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ESTRELA DO MÊS
ESTRELA

Mais uma star no firmamento da sétima arte. Abbie Cornish tem tudo para brilhar e ofuscar. Os holofotes já estão preparados. mas ela não tem pressa.
Por Ileana Young


Abbie Cornish é australiana, tem 26 anos e nasceu numa quinta em Hunter Valley. Na adolescência inscreveu-se num concurso de modelos para se divertir e acabou por ganhá-lo. Não tardou muito até que o mundo do espectáculo arrebatasse esta beldade loira e ela compreendesse como gostava de representar. Cornish atraiu as atenções de Hollywood com o seu terno e delicado retrato de Heidi no filme independente australiano Salto Mortal e logo apareceu em filmes como Um Ano Especial, Elizabeth – A Idade do Ouro e Stop-Loss – Negócio de Sangue. Foi durante a rodagem deste último que conheceu o seu actual companheiro, Ryan Phillippe, que na altura ainda estava casado com Reese Witherspoon, vencedora do Óscar de Melhor Actriz em 2006. Agora, Abbie brilha no mais recente filme de Jane Campion, Estrela Cintilante, o qual se debruça sobre o romance de três anos entre John Keats (Ben Whishaw), poeta inglês do século XIX que morreu prematuramente aos 25 anos, e Fanny Brawne (Abbie Cornish), o seu derradeiro amor.


DUPLA SENSAÇÃO Encontro com o glamour e a feminilidade.

Assistimos, realmente, a um grande salto desde o seu filme de 2004, Salto Mortal, até [ao mais recente festival de] Cannes. É a primeira vez que aqui está?
Não, a primeira vez foi em 2000. Na altura andava a calcorrear a Europa de mochila às costas e estava a ser promovido em Cannes um filme em que participei. Comprei um passe e passava o dia inteiro metida no cinema. Durante uma semana vi três filmes por dia e depois prossegui a minha viagem durante mais seis meses. Nunca teria imaginado ver-me neste lugar. Lembro-me de ter vindo aqui e de ver a Cate Blanchett percorrer a passadeira vermelha, mas jamais me passaria pela cabeça que um dia faria o mesmo.

O filme foi muito elogiado e numerosos críticos chamaram-lhe a nova Nicole Kidman.
Essa é nova…

O que pensa disso?
Não me importo. Ela é uma mulher lindíssima e tem feito uma excelente carreira. Acho que não é mau, pois não?

Qual foi a sua reacção quando soube que a realizadora Jane Campion estava interessada em si? Gosta dos filmes dela?
Gosto, sim. Lembro-me de ter visto O Piano já há muito tempo. Não voltei a vê-lo porque não senti necessidade. É um filme que fica connosco, agarrado à nossa pele. Continuamos a sentir o ambiente, a ver os soalhos de madeira, o piano na sala e aquela paisagem, aquela neblina...

Gostou de vestir todo aquele guarda-roupa [nomeado para o Óscar de 2010] em Estrela Cintilante?
Humm… de certa forma, sim. Quero dizer, os vestidos eram tantos que se tornava um pouco cansativo. Fiz filmes em que tive a sensação de vestir sempre a mesma roupa. Em Stop-Loss tinha duas ou três roupas diferentes e, passadas quatro semanas, estava farta de vestir sempre a mesma coisa. Neste filme, pelo contrário, tinha um vestido diferente quase todos os dias e, por vezes, três num dia só…

 


“O MOMENTO EM QUE EU ME APAIXONEI
PELA REPRESENTAÇÃO FOI O PRIMEIRO
EM QUE ALGUÉM DISSE ‘ACÇÃO!’
E ‘CORTA!’”

Ficou com alguma coisa do guarda-roupa da sua personagem?
Fiquei com uma ou duas peças da Fanny; um casaquinho de lã tricotado à mão e mais duas ou três recordações. Gostava muito de ter ficado com um casaco preto que ela usa no fim do filme, quando está de luto, mas não mo puderam dar. Adorava aquele casaco…

Teve de mudar muito de visual para este filme. Isso teve alguma influência positiva ou negativa na sua vida?
Foi muito bom ter só o cabelo pintado de escuro, com risca ao meio, e o mesmo visual todos os dias. A maquilhagem era só uma base muito leve, pó e bálsamo para os lábios. Portanto, o visual era muito simples e natural, o que é muito raro quando se faz um filme. Sem dúvida que nos ajuda a sentirmo-nos diferentes. E não temos de nos preocupar com esse aspecto. Os cabeleireiros e os maquilhadores tratam disso e nós podemos concentrar-nos só na representação.

O que acha que uma rapariga pode encontrar em Fanny?
Espero que as raparigas que vejam o filme se sintam com vontade de ser quem são. É curioso, porque embora Fanny seja uma rapariga que se preocupa com o que veste e com a moda, ela não é pretensiosa nem superficial. Gosta disso e pronto. Seria bom que o equilíbrio entre as duas coisas ajudasse as raparigas a fruir a vida e as coisas de que gostam, mas sem deixar que isso as obceque. Acho que é difícil viver neste mundo, quer se seja velho ou novo, mas preocupam-me mais os jovens, pois ainda têm de descobrir quem são e ganhar maturidade. Se fizermos o que está ao nosso alcance para os amparar nesse processo, o mundo será um bocadinho melhor. Não sei, mas espero que Fanny exerça uma boa influência.

Que idade tinha quando entrou para o mundo do espectáculo?
Quinze anos.

De que andava à procura então na sua vida e na sua profissão?
Aos 15 anos? Para ser franca, não sabia o que procurava. Só sei que era muito divertido. Quando era miúda não queria ser actriz quando fosse grande, pelo que não alimentava nenhumas expectativas em relação a isso. Não tinha ideias feitas de como as coisas poderiam correr ou do futuro que queria para mim.

Mas houve um determinado momento em que sentiu que queria fazer carreira na representação?
Sei que parece estranho, mas o momento em que eu me apaixonei pela representação foi o primeiro em que alguém disse “Acção!” e depois “Corta!”. Foi uma sensação incrível. Adorei essas palavras e adorei o processo de realização. Interessou-me imenso o que as diversas pessoas faziam: o trabalho do director de fotografia, como se dispunham as luzes, como se estruturava a filmagem de uma cena – faz-se o plano de conjunto, depois o médio, depois o grande plano... Eu fiquei pasmada: “Ah, então é assim que eles fazem...” Começamos a perceber como se faz cinema e televisão, como acontece aquela magia.

Não tendo nenhum familiar na indústria cinematográfica e tendo crescido numa quinta, como é que foi parar a este meio?
Quando tinha 15 anos, fui com umas amigas a um concurso de modelos, numa de brincadeira. Como ganhei o concurso, passei a ter uma agente, e um dia a minha agente telefonou e perguntou-me se eu gostava de representar. Ora eu fazia peças na escola, como a maior parte dos miúdos, e respondi: “Sim, acho que sim…” Aí ela mandou-me a uma audição, eu consegui o papel e apaixonei-me por este trabalho.

A propósito de paixão, até onde iria por amor?
Até ao fim do mundo.













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