Assinar Revista | PDA
Newsletter
Directório:  Acessórios | Beleza | Calçado | Vestuário | Marcas | Vestuário

  Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA
Pesquisar

 
Subscrever Máxima




SOCIEDADE


Valter Hugo Mãe é revolucionário, intrigante, afectuoso. A pena corre-lhe ligeira. A máquina de fazer espanhóis é mais uma surpresa. Para ler já.

Por leonor xavier l fotografia de pedro bettencourt

Em 2004, o nosso reino apareceu como um dos melhores romances portugueses do ano. Em 2007, o romance o remorso de baltazar serapião foi distinguido pelo Prémio Saramago. E de tão revolucionário, o próprio Saramago lhe chamou “tsunami”. Letras minúsculas em títulos e texto? Tal e qual, para que o leitor não vá devagar e chegue à derrapagem por dentro, e mais ainda. Deliciosa sensação, a de estar perto de valter hugo mãe, o escritor intrigante, afectuoso e celebrado no tempo presente. Depois de 10 livros de poesia, o recém-editado a máquina de fazer espanhóis (Objectiva) é o seu quarto romance, pretexto para o encontro aqui contado.

Conversamos sobre a escrita de um romance, a caneta corre-lhe pelo bloco: “Os blocos lisos dão-me conforto, escrevi neles muitos poemas, muitas das vezes, ilustro quando escrevo, a limpeza das páginas sem linhas é convidativa.”

Não recusa a espiritualidade e sugere o seu ambiente de criador, aprendiz e artesão da palavra: “Todos os dias escrevo ou desenho. Gosto de cinema e de música erudita. Oiço suites de violoncelo, as bandas sonoras mais fixas da minha escrita. Bach, quando morreu, deve ter explicado a Deus o que era a música. Com a voz, acompanho desde a Callas à Calcanhotto.”

Encadeia-se, então, a entrevista.

“SOU MAIS FEMINISTA
QUE
a maioria das
mulheres, vivi com
ulheres, fui criado com
duas irmãs mais velhas,
era uma criança viva,
f alante e andante.”


Depois de 10 livros de poesia,
o recém- -editado a máquina
de fazer espanhóis (Objectiva)
é o quarto romance de valter
hugo mãe.
 
Nos dois primeiros romances tratou da realidade através da ficção?
Os dois obedecem ao mesmo princípio áspero, começam por desconhecer tudo. No primeiro, a ignorância tem a ver com a ingenuidade, no não saber sem culpa. No segundo, tem a ver com a estupidez, no não saber e ter culpa. o nosso reino é uma história inspirada nos desígnios divinos, contada por um rapaz de oito anos. É um livro de aprendizagem num tom disfórico (ao contrário de eufórico), palavra bonita que às vezes uso para falar de um longo processo de desencantamento. o remorso de baltazar serapião era uma referência complexa porque se completa de várias maneiras. Primeiro pelo seu despudor em relação à língua, algo que eu adopto, porque considero que tenho uma liberdade de criação em relação à língua portuguesa. O baltazar é uma personagem universal, dirige-se sempre ao colectivo dos homens. Não se escreve por efeito retórico nem por satisfação artística, mas porque se faz uma verdadeira reflexão sobre o que é o ser humano. Acima de tudo, o escritor é um humanista, preocupado com uma existência maior. Eu vivo isso, identifico-me com isso.

Não é um livro de leitura fácil.
Escolhi o tema porque a violência me repugna. O livro é uma reflexão sobre as mulheres e uma defesa da condição feminina. Sou mais feminista que a maioria das mulheres, vivi com mulheres, fui criado com duas irmãs mais velhas, era uma criança viva, falante e andante. Isso foi um privilégio. Quando ao crescer comecei a aperceber-me de que o mundo não é tão belo como os olhos das crianças o vêem, fui desenvolvendo uma angústia em relação ao universo das mulheres. Aflige-me que assente na fragilidade e sensibilidade. Mas é o preconceito dos homens na maneira de tratar as mulheres que as leva a serem assim. Ai tão bonita, coitadinha”, diz-se no Norte, esse é um estigma. Alguém dizia que as mulheres governam a casa e os homens o mundo.A médio prazo, o futuro pertence às mulheres, tem havido uma demissão do homem como ser humano instruído. Elas têm vontade de chegar mais longe. Nas escolas onde vou o grande bolo dos bons alunos são as alunas.

Retomou o tema da condição das mulheres em o apocalipse dos trabalhadores.
As duas personagens principais são duas mulheres-a-dias, Maria da Graça e Quitéria, e completa-se um trio com um rapaz ucraniano, Andriy, para tentar sentir a diferença entre um indivíduo que tem uma profissão desfavorecida e a exerce com naturalidade, com a qual se sente bem, e o contrário.

Agora, em a máquina de fazer espanhóis, escreve sobre os homens e o amor.
A máquina aparece como necessidade de pensar sobre o que é isso de morrer de amor, há a reclamação do amor absoluto. A história passa-se num lar da 3.º idade através de um homem de 84 anos, barbeiro, desde o dia em que morre a companheira de quase meio século de vida. O senhor Silva deseja que no momento da morte de alguém que amamos haja esquecimento, para que a vida seja suportável. Porque a sobrevivência é pura violência, esta é uma ideia de protesto. Se ele não pôde morrer no momento em que morreu a sua mulher amada, ao menos que essa morte implicasse o esquecimento. A memória é o sofrimento, é a grande sentença.

Mas a memória está presente, com um certo humor.
Há uma certa saudade dos dias da ditadura. Há uma repulsa, e ao mesmo tempo recordações doces de infância e dos tempos de namoro, como que misturando as coisas hediondas com as “saudades do nosso tempo”. O título do livro é uma alusão a um sentimento que perdura e se acentua de que se fôssemos espanhóis, seríamos melhores. Vou mexer com tópicos fundamentais da nossa cultura. Há muitos Silvas. O “Esteves sem metafísica” da “Tabacaria” estaria vivo, a fazer a memória viva de um dos maiores poemas da nossa literatura. A primeira “máquina” é a de roubar a metafísica às pessoas e transformá-las em não praticantes. Há muitos “católicos não praticantes”, por exemplo. O humor é a possibilidade de sobreviver à tragédia.

Depois de ter sido advogado e editor, é poeta e escritor. Como aconteceu?
Nasci no norte de Angola, em Saurimo, na região dos diamantes. Os meus pais são de Guimarães, depois do 25 de Abril foram para Paços de Ferreira, onde fiquei até aos nove anos, e daí passei a viver em Vila do Conde, até hoje. Fiz Direito, fui advogado, comecei a trabalhar no Centro de Estudos Regianos, depois criei a Quasi Edições. O Centro foi uma passagem. Entendi que a carreira política não me interessava, adorei estudar Direito, adorei a escola e a escrita e a leitura do Direito, mas o exercício não dava para mim, porque me compadeço demasiado com a dor dos outros. A maior parte dos casos que tive eram divórcios, e dos vários que fiz, nunca defendi os homens, sempre as mulheres. O que saltava aos olhos é que as mulheres começavam a chorar e eu também. As situações são tão terríveis. Depois descobri que queria trabalhar em cultura.

Não seria essa a sua vocação?
Tenho uma organização emotiva para o que faço, sou desligado de valores materiais, acho que tenho coisas a mais. Tenho a felicidade de ter muitos amigos, e o meu comportamento é cristão no sentido de fazer aos outros o que gostava que me fizessem a mim. Ofereço primeiras edições às vezes raríssimas, as coisas transitam para casa das outras pessoas independentemente do valor material. Aprendi muita coisa, não sou um homem experiente, mas as experiências passam pela cabeça. Todos nós contemos o grande mistério da vida da humanidade, mesmo aqueles que se acham fora desse mistério.














Anunciar on-line | Assinaturas | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo| Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.