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Há
muito que se conhecem as propriedades medicinais do mel
e dos unguentos naturais feitos a partir de abe-lhas trituradas.
Agora é a vez de explorar outro conhecimento antigo:
o poder do veneno destes insectos na cura de algumas doenças
e na estabilização de outras.
A forma como a apipunctura se processa é muito
simples: de acordo com o quadro clínico do paciente
e recorrendo aos pontos reflexos da acupunctura, executam-se
as picadas. Na prática, “o terapeuta tem
apenas de segurar a abelha com uma pinça e aproximá-la
do corpo do paciente”, diz António Couto,
especialista no assunto e presidente da Associação
Portuguesa de Apiterapia. O resto é com o insecto,
“que sabe sempre o sítio onde picar”.
Uma dor e um ligeiro inchaço são as consequências
imediatas do contacto da abe-lha com a pele. Impressionante?
Talvez, mas a experiência mostra-se francamente
compensadora, regra geral a curto prazo.
“A apitoxina (o veneno da abelha) é um anti-inflamatório
bem mais potente que a cortisona”, diz António
Couto, assegurando que não existe qualquer possibilidade
do organismo humano criar anticorpos contra o veneno de
abelha. “As picadas tornam-se cada vez mais eficazes
ao longo da terapia.”
| Os benefícios
do veneno da abelha Segundo
António Couto, a apitoxina pode ser utilizada
na presença das seguintes doenças:
• Cardiovasculares (cardiologia)
• Sistema ósseo-muscular
• Sistema nervoso (neurologia)
• Doenças oftálmicas
• Doenças dermatológicas
• Do sistema endócrino
• Do aparelho genital
• Do sistema imunológico
• Doenças virais
• Doenças cancerígenas |
A apitoxina
é produzida por uma glândula de secreção
alcalina contida no interior do abdómen do insecto.
É um composto complexo de enzimas, peptídeos
e aminoácidos, e contém hidratos de carbono
e lípidos em pequenas quantidades. Na sua composição
destacam-se a melitina, um excelente antibacteriano, e
a apamina, que, entre outros benefícios, tem um
efeito estimulante de libertação de cortisona
natural no organismo.
Segundo o apiterapeuta, os tratamentos são faseados
por várias sessões, de acordo com a doença
em causa e a fase em que esta se encontra. Por exemplo,
há quadros clínicos que podem implicar apenas
uma ou duas sessões. Seja como for, não
existem dúvidas: convenientemente orientada por
um especialista, a picada de abelha pode tornar-se realmente
um benefício. “A apipunctura funciona quer
ao nível da prevenção como do tratamento
de várias doenças, tais como o reumatismo,
as lombalgias, a dor ciática, a hipertensão
arterial e até mesmo a esclerose múltipla,
entre outras”, garante. No caso, não é
possível falar de cura efectiva, mas o apiterapeuta
assegura que se obtêm resultados significativos
com estes doentes: têm menos dores, ga-nham equilíbrio.
Em síntese: “Trava a evolução
da doença.” Porém, o especialista
assegura que é possível curar outras patologias,
através deste método natural. Nomeadamente
situações de sinusite e asma.
Apesar dos benefícios, este tratamento não
pode ser administrado a todos os indivíduos, nomeadamente
aos que têm hipersensibilidade ao veneno dos himenópteros,
pois a picada da abelha pode tornar-se fatal.
Mas a apipunctura
é apenas uma das alternativas terapêuticas
da apiterapia. Nos cuidados naturais de saúde são
igualmente utilizados todos os outros produtos da colmeia
“A maior parte das pessoas é tratada exclusivamente
com um ou mais produtos da colmeia, outras, começando
por estes, podem, posteriormente, iniciar um tratamento
de apitoxina”, explica. Os produtos são tomados
ou usados diariamente em forma de comprimidos, extracto
líquido e pomadas ou até em sabonete.
| Contra-indicações
da apitoxina Apesar
dos benefícios do veneno da abelha nem
todas as pessoas podem submeter-se ao tratamento.
Segundo António Couto, este não
deve ser administrado a pessoas que sofram das
seguintes patologias:
• Hipersensibilidade (alergia ao veneno)
• Diabetes
• Doenças infecciosas agudas (tuberculose)
• Doenças psíquicas
• Doenças agudas de fígado
e supra-renais
• Doenças renais
• Sífilis
• Anemia
• Transtornos hemorrágicos e anémicos
• Esgotamento generalizado do organismo
• Úlceras
• Nos períodos de pré ou pós-operatório
• Tumores malignos
• Cardiopatias
• Insuficiência cárdio-renal
• Pacientes com temperatura elevada |
Altamente energético,
o mel possui uma boa parte de elementos minerais essenciais
para o organismo humano, enzimas, aminoácidos e
proteínas. As suas propriedades medicinais e efeitos
são imensos – especialmente antibacteriana,
antibiótica, anti-inflamatória, é
regenerador dos tecidos conjuntivos e celular, funciona
como tónico cardíaco e cicatrizante de feridas.
Este produto apícola está indicado para
as afecções do apare-lho respiratório,
perturbações intestinais, doenças
de fígado e reumáticas, fadiga física,
insónia, queimaduras da pele, úlceras de
estômago e cáries dentárias.
O pólen é composto por carbo-hidratos, vitaminas,
óleos, enzimas, aminoácidos e proteínas.
Funcionando como antialérgico, antibacteriano,
antipirético, anti-inflamatório, anabolizante,
antitóxico, entre muitas outras. O pólen
reduz as hemorragias e os níveis de colesterol
no sangue, ácidos gordos livres, triglicéridos,
lipoproteínas beta e albuminas e ainda o risco
de enfermidades genéticas. Melhora o fluxo sanguíneo,
a flora intestinal e as funções da tiróide,
protege o corpo dos efeitos negativos da quimioterapia,
fortalece os vasos capilares, regula o peso corporal,
melhora as funções cerebrais e aumenta a
hemoglobina e a produção de glóbulos
vermelhos. Os seus benefícios são muito
vastos – por exemplo, para o sistema cardiovascular,
imunitário, urinário, respiratório
e nervoso. Está indicado para os problemas gástricos
e duodenais, de esófago e hepáticos, nos
casos de senilidade e na presença de disfunções
sexuais.
A própolis
é composta por ácidos gordos e secreções
das glândulas salivares das abelhas. Tem propriedades
antivirais, anti-inflamatórias, anti-infecciosas
e desinfectantes, e é um anestésico local.
A própolis nutre e protege o corpo contra as
radiações, estimula a regeneração
das células. Está indicada nas situações
de doenças pulmonares, oncológicas e oftálmicas,
sendo ainda utilizada para fins ginecológicos
e para reforço do sistema imunitário.
“Tomada por via oral, a geleia está indicada
como estimulante biológico e energético
das diferentes funções do organismo e
revitalizante dos órgãos, na generalidade.”
Tem efeitos benéficos ao nível da prevenção
das doenças infecciosas, actuando favoravelmente
sobre a arteriosclerose, as anemias, depressões
e úlceras. A cera segregada pelas abelhas obreiras
é aproveitada em uso externo – dores lombares,
artrose, acne – e uso interno – febre do
feno, problemas das gengivas e prisão de ventre.
Utilizando todos os produtos da colmeia, a apiterapia
trata ainda algumas patologias com larvas de zangão
e pão de abelha. Este último encontra-se
indicado no cansaço psíquico, nas situações
de impotência sexual, infertilidade, disfunções
digestivas, faringite e laringite crónicas e
envelhecimento prematuro.
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