Assinar Revista | PDA
Newsletter
Directório:  Acessórios | Beleza | Calçado | Vestuário | Marcas | Vestuário

  Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA
Pesquisar

 
Subscrever Máxima




DOSSIER

Têm pais mais inseguros, questionam mais, compram mais, vivem mais ocupados e brincam de menos. Os ecrãs fazem parte incondicional das suas vidas e oferecem-lhes um mundo sem limites. São os adultos de amanhã.
Por mariza figueiredo
 

A terceira chamada tinha um tom de voz mais ríspido. E parece que só aí Beatriz conseguiu descolar os olhos do ecrã da televisão. Inúmeros canais com uma interminável programação de bonecos e séries infantis são o desafio para a paciência e perseverança de muitos pais. E, depois, vêm os outros ecrãs. Aos sete anos, Beatriz tem uma consola Nintendo, uma Playstation 2 e um computador. Já deu os primeiros passos na Internet e até e-mail tem! São pequenos obstáculos brilhantes que se juntam a outros tantos que os pais vão gerindo no pouco tempo em que estão com a filha. Mas a sua menina merece tudo e muito mais. Beatriz é filha única, quer dizer, tem duas irmãs muito mais velhas, fruto do casamento anterior do pai, mas a verdade é que o seu dia--a-dia é o de uma menina sem irmãos. Foi uma filha planeada, desejada, e cresce como o centro da família. É uma menina como tantas outras. Uma criança do seu tempo.

O centro do mundo
É natural que o centro do universo da criança seja ela mesma. Mas esta é uma realidade cada vez maior, porque nos dias que correm também os adultos – a família e os pais, sobretudo – a vêem como o centro das suas vidas. Talvez esta seja uma das grandes diferenças entre as crianças de agora e as do passado. “Hoje, as crianças e jovens vivem mais em função deles mesmos do que do contexto social que os envolve”, observa a psicóloga Maria João Santos, do Gabinete de Apoio à Família, do Espaço para a Saúde da Criança e do Adolescente (ESCA). “Houve uma reviravolta muito grande em termos do olhar sobre a criança. Estas, antigamente, eram vistas como um braço para trabalhar ou ajudar em casa, como adultos pequenos e, de repente, passaram a ser o centro de tudo. E com isso tudo muda.”

Hoje só tem filhos quem quer. “Antes, os filhos ‘vinham’. Os pais não escolhiam. Não tinham a culpa de os educar bem ou não. Faziam o melhor que podiam. Hoje é uma opção. E isso implica uma responsabilidade muito maior e uma culpa também muito maior. Culpa de não estar a educar bem. Qualquer atitude é atentamente criticada pelos avós e por toda a família. Todos lhes caem em cima: as revistas, os jornais e toda a sociedade. E cai-lhes o filho também, porque alcança muito bem este sentimento dos pais”, refere Maria João Santos.

Pequenos profissionais
Estar no centro das atenções leva também a que os pais tenham uma expectativa de vida altíssima para as crianças. “Aquilo a que se tem assistido na nossa sociedade são os pais a educar profissionais”, observa a psicóloga. “Desde que nascem, os pais começam a pensar o que é que vão ser. Têm a preocupação de que se ‘safem’ na vida e querem dotá-los de todas as ferramentas possíveis. Em vez de privilegiarem a relação, o estar com, apenas por estar com, privilegiam o fornecer, o dar tudo. Sentem que a vida não é fácil. Eles próprios vivem com dificuldade, a correr, e não querem isso para os filhos. A atitude dos pais de hoje é uma atitude de protecção em relação a esta sociedade que vêem como hostil.” São muito mais protectores e talvez o sejam por sentir esta tal responsabilidade e culpabilidade.

Como consequência, não deixam espaço para as crianças se autonomizarem. Os pais têm a ideia de que controlam os filhos e as suas vidas. Mas não é isso que acontece. No fundo, o seu papel deveria ser o de orientar. “Os pais tendem a controlar muito os seus filhos sob a capa da protecção. Isso não é bom para o desenvolvimento deles.”

Na opinião de Maria João Santos, o que se deve favorecer é a relação. “A relação que se estabelece entre os pais e os filhos, desde que estes ainda estão na barriga”, comenta. Esta relação constrói-se com base no respeito mútuo. A respeitar tempos, ritmos e personalidades. “As crianças não respeitadas não respeitam, não se desenvolvem, não fazem uma construção interna segura, não aprendem o que é o respeito, aprendem a retaliar”, explica a psicóloga.

Perguntar, testar, questionar
Os limites são outro ponto de diferença entre crianças de hoje e de ontem. No passado, os limites eram impostos sem discussão possível. A criança crescia à semelhança de um modelo familiar. O mundo hoje é muito alargado, o acesso à televisão, ao cinema, à Internet proporcionam às crianças e jovens muito mais informação e colocam muito mais coisas em causa. Eles não têm apenas o seu modelo familiar. Têm muitos modelos – o americano, o chinês… “Questionam muito mais e é-lhes permitido sair dos limites, voltar aos limites, sair dos limites… Isso dá um trabalhão aos pais, mas aqueles que se dão ao trabalho de estabelecer limites acabam por obter uma educação com muito mais sucesso. Conseguem pessoas muito mais adultas, com mais capacidade de pensar, de criticar, de vencer na vida.”

Cidadãos do mundo
Há muitos anos, as crianças eram cidadãos da família, da aldeia, daquela comunidade em que estavam inseridas. Depois, passaram a ser do país, da Europa e hoje em dia são do mundo! “Com inúmeras opções e oportunidades, que se tornam mais difíceis de organizar. Mas conseguem-no muito mais facilmente do que os seus pais”, explica a psicóloga. E acrescenta: “Os pais apenas conhecem o modelo que tiveram e pelo qual lutaram. As crianças e jovens conhecem o dos pais e muitos outros. Têm uma flexibilidade muito maior, o que faz alguma confusão aos pais.”

Todo-poderosos
Esta flexibilidade e este saber – que vem acrescido dos conhecimentos do universo tecnológico e de outras áreas que dominam como ninguém – dão-lhes uma grande ilusão de poder. “Pode ser complicado se os pais não souberem gerir isso. Temos imensos pais com medo dos filhos. As crianças ganham uma importância, um poder tal dentro da família que há pais que dizem: ‘Eu não sei lidar com elas, já não sei o que hei-de fazer’… E estamos a falar de crianças de sete, oito anos”, afirma Maria João Santos.

Na sua opinião, “o que a sociedade nitidamente precisa hoje é que os pais reconheçam e definam bem o seu papel. É isso que faz a diferença das crianças de antes e as de agora. Os pais antes tinham o seu papel muito bem definido. Bem ou mal, estava definido. Hoje não têm, andam desorientados, ficam inseguros, não acreditam na relação deles com os filhos. É importante assumirem o seu papel de pais como estruturadores da personalidade dos filhos, uma verdadeira referência para a sua organização e desenvolvimento como pessoa”, defende a psicóloga.

Atenção precisa-se!
Apesar de todas as boas intenções de dar atenção e acompanhar de perto os filhos, na verdade a disponibilidade de muitos pais acaba por deixar a desejar. “Há muitas crianças e jovens que chegam sós a casa porque o pai e a mãe trabalham. São famílias curtas e valores curtos”, comenta o psicólogo espanhol Guillermo Ballenato, autor do livro Educar sem Gritar (Esfera dos Livros). “Quem os educa? Quem está em casa? Que critérios tem? Que diz a televisão? Que estão ensinando os meios de comunicação?”, questiona. “Crianças e jovens estão a crescer ao sabor da correria dos tempos, pegando informação daqui e dali. Alguma será boa, outra não será. Antes podia ser uma informação errónea mas era segura. Estas são crianças um pouco perdidas, desmotivadas. Muitas dizem: ‘Este professor não me motiva.’ Como se fosse o professor que as tivesse de motivar. A elas não foram ensinadas duas coisas básicas: a automotivação e o autocontrolo.”

Quando estão em casa, os pais sentem-se na obrigação de estar e brincar com os filhos, mas não é raro estarem lá mas com a cabeça noutro lugar. É importante que as crianças percebam que os pais têm determinadas tarefas, como elas também têm determinadas tarefas, e que hão--de encontrar um momento para os dois e esse será total.

Não vale a pena culpar-se pelo tempo que não têm. O fundamental é não criar expectativas irrealistas, organizar-se e descobrir situações em que possam verdadeiramente desfrutar da companhia um do outro.

Ecrãs, ecrã, ecrãs
“As crianças que vivem ao pé de um ecrã não desenvolvem muita coisa, ficam estáticas, cognitivamente inactivas e não desenvolvem estas competências que são importantes para a sua vida. Os ecrãs são muito limitadores. Direi até castradores”, comenta a psicóloga que, apesar disso, não vê mal na programação em si e nas actividades informáticas e de jogos em consolas. São importantes, fazem parte do mundo de hoje em dia, é uma abertura enorme para o mundo que conhecem e de que podem vir a fazer parte.

O que a especialista diz ser preocupante é o tempo passado diante do ecrã e daquilo que a criança deixa de fazer para ali estar, seja brincar, estar ao ar livre ou a estudar. Neste sentido, defende a importância das rotinas, até para a hora da televisão ou do computador. “No caso dos mais velhos é importante chegar a um acordo. Mesmo que não seja do total agrado dos pais, deve haver alguma flexibilidade e bom senso.”

Um final quase feliz
Ser criança hoje, afinal, é pior do que antes? “Acho que hoje é muito mais rico. Há uma riqueza muitíssimo maior. A todos os níveis: dos afectos, da informação… As crianças têm imensas possibilidades que há uns anos atrás não tínhamos. Mas isso não significa ser mais feliz. Para isso teriam de ter, se calhar, um contexto envolvente de pais felizes, sem depressões, sem papéis pouco definidos, sem culpas, sem inseguranças…”, acredita Maria João Santos.

“Têm muitas mais possibilidades em geral para a criatividade. Têm muitos mais recursos. No entanto, são crianças que parece que lhes custa mais desenvolver a habilidade social, principalmente nas grandes cidades, onde há algumas limitações de espaço para a convivência, para a brincadeira, distâncias para se encontrar”, comenta Guillermo Ballenato. E o que se vê são as crianças encontrarem-se na rede, coisa que antes não havia à sua disposição. “Agora encontram-se através da Internet e através das mensagens. Podem estar cinco juntas, cada uma com o seu telemóvel a falar com alguém que não está presente”, acrescenta.

Maria João Santos, no entanto, tem esperança. “É um bocadinho como a história do 25 de Abril. Antes era a ditadura total, depois foi a abertura total, acho que nesse momento estamos a caminhar para o ponto de equilíbrio. Mas ainda não o atingimos”, refere.

E Ballenato recomenda: “Seja feliz, dedique o seu tempo ao seu filho. Que se introduzam mudanças sociais que permitam que esta atenção seja uma atenção real. Mudanças como as que permitam que pai e mãe tenham uma licença razoável que lhes permita estar atentos aos filhos durante os seus três primeiros anos de vida. Estas crianças são os pais de amanhã.”

A função dos filhos na família
Na relação com os filhos no seio das famílias portuguesas contemporâneas, a gratificação afectiva destaca-se decisivamente
Dentro da dimensão afectiva destacam-se a função afectiva (a criança como fonte de alegria) e a função simbólica de coesão (a criança como símbolo do amor conjugal)
Sinal da mudança do lugar da criança na família é a pouca expressão da função produtiva (a criança como uma ajuda na casa e no trabalho) por comparação com todas as outras
As funções que têm vindo a diminuir de importância nas últimas décadas são a produtiva e a de solidariedade material (contar com filhos em caso de doença e de necessidade económica)
A nível das expectativas colocadas nos filhos, para as mães qualificadas (com ensino médio ou superior), a dimensão expressiva tem um peso significativo. Destacam-se as funções socializadora (com filhos aprende-se coisas novas) e de sociabilidade lúdica (crianças boas companheiras, com quem gostam de se divertir)
Entre as menos qualificadas destacam-se as funções de solidariedade (apoio moral e material na velhice) assim como a função de mobilidade social (filhos com a possibilidade de ascensão que não estava ao seu alcance)

Fonte: A Função dos Filhos na Família, da socióloga Vanessa Cunha, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS), publicado no livro Famílias em Portugal (ICS), organizado por Karin Wall

Crianças e consumo
A influência dos filhos nas decisões de compra das famílias é cada vez maior. De acordo com os dados fornecidos no livro Kids’ Power – A Geração Net em Portugal (Plátano Editora), a sua influência varia consoante os seguintes factores:
• A quantidade de crianças por família (pais de famílias com maior número de filhos tendem a optar por não levá-las às compras)
• Pais de famílias com apenas uma criança tendem a ‘ceder aos seus caprichos’ mais facilmente
• A idade das crianças (os argumentos de crianças mais velhas são sempre mais considerados)
• O sexo das crianças (as raparigas vão mais às compras com os pais)
• O nível académico dos pais (os de nível mais elevado tendem a instruir melhor os filhos para o consumo e para a forma de gerir o dinheiro)

As actividades preferidas (dos 4 aos 12 anos)
Ver TV
83
13
3
Ouvir música
81
13
6
Andar de bicicleta
77
17
5
Estar nas Net/PC
75
15
8
Jogar jogos de grupo
71
22
6
Brincar com animais
70
17
12
Ir ao parque/jardim
70
23
6
Ir a um espectáculo
70
20
9
Desportos organizados
69
23
7
Trabalhos manuais
68
21
10
Turismo/passear
64
28
6
Consola
63
17
19
Fonte: Kids’ Power – A Geração Net em Portugal

 














Anunciar on-line | Assinaturas | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo| Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.