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Desde que a série Donas de Casa Desesperadas a transformou num símbolo sexual, Teri Hatcher revelou um segredo e experimentou uma reviravolta na sua vida. Hoje, em televisão, é a actriz mais bem paga. |
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| Por Jan Janssen | Fotografia de Art Streiber/Corbis Outline/Zefa |
Teri Hatcher é a prova acabada de que pode ser difícil fugir do passado, por mais longe que se vá na vida. Há alguns meses, Hatcher revelou na edição norte-americana da revista Vanity Fair que foi vítima de abuso sexual por parte de um tio quando tinha apenas cinco anos de idade.
“Decidi dar a cara publicamente porque achei que poderia ajudar outras mulheres – e também homens – a fazer o mesmo, pois a questão do abuso sexual de crianças continua a ser um dos temas tabu mais aterrorizadores e estigmatizantes da nossa sociedade”, diz Hatcher. “Há quatro anos, tive conhecimento de que uma rapariga de 14 anos, que também foi vítima do meu tio, se suicidara. Foi então que resolvi contar a minha história à polícia, e esse homem está hoje atrás das grades, e por muitos anos. Foi um processo extremamente penoso para mim. Era algo que eu já devia ter feito há muito, mas nunca conseguira. Espero que outras pessoas encontrem agora forças para denunciar incidentes de abuso sexual. Não é fácil superar o estigma e o sentimento de culpa, e desenterrar memórias horríveis, mas quando o fazemos, sentimo-nos realmente aliviados de um fardo e prontos a levar a nossa vida para a frente. Pelo menos, é assim que me sinto hoje.”
A notícia chocou quase todos os amigos e até os familiares de Hatcher, para não falar dos milhões de fãs que contribuíram para fazer de Donas de Casa Desesperadas uma das séries televisivas mais populares na América do Norte e na Europa.
A actriz, aos 41 anos, sente agora estar preparada para enfrentar a vida com renovado entusiasmo. Tendo-se divorciado do actor Jon Tenney em 2003, Teri Hatcher tem uma filha de oito anos, Emerson.
Teri, acaba de passar por uma fase muito conturbada na sua vida. Como é que se sente neste momento?
Apesar de tudo, foi a melhor fase da minha vida. Passei alguns anos a sentir-me infeliz e com pena de mim própria porque a minha carreira parecia ter estagnado. Hoje vejo a vida de uma forma muito mais positiva e estou grata a Donas de Casa Desesperadas por isso – não pelo enorme êxito da série, mas porque ela me ensinou que a vida não é só trabalho. A partir de agora, aconteça o que acontecer, nunca mais me vou deixar abater.
Os caminhos da estrela
• O seu primeiro sucesso no cinema foi The Big Picture (1992), em que contracenou com Kevin Bacon no papel de uma mulher sensual e manipuladora
• Conquistou o papel da astuta e sensata Lois em Lois & Clark: As Novas Aventuras do Super-Homem (1993), que a transformou numa estrela de televisão e numa das mulheres mais sexy da América
• Em 1995, uma fotografia em que veste apenas a capa vermelha do Super-Homem tornou-se uma das imagens mais descarregadas na Internet
• Casou-se com o actor Jon Tenney em Maio de 1994 e deu à luz uma rapariga, Emerson Rose Tenney, a 10 de Novembro de 1997. Porém, não foi um casamento feliz e o divórcio aconteceu em 2003
• A sua vida mudou para sempre quando, aos 39 anos, foi escolhida para o papel de uma mulher divorciada na série televisiva Donas de Casa Desesperadas. No papel de Susan Mayer, Hatcher ganhou o Globo de Ouro de Melhor Actriz de Série Cómica e o Prémio SAG (Screen Actors Guild) de Actriz de Série Cómica antes mesmo de a primeira série do programa ter terminado
• Foi nomeada uma das 50 Most Beautiful People pela People Magazine em 2005
• A Clairol contratou-a por vários anos para ser o rosto da linha de coloração Nice’ n Easy
• A sua inspiradora autobiografia, Burnt Toast: And Other Philosophies of Life, foi lançada pela editora Hyperion em 2 de Maio de 2006, nos EUA, tal como a versão em CD do livro, narrada pela autora. O livro fala dos bons e dos maus momentos na vida de uma mulher
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| Em 2005, quando recebeu o Globo de Ouro pelo seu desempenho na série Donas de Casa Desesperadas, em cima. Ao lado, com Jon Tenney, seu ex-marido. Em baixo, numa cena do filme Lois & Clark: As Novas Aventuras do Super-Homem e, ao lado, com a filha, Emerson. |
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O facto de ter revelado que foi vítima de abuso sexual quando criança também deve tê-la libertado de uma enorme carga psicológica.
De alguma forma, já sentira isso logo que denunciei à polícia [em 2002] o abuso de que fora vítima por parte do meu tio. É claro que, ao divulgar publicamente uma coisa destas, o alívio ainda é maior, porque se sente que já não se tem nada a esconder.
Está contente por ter dado a cara?
Estou. Foi traumático mas, ao mesmo tempo, libertador, e quero mostrar às outras pessoas que podemos tirar partido de todas as nossas experiências – mesmo as mais terríveis – para crescermos e nos tornarmos mais conscientes. Agora sinto que nada mais me impede de ser eu própria e de gozar a vida em toda a sua plenitude.
Isso inclui encontrar um homem fantástico?
(Ri) Sem dúvida! Não tenho namorado desde que me divorciei, tem sido difícil e, por vezes, doloroso não ter alguém com quem partilhar as coisas. É claro que desfrutei do reconhecimento e do sucesso proporcionado por Donas de Casa Desesperadas, que foi uma segunda oportunidade extraordinária na minha car-reira de actriz, mas isso é apenas uma parte da vida. Ao mesmo tempo, porém, o ser uma boa mãe e tentar construir uma vida boa para a minha filha deu-me muita força e sentido de independência.
É um mistério que se mantenha sozinha, apesar de ser uma das mulheres mais sexy de Hollywood.
Muito obrigado! Sabe, é complicado envolvermo-nos com alguém quando se trabalha 12 a 14 horas por dia, ao mesmo tempo que se cria uma filha de oito anos. Além disso, não é fácil encontrar a pessoa certa, ponto final, porque parece ser difícil, quer para homens quer para mulheres, especialmente na minha profissão, encontrar uma forma confortável de estarem juntos sem se deixarem engolir pela voragem das suas próprias vidas e pelo interesse público que normalmente os rodeia, caso o seu trabalho o suscite. Não sei…
Que tal o seu famoso vizinho em Hollywood, George Clooney?
(Ri) O George é um bom vizinho e uma excelente pessoa, e é tudo.
Surpreendeu-a o facto de a segunda série de Donas de Casa Desesperadas ter tido tanto êxito como a primeira?
Nada, absolutamente. Sempre achei que os episódios da segunda série eram muito fortes, embora pudesse levar algum tempo a desenvolvermos mais as nossas personagens para depois se chegar a um desenlace. O que estamos a fazer nesta série é muito radical e muito criativo.
A sua figura faz correr rios de tinta. Quais são os seus segredos de beleza?
Sou uma adepta fervorosa da ginástica Pilates, porque se pode fazer em casa e eu detesto ir a ginásios. Acho que as mulheres podem fazer uma excelente série de exercícios e tonificar os músculos enquanto vêem televisão ou ouvem uma cassete. Se conseguirem fazer isto durante meia hora ou uma hora por dia, vão ficar com um corpo de que poderão orgu-lhar-se. Mas comer bem também é importante. É preciso descobrir os alimentos que são saudáveis para cada caso, sem se sentir fome ou privação. Não há necessidade de nos sentirmos infelizes.
Nalguns dos seus filmes mais importantes, como The Big Picture e O Vale da Intriga, fez o papel de predadora. Já foi assim na vida real?
Não, longe disso. Mesmo em adolescente, tive um desenvolvimento tardio. De repente, num Verão, o peito cresceu-me e, no semestre seguinte, comecei a atrair a atenção dos meus colegas de liceu mais velhos. Acho que é por isso que tenho uma certa ambivalência em relação à minha aparência, porque até essa altura sempre fui muito desinteressante e acho que mantive algo dessa auto--imagem. Quem me dera ter tido mais instintos de predadora na vida real… Talvez tivesse tido uma carreira mais interessante. (Ri)
Sente-se vingada com o sucesso de Donas de Casa Desesperadas?
Sem dúvida. Uma das coisas boas de ter chegado aos 40 é que podemos sentir pena de nós próprias ou tentar superar o envelhecimento, pensando e fazendo algo da nossa vida. Debati-me entre os papéis que queria fazer e aqueles que me ofereciam. Por fim, caiu-me no colo uma dádiva, uma série brilhante e ousada, e fiz desta oportunidade um êxito. Foi a lição mais valiosa que se pode receber. Nós somos mais do que o nosso trabalho. Somos uma pessoa, uma mulher, uma mãe, e podemos fazer muito pelo mundo, quer a nossa carreira seja um êxito quer não. Consegui separar a minha valia do meu sucesso e agora sei que posso superar seja o que for. É uma sensação fantástica! |
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