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Nem tudo o que luz se desfaz.
Três casais célebres apostaram na construção
de um relacionamento estável. E contam os seus
segredos.
O amor, embora
frágil e desconcertante, é uma das coisas
mais maravilhosas da vida. Atingem-se momentos de êxtase
em comunhão com a pessoa amada. E depois todos
co-nhecemos aqueles momentos terríveis, quando
o amor desaparece... e com ele, a nossa fé na
vida.
Em cada uma das histórias de amor que a seguir
apresentamos, é diferente o elemento que une
o casal e mantém juntos os seus membros. Antonio
Banderas encontrou em Melanie Griffith uma chama, uma
fragilidade e um amor verdadeiro compulsivos e muito
atraentes. O caso de Reese Witherspoon e Ryan Philippe
é um exemplo de muito trabalho, ajustamento das
diferenças, de experimentar a sensação
de crescer juntos e partilhar o caminho da vida. Quanto
a Richard Gere e Carey Lowell, foi a sensação
de paz e equilíbrio que Lowell trouxe a Gere
depois de ele ter procurado em vão, durante tantos
anos, a sua alma-gémea.
Antonio Banderas e Melanie
Griffith
Não assumir o outro como certo
O que é
que há na Melanie que tanto o atraiu?
Acho que, no momento em que a co-nheci, vi aquele sorrisinho
maravilhoso e sedutor, extremamente emocionante e dramático.
Ela consegue parecer muito doce e tranquila e, depois,
lança aquele olhar inesperado, tão erótico
e devastador. A Melanie possui aquele género
de carisma a que é impossível resistir.
É uma mulher que precisa desesperadamente de
dar amor e de ser amada. Não há nada mais
maravilhoso e atraente do que isso.
O Antonio e
a Melanie conseguiram ficar juntos, enquanto muitos
casamentos de Hollywood se desfizeram. Qual é
o segredo?
Penso que a força que suporta qualquer casamento
ao longo do tempo é o amor e a afeição
profundos que se tem um pelo outro. Esse tipo de ternura
e compreensão ajuda-nos nos momentos difíceis,
que ocorrem em qualquer relação. É
preciso ter consciência de que ninguém
é perfeito, de que ninguém está
sempre
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Antonio Banderas encontrou em
Melanie Griffith uma chama,
uma fragilidade
e um amor
verdadeiro, que
o actor considera muito atraentes.
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com boa disposição
e de que, de vez em quando, todos nós precisamos
de apoio. A Melanie e eu apoiamo-nos um ao outro de
maneira diferente. Só paixão e sexo não
chega.
Os casais separam-se por
stress, por falta de atenção de um para
com o outro, por não se esforçarem o suficiente
para manter uma vida em comum. O amor não pode
fazer nada quando se discute a toda a hora por pequenas
coisas estúpidas, e se permite que os problemas
cresçam e se acumulem. A Melanie e eu falamos
sobre os assuntos e tentamos sempre certificar-nos de
que o outro está feliz com a forma como a relação
está a evoluir. Nunca assumimos o outro como
certo e acho que provavelmente é essa a chave.
É difícil continuar apaixonado por muito
tempo, com todos os altos e baixos e mudanças
que ocorrem numa relação ou num casamento?
O amor é uma coisa muito difícil. Não
é algo que se possa controlar ou comandar. Mas
com a Melanie, sinceramente, penso que o meu amor por
ela cresceu e evoluiu ao longo dos anos. E isto não
é um cliché. Já passámos
por muita coisa juntos e o que é surpreendente
é que não tenhamos caído em maus
hábitos ou passado a assumir o outro como garantido.
Basicamente, gostamos de estar juntos e ambos nos sentimos
gratos pela vida que conseguimos construir, para nós
e para a nossa família.
O casamento precisa de trabalho para não
se desmoronar?
Sim. Não se pode ignorar os problemas ou ir deixando
coisas por resolver. Tem de se ser honesto e franco
com os sentimentos. Se assim não for, vive-se
uma mentira. E as mentiras destroem uma relação.
A Melanie e eu confiamos no amor que temos um pelo outro
e pela nossa filha. Queremos uma boa família
e fazemos tudo para proteger e enriquecer esse sentimento.
Lamento se isto parece fora de moda, mas, como espanhol
que sou, a minha noção de família
é muito forte.
Reese Witherspoon e Ryan Philippe
Apoio incondicional
Como é que se conheceram?
Foi na festa do meu 21.º aniversário. Uma
amiga minha tinha-o convidado e sentimo-nos de imediato
atraídos um pelo outro. Nessa altura, queria
imenso estar com ele, mas Ryan tinha de ir para as filmagens
(de Sei o que Fizeste no Verão Passado) na Carolina
do Norte e, assim, acabámos por escrever cartas
um ao outro. Como eu já não aguentava
mais, reservei um voo para lhe fazer uma visita. Foi
a me-lhor decisão que alguma vez tomei na vida.
Quando lá cheguei, estava muito nervosa e com
medo de estar a forçar as coisas, mas Ryan sugeriu
que fôssemos dar uma volta de carro, e foi assim!
Já na altura me sentia em enorme harmonia com
ele. E agora, sinto-o ainda
com maior intensidade. É um homem maravilhoso
que me apoia sempre, aconteça o que acontecer.
É esse elemento que nos mantém unidos.
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É bastante
raro actores jovens e razoavelmente conhecidos casarem
tão novos e é ainda mais raro estarem
a criar um filho numa altura em que as respectivas carreiras
e vidas estão em constante transformação.
A minha gravidez não foi planeada, mas desde
o primeiro dia em que nos conhecemos, Ryan e eu percebemos
que queríamos passar o resto da vida juntos.
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Reese Witherspoon
e Ryan Philippe,
um dos mais
jovens casais
de Hollywood,
têm crescido
juntos, fazendo
um esforço
para ajustar as
diferenças entre si.
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Já tí-nhamos
falado em casamento e, portanto,
quando soubemos que eu estava grávida, foi só
uma questão de escolher
a data
antes de eu ficar
demasiado barriguda! (Ava nasceu três meses após
o casamento)
Alguma vez se preocupou com a possibilidade de as
coisas estarem a andar demasiado depressa na vossa relação?
Não. Sempre acreditei que devíamos perceber
quem deveria ser o parceiro da nossa vida, logo no primeiro
momento em que o conhecêssemos. Foi isso que Ryan
e eu sentimos desde o início e, por isso, sempre
nos sentimos muito seguros dos nossos sentimentos. Sabemos
ambos que existem muitas pressões ligadas ao
facto de sermos actores e de termos de lidar com a fama
- mas não se pode viver a vida com medo disso.
Sabemos que é um enorme desafio porque somos
jovens e estamos ainda a apostar nas nossas carreiras.
Mas, acima de tudo, o nosso casamento tem assentado
em fazermos esta maravilhosa caminhada juntos e em estarmos
dispostos a resolver os problemas estúpidos e
mesquinhos que levam muitos casais a separar-se, especialmente
quando se é mais novo e se está menos
disposto a assumir um compromisso duradouro com alguém.
Nós pensámos que seria bom assumir esse
compromisso, muito embora soubéssemos que seria
arriscado.
Houve alguns ajustamentos a fazer quando decidiram
viver juntos?
Decidimos que ambos tínhamos de aprender a cozinhar.
Éramos um desastre na cozinha e, passado algum
tempo, tornou-se ridículo termos de encomendar
comida ou ir jantar fora todas as noites. Acabei por
comprar uma série de li-vros de culinária.
Falámos também com as nossas mães
sobre o modo de funcionar com o fogão e outras
coisas básicas do género. (Ri)
De que forma o casamento e a maternidade afectaram
a sua atitude perante a vida?
Comecei a descontrair-me mais e a não ser tão
competitiva. Tenho a personalidade clássica de
tipo A, e até dei à minha pequena produtora
cinematográfica o nome de Type A Films, porque
tenho uma forte tendência para ser compulsiva
e ansiosa. Mas estou a tentar ser menos rígida.
O Ryan tem, de uma maneira geral, uma atitude tão
positiva em relação à vida que
o facto de ele estar comigo ajuda-me a abandonar o meu
comportamento frenético, do tipo: "Oh! meu
Deus, não tenho tempo, tenho 50 coisas para fazer
hoje..."
Richard Gere e Carey Lowell
Paz de espírito
Casou recentemente com Carey Lowell depois de, durante
anos, dizer que não estava realmente interessado
em casar-se e que o casamento não era importante
para si...
Sinceramente, não pensei que fosse abso-lutamente
necessário. Temos sido muito felizes juntos e
há já bastante tempo.
Era como se fosse um casamento. Mas depois, começámos
a falar sobre o assunto e a ideia começou a ganhar
força própria. Por fim, pensámos
ambos que seria uma forma de celebrar a nossa felicidade.
E foi um momento maravilhoso e muito espiritual.
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Richard Gere
encontrou em Carey
Lowell o tipo de
amor que procurara
durante muito tempo.
Agora, vive a
"felicidade suprema".
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Sente alguma diferença?
Tenho de admitir que é muito estimulante ver-me
casado com esta mulher maravilhosa. Carey é verdadeiramente
extraordinária e o tipo de companhia que descobrimos
juntos é algo que eu nunca experimentara antes.
Gostaria muito que este sentimento, que existe
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nesta altura na minha vida, nunca desaparecesse.
Procuramos tantas vezes este tipo de paz de espírito,
estar na companhia da mulher certa, que ficamos desesperados
se não o conseguimos encontrar. Mas quando conheci
a Carey, apercebi--me logo desde o primeiro dia que
havia qualquer coisa na personalidade dela, na sua afabilidade
e na sua maneira de ser que eu sabia ser bom para mim.
E veja como resultou! (Ri)
Há imensos homens que parecem ser muito mais
bem sucedidos em encontrar a mulher da vida deles numa
fase mais tardia das suas vidas. Porque é que
acha que isso acontece?
Apenas posso dizer que, no meu caso, o medo teve muito
a ver com o facto de não conseguir encontrar
alegria na mi-nha vida e nas minhas relações.
É preciso aprendermos a abrir-nos, aprender a
en-terrar os medos e todas as outras barreiras que erguemos
para nos defender, a fim de descobrir que o verdadeiro
problema está precisamente nessas defesas.
O que é que a Carey Lowell lhe trouxe, em termos
da sua própria perspectiva e sentimentos em relação
à vida?
Quando a conheci, ela deu-me uma sensação
de segurança por estar com ela que nem consigo
bem explicar. Penso que toda a gente fica melhor à
medida que se vai sentindo menos assustada. E com a
Carey, aprendi a ser mais paciente, mais aberto e mais
curioso em relação a tudo, em vez de me
fechar ao mundo. Tem sido um longo caminho, mas sinto
que consegui libertar-me de muitos sentimentos de culpa
e de sofrimento inútil. Ela teve um papel extremamente
importante ao ajudar-me a chegar ao ponto em que posso
dizer que desfruto cada momento da vida, excepto talvez
quando tenho de me levantar às três da
manhã para mudar a fralda ao Homer. (Ri)
Ter-se-ia casado se não sentisse tudo isso?
Provavelmente, não. O género de libertação
que senti no meu modo de pensar tornou muito mais fácil
o apreciar a vida com a Carey. É a minha alma-gémea.
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