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EM DESTAQUE
por Harold von Kursk


Nem tudo o que luz se desfaz.
Três casais célebres apostaram na construção de um relacionamento estável. E contam os seus segredos.

O amor, embora frágil e desconcertante, é uma das coisas mais maravilhosas da vida. Atingem-se momentos de êxtase em comunhão com a pessoa amada. E depois todos co-nhecemos aqueles momentos terríveis, quando o amor desaparece... e com ele, a nossa fé na vida.

Em cada uma das histórias de amor que a seguir apresentamos, é diferente o elemento que une o casal e mantém juntos os seus membros. Antonio Banderas encontrou em Melanie Griffith uma chama, uma fragilidade e um amor verdadeiro compulsivos e muito atraentes. O caso de Reese Witherspoon e Ryan Philippe é um exemplo de muito trabalho, ajustamento das diferenças, de experimentar a sensação de crescer juntos e partilhar o caminho da vida. Quanto a Richard Gere e Carey Lowell, foi a sensação de paz e equilíbrio que Lowell trouxe a Gere depois de ele ter procurado em vão, durante tantos anos, a sua alma-gémea.



Antonio Banderas e Melanie Griffith
Não assumir o outro como certo

O que é que há na Melanie que tanto o atraiu?
Acho que, no momento em que a co-nheci, vi aquele sorrisinho maravilhoso e sedutor, extremamente emocionante e dramático. Ela consegue parecer muito doce e tranquila e, depois, lança aquele olhar inesperado, tão erótico e devastador. A Melanie possui aquele género de carisma a que é impossível resistir. É uma mulher que precisa desesperadamente de dar amor e de ser amada. Não há nada mais maravilhoso e atraente do que isso.

O Antonio e a Melanie conseguiram ficar juntos, enquanto muitos casamentos de Hollywood se desfizeram. Qual é o segredo?
Penso que a força que suporta qualquer casamento ao longo do tempo é o amor e a afeição profundos que se tem um pelo outro. Esse tipo de ternura e compreensão ajuda-nos nos momentos difíceis, que ocorrem em qualquer relação. É preciso ter consciência de que ninguém é perfeito, de que ninguém está sempre

Antonio Banderas encontrou em Melanie Griffith uma chama,
uma fragilidade
e um amor
verdadeiro, que
o actor considera muito atraentes.

com boa disposição e de que, de vez em quando, todos nós precisamos de apoio. A Melanie e eu apoiamo-nos um ao outro de maneira diferente. Só paixão e sexo não chega.
Os casais separam-se por stress, por falta de atenção de um para com o outro, por não se esforçarem o suficiente para manter uma vida em comum. O amor não pode fazer nada quando se discute a toda a hora por pequenas coisas estúpidas, e se permite que os problemas cresçam e se acumulem. A Melanie e eu falamos sobre os assuntos e tentamos sempre certificar-nos de que o outro está feliz com a forma como a relação está a evoluir. Nunca assumimos o outro como certo e acho que provavelmente é essa a chave.

É difícil continuar apaixonado por muito tempo, com todos os altos e baixos e mudanças que ocorrem numa relação ou num casamento?

O amor é uma coisa muito difícil. Não é algo que se possa controlar ou comandar. Mas com a Melanie, sinceramente, penso que o meu amor por ela cresceu e evoluiu ao longo dos anos. E isto não é um cliché. Já passámos por muita coisa juntos e o que é surpreendente é que não tenhamos caído em maus hábitos ou passado a assumir o outro como garantido. Basicamente, gostamos de estar juntos e ambos nos sentimos gratos pela vida que conseguimos construir, para nós e para a nossa família.

O casamento precisa de trabalho para não se desmoronar?
Sim. Não se pode ignorar os problemas ou ir deixando coisas por resolver. Tem de se ser honesto e franco com os sentimentos. Se assim não for, vive-se uma mentira. E as mentiras destroem uma relação. A Melanie e eu confiamos no amor que temos um pelo outro e pela nossa filha. Queremos uma boa família e fazemos tudo para proteger e enriquecer esse sentimento. Lamento se isto parece fora de moda, mas, como espanhol que sou, a minha noção de família é muito forte.



Reese Witherspoon e Ryan Philippe
Apoio incondicional


Como é que se conheceram?

Foi na festa do meu 21.º aniversário. Uma amiga minha tinha-o convidado e sentimo-nos de imediato atraídos um pelo outro. Nessa altura, queria imenso estar com ele, mas Ryan tinha de ir para as filmagens (de Sei o que Fizeste no Verão Passado) na Carolina do Norte e, assim, acabámos por escrever cartas um ao outro. Como eu já não aguentava mais, reservei um voo para lhe fazer uma visita. Foi a me-lhor decisão que alguma vez tomei na vida. Quando lá cheguei, estava muito nervosa e com medo de estar a forçar as coisas, mas Ryan sugeriu que fôssemos dar uma volta de carro, e foi assim! Já na altura me sentia em enorme harmonia com ele. E agora, sinto-o ainda
com maior intensidade. É um homem maravilhoso que me apoia sempre, aconteça o que acontecer. É esse elemento que nos mantém unidos.

É bastante raro actores jovens e razoavelmente conhecidos casarem tão novos e é ainda mais raro estarem a criar um filho numa altura em que as respectivas carreiras e vidas estão em constante transformação.
A minha gravidez não foi planeada, mas desde o primeiro dia em que nos conhecemos, Ryan e eu
percebemos que queríamos passar o resto da vida juntos.

Reese Witherspoon
e Ryan Philippe,
um dos mais
jovens casais
de Hollywood,
têm crescido
juntos, fazendo
um esforço
para ajustar as
diferenças entre si.

Já tí-nhamos falado em casamento e, portanto, quando soubemos que eu estava grávida, foi só uma questão de escolher

a data antes de eu ficar demasiado barriguda! (Ava nasceu três meses após o casamento)

Alguma vez se preocupou com a possibilidade de as coisas estarem a andar demasiado depressa na vossa relação?
Não. Sempre acreditei que devíamos perceber quem deveria ser o parceiro da nossa vida, logo no primeiro momento em que o conhecêssemos. Foi isso que Ryan e eu sentimos desde o início e, por isso, sempre nos sentimos muito seguros dos nossos sentimentos. Sabemos ambos que existem muitas pressões ligadas ao facto de sermos actores e de termos de lidar com a fama - mas não se pode viver a vida com medo disso. Sabemos que é um enorme desafio porque somos jovens e estamos ainda a apostar nas nossas carreiras. Mas, acima de tudo, o nosso casamento tem assentado em fazermos esta maravilhosa caminhada juntos e em estarmos dispostos a resolver os problemas estúpidos e mesquinhos que levam muitos casais a separar-se, especialmente quando se é mais novo e se está menos disposto a assumir um compromisso duradouro com alguém. Nós pensámos que seria bom assumir esse compromisso, muito embora soubéssemos que seria arriscado.

Houve alguns ajustamentos a fazer quando decidiram viver juntos?
Decidimos que ambos tínhamos de aprender a cozinhar. Éramos um desastre na cozinha e, passado algum tempo, tornou-se ridículo termos de encomendar comida ou ir jantar fora todas as noites. Acabei por comprar uma série de li-vros de culinária. Falámos também com as nossas mães sobre o modo de funcionar com o fogão e outras coisas básicas do género. (Ri)

De que forma o casamento e a maternidade afectaram a sua atitude perante a vida?
Comecei a descontrair-me mais e a não ser tão competitiva. Tenho a personalidade clássica de tipo A, e até dei à minha pequena produtora cinematográfica o nome de Type A Films, porque tenho uma forte tendência para ser compulsiva e ansiosa. Mas estou a tentar ser menos rígida. O Ryan tem, de uma maneira geral, uma atitude tão positiva em relação à vida que o facto de ele estar comigo ajuda-me a abandonar o meu comportamento frenético, do tipo: "Oh! meu Deus, não tenho tempo, tenho 50 coisas para fazer hoje..."



Richard Gere e Carey Lowell
Paz de espírito


Casou recentemente com Carey Lowell depois de, durante anos, dizer que não estava realmente interessado em casar-se e que o casamento não era importante para si...
Sinceramente, não pensei que fosse abso-lutamente necessário. Temos sido muito felizes juntos e há já bastante tempo.
Era como se fosse um casamento. Mas depois, começámos a falar sobre o assunto e a ideia começou a ganhar força própria. Por fim, pensámos ambos que seria uma forma de celebrar a nossa felicidade. E foi um momento maravilhoso e muito espiritual.

Richard Gere
encontrou em Carey
Lowell o tipo de
amor que procurara
durante muito tempo.
Agora, vive a
"felicidade suprema".

Sente alguma diferença?
Tenho de admitir que é muito estimulante ver-me casado com esta mulher maravilhosa. Carey é verdadeiramente extraordinária e o tipo de companhia que descobrimos juntos é algo que eu nunca experimentara antes. Gostaria muito que este sentimento, que existe

nesta altura na minha vida, nunca desaparecesse.
Procuramos tantas vezes este tipo de paz de espírito, estar na companhia da mulher certa, que ficamos desesperados se não o conseguimos encontrar. Mas quando conheci a Carey, apercebi--me logo desde o primeiro dia que havia qualquer coisa na personalidade dela, na sua afabilidade e na sua maneira de ser que eu sabia ser bom para mim. E veja como resultou! (Ri)

Há imensos homens que parecem ser muito mais bem sucedidos em encontrar a mulher da vida deles numa fase mais tardia das suas vidas. Porque é que acha que isso acontece?

Apenas posso dizer que, no meu caso, o medo teve muito a ver com o facto de não conseguir encontrar alegria na mi-nha vida e nas minhas relações. É preciso aprendermos a abrir-nos, aprender a en-terrar os medos e todas as outras barreiras que erguemos para nos defender, a fim de descobrir que o verdadeiro problema está precisamente nessas defesas.

O que é que a Carey Lowell lhe trouxe, em termos da sua própria perspectiva e sentimentos em relação à vida?

Quando a conheci, ela deu-me uma sensação de segurança por estar com ela que nem consigo bem explicar. Penso que toda a gente fica melhor à medida que se vai sentindo menos assustada. E com a Carey, aprendi a ser mais paciente, mais aberto e mais curioso em relação a tudo, em vez de me fechar ao mundo. Tem sido um longo caminho, mas sinto que consegui libertar-me de muitos sentimentos de culpa e de sofrimento inútil. Ela teve um papel extremamente importante ao ajudar-me a chegar ao ponto em que posso dizer que desfruto cada momento da vida, excepto talvez quando tenho de me levantar às três da manhã para mudar a fralda ao Homer. (Ri)

Ter-se-ia casado se não sentisse tudo isso?
Provavelmente, não. O género de libertação que senti no meu modo de pensar tornou muito mais fácil o apreciar a vida com a Carey. É a minha alma-gémea.

 



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