos. Marilyn Monroe era convidada para as festas. Aristóteles Onassis perdeu-se de amores pela cantora lírica Maria Callas e, apesar de ser casado, aparecia com ela em todo o lado. No Mónaco, o príncipe reinante casou com Grace Kelly, a loura explosiva que era actriz em Hollywood. Foi um casamento de cinema!

Hoje, o jet-set é bastante mais abrangente do que nesses primeiros anos. Os homens continuam a precisar de ser muito ricos para fazer parte do grupo. E as mulheres ainda precisam de ser bonitas e de ter uma figura de estátua, para serem bem aceites. Mas, se estes requisitos estiverem preenchidos, a entrada é livre. Só isso explica que Gilberto Scarpa, um milionário brasileiro, desejoso de ter um lugar neste grupo, tivesse gasto seis milhões de euros num baile, em Punta del Este (Uruguai), e tivesse convidado centenas de pessoas que não conhecia de lado nenhum – todos membros do jet-set. Contratou um dos melhores Relações Públicas europeus e deu--lhe carta branca para convidar quem muito bem entendesse. Eram os futuros grandes amigos de Gilberto Scarpa. Todos milio-nários, como ele.

Mas tudo tem um reverso. E se é preciso ter dinheiro para entrar no jet-set, é desnecessário dizer que, à primeira notícia de um revés da fortuna, a porta de saída fica escancarada. Ou seja, sai-se deste grupo de privilegiados à mesma velocidade a que se entrou! E os “amigos” de ontem à noite, ao lerem hoje de manhã, no jornal, a triste notícia de que os seus milhões desapareceram dos cofres, cancelam os convites, perdem o seu número de telefone e até são capazes de dizer que nunca se cruzaram consigo. Oh, mundo cruel!

Ao dinheiro e à beleza é ainda necessário juntar uma pequena corte que segue com o colunável para todo o lado: cabeleireiro, costureiro, manicure, pedicure, massagista, vidente, guru, astrólogo, encantador de serpentes, veterinário e... o cão, claro! Neste círculo, quase toda a gente tem um cão. De preferência de uma raça que seja de tamanho portátil porque, assim, anda ao colo dos donos nos aviões e pode dormir aos pés da cama, no hotel de cinco estrelas, no iate ou em casa de amigos.
Querer entender o jet-set é uma missão impossível. Nada ou quase nada do que faz ou do que diz pode ser explicado. Mas a verdade é que este grupo restrito de pessoas gera constantemente fenómenos.

Há uns anos, Capri era um dos lugares mais na moda. Toda a gente queria ir a Capri. Hoje, faz parte dos sítios quase proscritos e até pode parecer mal ser-se visto por lá. Valentino, o costureiro italiano, tem um chalet em Gstaad, um palácio em França, uma casa em Londres, um palácio em Roma, uma villa na Via Ápia, um iate de 60 metros ancorado no Mediterrâneo – o MT Blue One, por onde se passeiam Claudia Schiffer, Simeão da Bulgária, Kyril da Bulgária e a mulher, Rosário Nadal, durante anos musa de Valentino, Naomi... – e uma casa em Capri, que agora está à venda. Quando este “Papa” do jet-set anuncia que quer vender uma das suas muitas casas, é sinal de que o lugar já não está na moda. E o jet-set deixou de o frequentar.

Definitivamente, no Verão de 2003, estarão todos no Mónaco, em Ibiza, Portofino, Marbella, St. Tropez, em Moustique, no Bali, em Edimburgo (porque aparecer no Festival, em Agosto, dá sempre um toque culto), nos Hamptons (é claro!) e em Careyes, o refúgio mexicano recentemente descoberto e posto na moda pelo multimilionário Jimmy Goldsmith, que aí passa férias.

E no Inverno, Valentino, Nicolas da Grécia – que se murmura ter tido um caso com Elle McPherson –, Marie-Chantal Miller, cunha-da deste, casada com o príncipe Pablo da Grécia, estarão em Gstaad, Aspen, Zurs, Courchevel ou qualquer outra estação de esqui famosa, a fazer compras, a conviver, a posar para os fotógrafos e até... a esquiar.

Jacqueline e Aristóteles Onassis recebem Franklin Roosevelt Jr. a bordo do célebre iate Christina, no Mediterrâneo, em 1963. O príncipe Felipe de Espanha, Valentino e Ivana Trump, cada qual no seu estilo, têm hoje o mesmo tipo de lazer e de convívio que o armador grego tinha nos anos 50/60.
E para um bronzeado no Inverno, os destinos são Barbados, nas Caraíbas, onde muitos ingleses milionários têm casas de fim--de-semana, St. Barthelemy ou alguma das selectas ilhas australianas da Barreira de Coral, como Lizard Island, onde a infanta Elena de Espanha e Jaime de Marichalar passaram a já longínqua lua-de-mel. Longínqua porque, dizem as más-línguas, ou melhor, os mentideros espanhóis, Jaime se envolveu com a ex-modelo Nati Abascal e que foi por isso que a sogra, a rainha de Espanha, uma mulher de fibra e mão de ferro, o mandou para Nova Iorque curar-se dos dois males que o afectam: a paixoneta e o AVC que sofreu quando praticava cardiofitness num ginásio madrileno.

Um grupo como este, que tem os seus aviões, os seus iates, as suas casas e os seus sítios preferidos, as suas manias, as suas piadas, as suas pequenas cortes e uma panóplia de outras coisas muito particulares, tem também as suas revistas. Em inglês, a “bíblia” chama-se Vanity Fair. E, em francês, Point de Vue. Esta última foi, durante várias décadas, uma revista onde só as casas reais e o me-lhor da nobreza europeia apareciam. Mas os tempos e os gostos mudaram de tal modo que esta publicação, elitista e aristocrática, se viu obrigada a fazer concessões e a abrir as suas páginas a algum jet-set. Não todo...

Na Vanity Fair, aparece todos os meses a “nata da nata”. Uma senhora americana que vive há vários anos em Lisboa disse, um destes dias, durante um almoço com um grupo de amigas portuguesas: “Em Nova Iorque, para se sair na Vanity Fair, são precisos anos e um bom Relações Públicas a trabalhar para nós. Aqui, qualquer um sai numa revista. Ninguém sabe quem é nem o que faz. Mas lá na rua dele, devem conhecê-lo...”

Sobretudo, o jet-set não suporta ser incomodado. Toby Young, um jornalista inglês, teve a ousadia de mexer nas regras instituídas dentro do grupo. Divertiu-se muito, mas perdeu um emprego e vários amigos... E tudo porque, um dia, resolveu aceitar um convite da Vanity Fair e trocou Londres por Nova Iorque. Durante um ano, foi o res-ponsável pelas páginas da revistas que publicam as fotografias das festas. Toby ia a todo o lado e conheceu, por dentro, o mundo misterioso do jet-set. Mas resolveu não respeitar as regras tacitamente aceites por todos e desatou a fazer perguntas inconvenientes. Cometeu gaffes.

Ao voltar para Londres, escreveu How to Lose Friends & Alienate People, um livro hilariante (infelizmente ainda não traduzido para português), onde relata as suas aventuras e desventuras durante aquele ano.

Young conta, por exemplo, como aborreceu até à raiz dos cabelos o escritor Martin Amis com aquilo que escreveu dele e da sua vida pessoal – “Se está tão preocupado com o bem-estar dos seus filhos, porque é que trocou a mãe deles por uma mulher muito mais nova e muito mais bonita?” –, ao ponto de, quando lhe pediu uma entrevista, a resposta chegar por interposta pessoa: “Vá-se lixar!” Ao longo de 342 páginas, Young diverte-se e diverte-nos a contar os pormenores de um mundo que o comum dos mortais julga perfeito.

O jet-set é um mundo de homens e mulheres que, apesar de ser mais rico e mais bonito (conceitos subjectivos, é certo), também tem as suas fragilidades e as suas fraquezas. Uma delas é não suportar o humor dos ou-tros, sobretudo daqueles que não fazem parte do grupo. Por isso, o relato de Young caiu como uma bomba e fez muitos estragos.
Há uns meses, ao responder a um e-mail da autora destas linhas, que o felicitava pelo livro, Toby Young escreveu: “Sabe que metade daquela gente de quem eu falo deixou de me falar desde que o livro foi publicado?” O jet-set é assim: milionário, bonito, alegre, perfumado, encantador, viajado e... vingativo!

E no meio disto tudo, não há portugueses? Sim, alguns. Os Pereira Coutinho e os Espírito Santo são duas famílias portuguesas com excelentes relações em todo o mundo e com muito dinheiro. Mas fazem parte desse jet-set à moda antiga: discreto e com relações privilegiadas com a aristocracia europeia. Depois, há um grupo de portugueses suficientemente rico para viajar muito, ter amigos e casas no estrangeiro, ser convidado para algumas festas. São alta burguesia. Pessoas conhecidas. Pessoas com notoriedade. Mas jet-set é que não!



Assine já a Máxima e ganhe uma fabulosa oferta
Outras edições





ADSL.XL | Anunciar nos sites Investec | Assinar Publicações | Classificados CM | Contactos | Empresas.XL | XL

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução
na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media.
Consulte as condições legais de utilização.