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A fama e a glória significam
pouco para Eric Bana.
O importante é a sua família
e a sua carreira de actor.
Depois de Munique, veremos
Lucky You, um filme que
desvenda o seu lado mais romântico.
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Quando desempenhou recentemente o seriíssimo papel de líder de um grupo israelita de assassinos no filme de Steven Spielberg, Munique, Eric Bana provou claramente ser um actor talentoso. Essa interpretação constituiu um salto estético e emocional |
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significativo na sua carreira em relação ao trabalho anterior, em O Incrível Hulk e Tróia, firmando-o como uma das mais excitantes novas estrelas de Hollywood. E agora, em Lucky You, Eric Bana consegue mostrar-nos a sua atribulada faceta romântica numa história agridoce, contracenando com Drew Barrymore num filme passado em Las Vegas, em pleno campeonato mundial de póquer.
O filme constitui uma mudança interessante para o actor australiano, que construiu a sua carreira cinematográfica sobre papéis de acção e aventura, nomeadamente o que desempenhou em Cercados, de Ridley Scott. Lucky You assinala o seu primeiro grande teste como protagonista romântico ao lado de uma tão popular
actriz como Drew Barrymore.
Bana, de 37 anos, obteve fama internacional na pele do volátil Bruce Banner no enorme êxito de bilheteira de Ang Lee, O Incrível Hulk. Mas a fama e a glória significam muito pouco para Eric Bana, que está ansioso por prosseguir a sua carreira de actor que demorou algum tempo a arrancar.
Filho de um vendedor de máquinas agrícolas croata e de mãe alemã, Eric (de seu nome Eric Banadinovich) teve, ao longo dos anos 80, ocupações ocasionais como a de empregado de bar, mecânico e estafeta na sua cidade natal, Melbourne, antes de decidir seguir os seus impulsos para a arte de representar. Tendo começado por ser um comediante de stand up , passou de trabalhar em clubes de diversão nocturna a um papel que atraía para si as atenções, na série Full Frontal, que acabaria por levá-lo a uma série com o seu nome, Simply Bana. Eric fez a sua estreia como actor no estranho thriller australiano de 2001 intitulado Chopper.
Eric tem um casamento feliz com Rebecca Gleeson, uma ex-publicitária de televisão que conheceu na Austrália, com quem tem dois filhos: um rapaz, Klaus, com seis anos, e uma rapariga com três, Sophia.
Em Lucky You, desempenha o papel de um conhecido jogador de póquer. Alguma vez esteve ligado aos jogos de azar na vida real?
Às vezes gosto de uma boa partida, mas não sou o que se pode chamar um verdadeiro jogador. De vez em quando sou capaz de me sentar a uma mesa de póquer, mas nunca para apostar milhares de dólares nem nada que se pareça. (Ri) Estava muito no meio deles quando era criança, porque o meu pai treinava galgos e, portanto, eu andava ali entre os jogadores e nunca me agradou muito aquela mentalidade. Já mais velho, ia para os casinos depois do trabalho para jogar blackjack, nada mais. Gostei imenso de reaprender a jogar póquer para o Lucky You – até me tornei razoavelmente bom nisso.
Como é que foi trabalhar com Drew Barrymore?
Foi fantástico. Sempre fui um grande fã da Drew desde que a vi em The Wedding Singer. É um dos meus filmes favoritos, coisa que não perdi tempo a dizer-lhe. Ela é extraordinária... diverti-me imenso.
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Eric Bana fez
a sua
estreia como
actor
no thriller australiano
de 2001 intitulado
Chopper.
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E com Steven Spielberg?
Não há melhor experiência para um actor. Fiquei muito deprimido quando acabámos o Munique. Havia uma grande parte de mim que pensava: “Melhor do que isto não se consegue fazer.” Spielberg preocupa-se com os seus actores e eu confiava inteiramente nele como realizador. Fui capaz de dar tudo. A pessoa não sente que está nas mãos de um ditador, mas que faz parte de todo aquele processo de feitura de um filme. Isso para mim é extremamente importante, porque sou um actor muito instintivo. Quando eu colocava alguma questão, ele dizia-me sempre que seguisse o meu instinto, que fizesse o que quisesse. Eu ouvia tudo o que ele tinha a dizer e fazia tudo o que ele me pedia que fizesse, mas ao mesmo tempo ele permitia-me experimentar e jogar com as coisas. Spielberg estava, tal como eu, bastante obcecado com o filme.
É casado há oito anos. Qual é o segredo para manter a relação numa indústria que não é propriamente conhecida pelos casamentos de longa duração?
Nenhum de nós parte do princípio que tem o outro garantido. Faço muita questão em termos tempo para nós e para saídas românticas à noite. Adoro o meu trabalho, mas mal termino um, quero afastar-me de tudo aquilo. Isso tem sido muito útil em termos de ser marido e pai. Não quero fazer mais do que um filme por ano para não correr o risco de passar a ser um estranho para a mulher e para os filhos, e até mesmo para mim próprio. Estar no local de filmagem de um filme é como estar algures num sítio recôndito do universo onde nada mais é real. Portanto, embora adore todo aquele processo, quando termina, preciso de voltar para a minha família de uma forma muito profunda, levar os miúdos à escola, fazer churrascos em família, ir à praia. É essa a minha vida.
Como é a relação com a sua mulher?
Temos uma vida muito agradável, somos muito unidos e considero-me um homem com muita sorte por ela fazer parte da minha vida. Ou seja, lê-se muita coisa sobre outros casais, principalmente nesta minha actividade, muita confusão entre eles. Graças a Deus, nada disso se passa na minha vida. Acho que morria.
Você é um condutor de carros de corrida amador muito entusiasta. É uma coisa que pensa fazer profissionalmente no futuro?
É algo em que penso muito a sério. Fora do trabalho e como hobby, os carros de corrida são o meu principal interesse. Era o que eu queria fazer quando era miúdo, mas nunca tive dinheiro para tentar seguir essa carreira. Gosto de dar umas voltas e adoro fazer umas coisas com os meus carros, por exemplo, o Ford GT 2005. Tem 550 cavalos e é incrivelmente veloz. Ando sempre com ele quando estou na Califórnia. Adoro carros de corrida, mas os estúdios não gostam muito que se ande neles quando se tem um papel de protagonista num grande filme. Ficam nervosos. Tento manter a minha sanidade jogando jogos de computador com carros de corrida até acabarem as filmagens e poder voltar a agarrar-me ao volante!
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“Quando era miúdo, descobri que tinha esse dom da imitação
e percebi que conseguia fazer rir as pessoas.” |
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Costuma ficar ansioso ou nervoso antes de começar a trabalhar num filme?
É um verdadeiro inferno. Ando de um lado para o outro no quarto do hotel ou então faço grandes caminhadas e penso com os meus botões: “Quem raio pensas tu que és para aceitares fazer esta personagem? Nem sabes no que te estás a meter, não vais ser capaz de o fazer. És mesmo estúpido, louco, e vão fartar-se de gozar contigo.” Foi o que me aconteceu antes de começarem as filmagens do Munique e demorei alguns dias, já no próprio local, a ver-me livre deste medo (ri).
Como é que se tornou um comediante?
Quando estava a fazer stand-up comedy em clubes nocturnos, já queria ser actor, mas não fazia a mínima ideia de como lá conseguiria chegar. Tropecei, por assim dizer, na comédia porque os meus amigos me convenceram que era esse o caminho. Até que me fartei. Depois consegui aquele papel em Chopper, e aqui estamos! (Ri)
Decidiu continuar a viver na Austrália, muito embora o seu trabalho seja nos Estados Unidos. É uma escolha difícil?
É a escolha menos prática. Mas o nosso lar é o nosso lar e ficar em Melbourne, que é uma cidade que adoro, ajudou-me. É lá que tomo as melhores decisões. Nesta altura, já podia ter feito 20 filmes se estivesse a viver em Los Angeles. Mas gosto de poder não trabalhar quando não tem mesmo de ser. Tem de se ter um lar, não imagino não ter. Sei que alguns actores não têm e sofrem com isso, sentem-se muito alienados. Preciso de dormir na minha cama, isso dá-me equilíbrio.Em Hollywood há muita pressão e, se não se mostrar uma total dedicação, é-se muitas vezes rotulado de falhado. Não preciso disso. Sinto que é necessário ter uma base qualquer, um lugar onde o telefone não toque. A minha mulher e a minha família vão sempre comigo para os locais de filmagem. Talvez isso mude quando as crianças forem mais velhas. Basicamente, as coisas resumem--se a isto: preciso da minha família mais do que de qualquer outra coisa. |
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