
Amor sem fronteiras
A primeira recordação que Pedro Lima guarda da mãe é bem capaz de lhe soltar um sorriso. “É uma imagem à chegada de um dos seus primeiros regressos de Luanda: tinha um penteado afro.” Entre a ausência em Angola, onde viveu até recentemente, e as estadas em Portugal, Conceição Barata soube como alimentar o amor e o respeito do filho. “Foi ela quem me ensinou a usar a liberdade com responsabilidade, além de me passar o gosto pelas artes. Admiro-a muito pela permanente disponibilidade para ajudar quem precisa”, confessa o actor e modelo, feliz com o facto de, agora, a ter sempre por perto: “Desde que vive em Portugal, vemo-nos todas as semanas e é bom o convívio que temos à mesa.”
Pai de três filhos (João Francisco, 10 anos, Emma, 4, e Mia, 2), Pedro Lima nunca escondeu que é um homem de família. Daí ser--lhe fácil falar no papel das mães: “É relativamente simples, mas muito exigente. Simples porque pode resumir-se a garantir, em conjunto com o pai, as condições para criar, educar e acompanhar os filhos até se tornarem autónomos. Exigente porque esta responsabilidade é complexa e desgastante, mas, claro, muito compensadora.” Conceição vai, por certo, soltar um novo sorriso com este discurso tão ao jeito do Dia da Mãe.
Pedro Lima: Camisa em algodão estampado e calças em algodão e elastano, tudo Etro na Fashion Clinic. Ténis em pele, Diesel
Conceição Barata: Vestido em seda, Dries van Noten, e sapatos em pele, Bottega Veneta. Tudo na Stivali
ALMA DE ARTISTAS
Espírito andarilho, parte da vida passada em Portugal e outra nos Estados Unidos, Bela Silva confessa que ter um filho foi a melhor coisa que lhe aconteceu. “Por tudo o que podia e não podia imaginar, mas também porque, com ele, aprendi a centrar-me. Se não tivesse o Vincent, andava pelo mundo de mochila às costas.” Foi pelo seu filho de pai americano que a artista regressou, deixando Nova Iorque. Para o afastar do trauma da separação, para o mimar com os mimos dos avós, para lhe mostrar o que é ser, também, português. Por enquanto, mãe e filho vão ficando por cá. Ela com projectos na área da cerâmica, ele na escola.
Mais tarde, Vincent, espírito independente como Bela, quer ir estudar para fora, talvez Tóquio, talvez a outra pátria. “Diz que quer ser actor, que vai ganhar um Óscar. Eu respondo-lhe: ‘Why not? Se é essa a tua vocação, segue em frente.’” A artista não teme, porém, o afastamento de um filho que a faz rir todos os dias: “Quando ele sair de casa, vou explodir, vou aproveitar tudo outra vez.” Enquanto esse momento não chega – Vincent tem 12 anos –, Bela adoça o tom para contar que a melhor prenda recebida foi um poema que começa assim: “Mãe, tu és tão bonita e louca.” Depois ri-se como só ela sabe e conclui: “Não é delicioso?”
Bela Silva: Blusa em seda estampada. Calças em algodão e seda. Colar em metal, resina e seda. Tudo Marni na Fashion Clinic. Sandálias em pele e madeira, Sergio Rossi na Stivali
Vincent: Calças em ganga, Diesel. Camisa em algodão, Boss. Écharpe em linho estampado, Etro na Fashion Clinic.
Um pacto de verdade
Margarida Rebelo Pinto confessa-se com pena de não ter tido mais filhos: “Adoraria ter tido também uma filha para ir às compras e às aulas de ballet, but that’s life.” Percebe-se que há nela um gosto genuíno pela maternidade. “Ser mãe é a maior aventura do mundo e é também aprender a viver com o coração fora do peito, a dar espaço, a respeitar o outro, a ouvir”, diz a autora do recente Onde Reside o Amor. “Temos um pacto de verdade que é sagrado. Confiamos 100 por cento um no outro e estamos aqui um para o outro”, assegura. E não fala em teoria. Afinal, o maior susto foi ela quem o deu ao filho adolescente: um AVC em Maio de 2007. “Agora estou como nova, mas isto fez-me mudar: tornei-me uma pessoa menos bélica, mais virada para os outros.” São valores profundos os que tenta passar a Lourenço, que considera parecido consigo na independência de espírito: “Em primeiro lugar, integridade e generosidade. Depois responsabilidade, que anda de mãos dadas com liberdade. Ele sabe que, sem a primeira, não tem direito à segunda.” Isto é uma mãe a falar.
Margarida Rebelo Pinto: Fato-macaco em seda, Matthew Williamson for H&M. Sandálias em pele, Jimmy Choo na Fashion Clinic. Gargantilha em ouro, Isabel Lopes da Silva
Lourenço: Calças em ganga Dsquared². T-shirt e lenço em algodão, blazer em algodão e linho, Paul Smith. Tudo na Fashion Clinic
Maquilhagem e cabelos: Cristina Gomes, assistida por Lúcia Luz
SINCERIDADE E RESPEITO
Estão lado a lado, suave e serenamente. Estão bem um com o outro e não precisam de muitas palavras para falar da sua relação. Apenas 20 anos os separam. Ana Bola foi mãe cedo e a relação que mantém com o filho é também de proximidade. É uma relação aberta e pontuada pela liberdade, pela individualidade e pelo respeito mútuo. É verdade que a profissão levou a que Ana Bola não estivesse tão presente como outras mães, mas isso nunca os afastou. Tiago sempre encarou a profissão da mãe com a maior naturalidade. “Ia com ela ao trabalho, mas era exactamente como ir ao escritório da seguradora para uma criança cuja mãe trabalha numa destas empresas”, comenta. E foi nessa área que encontrou também o seu caminho profissional. “Tive toda a liberdade para escolher que curso iria tirar, enquanto que, noutras casas, havia mais a expectativa de os filhos seguirem Engenharia ou coisa do género”, recorda Tiago, realizador que traz no currículo animações como as utilizadas na peça O Melhor dos Monty Python, com António Feio, José Pedro Gomes e Bruno Nogueira, entre outros, e Evil Ma¬chines, de Terry Jones, estreada no Teatro São Luíz. Tiago é também responsável pelo genérico de diversos programas, entre os quais o VIP Manicure, de Ana Bola.
Ana Bola: Blusão em seda, Martin Margiela. Sandálias em pele, Walter Steiger. Tudo na Stivali. Tiago: Camisa em algodão, Paul Smith na Fashion Clinic Maquilhagem: Sónia Pessoa com produtos Giorgio Armani Cabelos: Sofia Gonçalves para Griffehairstyle Realização: Helena Assédio Maltez, assistida por Joana Lestouquet e Marina Sousa Assistente de Fotografia: Nuno Beja |
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