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É uma segunda casa
para as estrelas de cinema quando vão ao Festival
de Cannes.
Hotel du Cap oferece todos os luxos e a máxima
discrição. E está cheio de histórias
picantes.
Por Harold von Kursk
Leonardo di Caprio espalhando
protector solar nas costas de duas top models checas,
o produtor cinematográfico Harvey Weinstein exibindo
os seus enormes calções de banho, George
Clooney a meter conversa com uma empregada sexy que
lhe servia um sumo de laranja acabada de espremer e
uma grande taça de caviar para o pequeno-almoço
– estas são apenas algumas das imagens
que se poderiam vislumbrar se conseguíssemos
transpor os portões de ferro do mais exclusivo
local ligado ao Festival de Cinema de Cannes, o Hotel
du Cap Eden Roc, mais conhecido por Hotel du Cap. Na
realidade, o ritmo alucinante do Festival deixa extenuada
mesmo a mais resistente estrela de Hollywood e é
por isso que o Hotel du Cap se transformou num oásis.
Há já muitos anos que este magnífico
palazzo de cinco estrelas à beira do Mediterrâneo
tem sido a residência de eleição
dos actores, ansiosos por escapar aos olhos de lince
dos paparazzi, à imprensa e às multidões
que normalmente se juntam em Cannes por alturas do Festival.
O Hotel du Cap está situado
na ponta da península do Cap d’Antibes, a
meia hora de carro da Croisette e da loucura generalizada.
Nos últimos anos, as estrelas, desde Johnny Depp
e George Clooney a Nicole Kidman e Keanu Reeves, têm
apelidado o Eden Roc de sua casa, um local onde se podem
permitir o género de indiscrições
e outros prazeres que seriam demasiado arriscados nos
principais hotéis de Cannes.
Sendo
os preços mais baixos dos quartos individuais
de 600 euros por noite, e o de uma suite de luxo de 1200
euros por noite (podendo chegar aos 4000 euros), o Hotel
du Cap é o mais caro de toda a Côte d’Azur,
uma região famosa pelos preços exorbitantes
que pratica durante o Festival de Cannes. No bar, as bebidas
mais baratas custam a módica quantia de 20 euros
e um almoço simples para dois chega facilmente
aos 180 euros – sem caviar, bien sûr!
Mas o que o Hotel du Cap oferece que os outros hotéis
da lendária Croisette de Cannes – uma estreita
avenida que se estende ao longo da faixa costeira da cidade
– não podem, é um isolamento quase
absoluto e a maior discrição. No final dos
anos 20, o escritor F. Scott Fitzgerald chamou-lhe “uma
fuga do mundo”, após lá ter passado
vários Verões a confraternizar com muita
da aristocracia social e literária americana.
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O
isolamento que o hotel oferece a estrelas
como Clint Eastwood, Johnny Depp ou Nicole
Kidman é um dos seus maiores trunfos.
Aqui é proibido fazer entrevistas
e toda a propriedade está guardada
por dezenas de seguranças. |
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Fazer entrevistas no Hotel é
normalmente proibido, tal como proibidos são os
fotógrafos. A maior parte da propriedade encontra-se
rodeada por um grande muro de pedra e há várias
dezenas de seguranças bem musculados – muitas
vezes escoltados por um doberman ou um pastor-alemão
– que patrulham o terreno, procurando potenciais
intrusos.
Clint Eastwood é um dos maiores fãs do Cap
e das suas famosíssimas sanduíches de lagosta.
Visivelmente pouco à vontade quando se encontra
no meio de uma multidão, o actor afirma: “Acho
que não conseguia aguentar um Festival como o de
Cannes se tivesse de andar todos os dias com guarda-costas
em cima de mim para conseguir passar pela multidão.
O Hotel fica suficientemente distante da Croisette e proporciona
a oportunidade de gozar o Sol e o ambiente sem aquela
sensação de animal enjaulado.”
Também Johnny Depp adora o Hotel
du Cap e a sua magnífica lista de vinhos, da qual
escolhe com frequência garrafas (a mil euros cada)
de Château Margeaux, Laffite e Petrus, três
dos seus vintages preferidos. Depp, que reside há
seis anos em Paris com a namorada, Vanessa Paradis, afirma:
“Os meus únicos vícios, hoje em dia,
são vi-nhos caros e aqueles malditos [cigarros]
Gitanes.”
Segundo um dos empregados do hotel, Depp deu uma festa
inesperada na piscina e convidou todos os que lá
se encontravam (actores, produtores, fosse quem fosse
que estivesse por ali), para partilhar o seu gosto por
garrafas, com 30 anos, dos melhores tintos Bordeaux, uma
extravagância que lhe custou “mais de 20 mil
euros”.
George Clooney pavoneia-se
muitas vezes pelo fabuloso bar do Hotel du Cap
que costuma usar como “uma segunda casa” durante
o Festival, diz ele, só parcialmente a brincar.
“Em que outro local se consegue admirar algumas
das mais belas mulheres a apanhar banhos de Sol em topless
na piscina e depois conversar com elas, semi-nuas, no
bar?”, pergunta. “Isto é uma maravilha
e não tenho de me preocupar com os paparazzi à
espera de ver se adormeço às cinco da manhã
no terraço do Hotel, com uma garrafa de vodka na
mão!”
Há vários anos, pré-Giselle Bündchen,
Leonardo di Caprio apareceu no Hotel du Cap com vários
elementos do seu lendário grupo de amigos de Hollywood,
comportando-se de uma forma semelhante à da sua
personagem em Celebridades, de Woody Allen. Di Caprio
aproveitou aquela ocasião para se divertir com
duas modelos checas que encontrara no Festival e foi visto
a passar o seu tempo livre a atirá-las para dentro
da piscina e a derramar daiquiris de morango nos seios
delas durante as sessões de bronzeado a meio do
dia.
Este ano, entre alguns dos convidados que se esperava
que ficassem no Hotel du Cap – embora nunca se consiga
que o porteiro ou qualquer outro funcionário confirme
a lista de convidados Vip – estariam Bruce Willis,
Sharon Stone, Bill Murray, Val Kilmer, Ewan McGregor,
Jessica Lange e Sam Shepard, Scarlett Johansson e Viggo
Mortensen.
O supertímido Woody Allen provavelmente
também protegerá a sua privacidade no Hotel
durante a sua estada em Cannes, onde apresenta o seu mais
recente filme, protagonizado por Johansson, Match Point.
Juliette Binoche e Charlotte Gainsbourg contam-se entre
as estrelas francesas que se hospedam no Hotel du Cap
durante o Festival.
Uma das piadas famosas que se contam diz respeito a Burt
Lancaster, em 1961. Segundo Tony Curtis, seu amigo e colega
de profissão, Lancaster alugara uma espaçosa
suite-apartamento no pavilhão do Hotel du Cap –
a ala mais cara – e gostava de entreter uma série
de belas mulheres durante a sua estada. “Nessa época,
o Burt era uma grande estrela sexual”, disse Curtis,
sorrindo, na entrevista que deu nos anos 90. “Não
havia como o Burt para escolher mulheres e as levar para
a cama. Era simplesmente fantástico. Bastava-lhe
lançar um daqueles seus sorrisos e as mulheres
derretiam-se. Um ano, em Cannes, tínhamos ambos
alugado suites no Cap. Claro que ele ficara com a enorme
suite da penthouse e eu fiquei no andar de baixo... Ele
costumava ter raparigas a sair e a entrar dia e noite
– não estou a exagerar – e às
vezes era demais, mesmo para ele. Uma noite, por volta
das três da manhã, estava ele com uma francesa
qualquer quando uma famosa actriz americana com quem ele
estava mortinho por dormir foi ao seu andar e bateu à
porta. O Burt não sabia o que havia de fazer à
rapariga francesa e, como não havia outra saída,
teve de inventar uma maneira de a esconder. Acabou por
ajudá-la a descer da varanda dele para a minha,
para não ser apanhado... Quase morri de tanto rir.
Havia imensas raparigas a visitar o Burt e ele enviava-as
para baixo, para mim, quando já tinha a agenda
cheia – embora normalmente fossem pelas escadas.
” Todos os seguranças do Hotel
foram treinados para se comportar como guardas de fronteira
norte-coreanos, durante o Festival. Estão muito
habituados aos trepadores de portões e aos aspirantes
a paparazzi que tentam espreitar a privacidade das estrelas.
A segurança é tão apertada que mesmo
as estrelas mais famosas têm sentido, por vezes,
alguma dificuldade em penetrar no Hotel du Cap. Nem todos
os guardas as reconhecem…
| Os
eleitos l
O Hotel du Cap foi a residência de
eleição de algumas das pessoas mais
ricas do mundo, incluindo Aga Khan, Aristóteles
Onassis e vários membros da família
Getty
l Alguns
dos mais importantes líderes políticos
mundiais também lá ficaram, incluindo
De Gaulle, Eisenhower e Kennedy, Giscard d’Estaing
e François Mitterrand
l Os Vips
gostam de chegar ao Hotel via barco a motor –
há uma marina privada para as estrelas
evitarem a estrada, demasiado movimentada, de
Cannes para Eden Roc, indo dos seus iates directamente
para o Hotel
l Geralmente
as reservas têm de ser feitas com semanas
de antecedência e, mesmo assim, é
preciso ser o porteiro de um importante hotel
internacional a tratar do assunto |
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| Um luxo antigo
1.
Construído originalmente em 1863, como
palácio de férias à beira-mar,
por uma sociedade de aristocratas russos –
o Conde Pletscheyev, o Príncipe Soltykoff
e o Conde Nicholas Stroganov –, o edifício
foi convertido em hotel em 1870 e, desde então,
tem servido regularmente de anfitrão a
aristocratas, milionários, artistas, governantes
e intelectuais
2. Nos anos 20 e 30 do século
passado, o Hotel du Cap transformou-se no salão
das artes onde Picasso, Man Ray, F. Scott Fitzgerald,
Ernest Hemingway e Marlene Dietrich apareciam
com frequência durante o Verão, quando
o Hotel estava inteiramente alugado a particulares
(dantes, abria apenas durante os meses de Primavera
e de Inverno)
3. Durante os anos 50, quando
o Festival de Cinema de Cannes se tornou um grande
evento internacional, as estrelas europeias e
americanas começaram a descobrir que a
Croisette estava a ficar demasiado confusa e barulhenta,
e que eram espalmadas pela multidão sempre
que tentavam sair do hotel para ir até
ao velho Palais, onde estavam a ser passados os
filmes concorrentes
4. Os órgãos da
imprensa de Hollywood estavam sempre ansiosos
por apanhar as estrelas em situações
comprometedoras durante o Festival. Foi por isso
que muitas delas se começaram a virar para
o Hotel du Cap como local de recreio particular |
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