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Quem
é a nova mulher renascentista? Como é que,
no século XXI, nos podemos deixar seduzir pelo
que se passou há cinco ou seis séculos?
Sabemos que as mulheres dessa época eram belas
e bem aprumadas, de sorrisos misteriosos e retratadas
com códigos e símbolos precisos. Que segredos
ou regras seguiam para manter vivo o nosso fascínio
por elas?
Melissa Hamilton, autora do site www.romanceeverafter.com,
explica quem são e o que querem as representantes
desta nova tendência. “A mulher renascentista
moderna é alguém que possui um vasto leque
de conhecimentos, exulta auto-confiança e celebra
a beleza que é a sua feminilidade. Empenha-se em
fazer de si a melhor pessoa possível e está
aberta a novos conhecimentos, a desbravar lugares e a
adquirir cultura. O desafio é que, na sociedade
actual, a sua habilidade para crescer e descobrir-se pode
perder-se no ritmo frenético da sua vida diária.”
Além disso, ela encontra prazer nas pequenas coisas,
aprecia a cor de uma flor, escolhe para a sua casa acessórios
que imediatamente lhe transmitam bem-estar. Segundo estas
mulheres, afirma Melissa Hamilton, a vida é para
abraçar, mesmo quando parece escapar ao nosso controlo.
O nosso dia-a-dia não nos permite igualar o apogeu
da elegância sofisticada da rainha Elizabeth I,
por exemplo. Extremamente culta, a rainha privilegiou
as viagens e as descobertas. É esta abertura à
novidade e ao culto da imagem que inspira a mulher renascentista
moderna.
Tal como as suas antepassadas, esta
nova renascentista é sedenta de conhecimentos em
várias áreas: história, literatura,
escrita, fotografia, música, cinema, estética,
orgulhando-se da sua bagagem cultural. Para além
de absorver informação, tem prazer em partilhá-la
com os demais. Para ela, o conhecimento não acaba
depois de terminada a sua formação académica.
Aprender é trabalho de uma vida e isso significa
ser flexível às novas ideias. Devotar tempo
a si própria, tratar simultaneamente do físico
e do espírito, é uma ideia que a todas cativa.
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Elegância
Tudor
• Para
os adeptos das belíssimas roupas renascentistas
inglesas, o site www.tudorshopp.com apresenta uma
gama de acessórios deslumbrantes, bastante
acessíveis. O link é Clothing for
Woman
• O
objectivo dos criadores deste site concebido há
três anos é o de pferecer as melhores
reproduções possíveis. Não
admira que as séries televisivas de época
e os festivais renascentistas sejam clientes habituais. |
A chamada primeira-dama da Renascença,
Isabel d’Este (1474-1539), marquesa de Mântua,
governou sozinha após a morte do marido. O seu
pai, o duque de Ferrara, defendia que homens e mulheres
deviam ter a mesma educação. Aos 16 anos,
Isabel d’Este falava grego e latim, tocava harpa,
cantava, dançava e mantinha debates com pessoas
muito mais velhas. A educação esmerada contribuiu
para que fosse uma excelente chefe de Estado. Fundou uma
escola para raparigas, defendeu as artes, acolhendo escritores,
poetas e artistas na sua casa – os famosos cenáculos
do Renascimento –, lançando modas com a sua
imagem de glamour e sofisticação. Chegou
a escrever mais de duas mil cartas, comentando a política
e a guerra.
Se tudo isto foi possível no passado, o que impede
uma mulher inserida numa sociedade civilizada dos nossos
dias de ser ao mesmo tempo uma intelectual brilhante e
uma sensual ditadora de moda? Talvez o marido, o emprego
e as crianças. Segundo a defensora do conceito
da mulher renascentista moderna, “as mulheres são
as pessoas mais ocupadas, em particular as mães
que se situam entre os 30 e os 40 anos. É muito
duro manter um equilíbrio quando parece que cada
segundo é disputado”. A nova mulher sabe
que é fundamental encontrar um equilíbrio
saudável entre o prazer, o tempo para a família,
os amigos e o trabalho.
Investir em nós próprias e na nossa imagem
requer tempo. Quantas horas no cabeleireiro por causa
das madeixas, na depilação, nas massagens
e no próprio ginásio? Tudo por causa da
beleza, um ideal exigido e venerado, algo mutável
ao longo dos tempos.
Nos séculos XV e XVI, não se viveu o apogeu
das gordas, mas sim das mulheres bem constituídas.
A mulher devia ser roliça, de ancas largas e seios
generosos. Talvez a silhueta arredondada fosse fruto do
abuso da manteiga, das natas e doces, mas, para além
da formosura, a gordura era apanágio dos ricos
e diferenciava-os dos pobres, magros e pouco saudáveis.
O magnífico trio italiano, expoente máximo
da pintura do Renascimento – Leonardo da Vinci,
Miguel Ângelo e Rafael –, exibe nos seus trabalhos
a perfeição deste ideal de beleza. Podemos
ver grandes superfícies de carne leitosa nos frescos
da Capela Sistina. E tanto a Mona Lisa, de Leonardo, como
a Senhora com Unicórnio, de Rafael, representam
mulheres bem nutridas, de pele clara, ausência de
pálpebras e testas altas e arredondadas. O unicórnio
simboliza a castidade, reforçando a imagem de pureza
da dama.
Ser bela significava ainda ser loura,
mas ter sobrancelhas pretas, possuir lábios vermelhos,
o pescoço e as mãos compridos e esguios,
os pés pequenos, a cintura flexível, os
seios firmes, redondos e brancos, os mamilos róseos
e os olhos pretos ou castanhos. E o que fazer, meu Deus,
para cumprir todos estes requisitos?
As italianas passavam longas horas ao Sol, com a face
protegida, a fim de aclarar o cabelo. Lavavam-no também
com sumo de limão e aplicavam diversos preparados.
A meta era aquele cabelo louro, grosso, ondulado e comprido
de O Nascimento de Vénus, de Sandro Botticelli.
“Todas queriam ser louras e a arte biondeggiante
estava tão difundida que os homens exclamavam:
‘Não é possível encontrar,
em toda a península, uma única morena.’”
Dos Países Baixos à Itália, a moda
é para se respeitar. E apesar de o rímel
só aparecer no século XVIII, os cosméticos
abundavam. Mesmo contra a vontade dos homens, as renascentistas
usavam e abusavam de pós, cremes e pinturas.
“Na Itália do século XVI, dizia-se
que todas as mulheres das cidades usavam maquilhagem,
inclusive as lavadoras de pratos.”
As mulheres não eram tão
altas como hoje. A média europeia rondava o metro
e meio. Sendo assim, as saias compridas ajudavam a criar
a ilusão de uma altura maior. No vestuário,
as mulheres desde sempre souberam utilizar vários
truques para favorecer a sua figura. Assim, a fim de
destacar os seios, as renascentistas forçavam-nos
para cima, através dos cordões apertadíssimos
dos espartilhos.
Hoje, alguns criadores trouxeram para as suas colecções
elementos da estética renascentista. É
que, como se diz, a moda é cíclica e os
designers podem sempre inspirar-se em épocas
distantes ou prever tempos futuros.
A ideia de uma mulher se assumir como uma renascentista
moderna é tão-só a aliança
entre os cuidados dedicados ao corpo e ao espírito.
Provavelmente, já vivemos esta filosofia. Mas
ainda não tínhamos aprendido a reconhecê-la…
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Por uma
Beleza Real
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Um estudo encomendado pela
marca de cosméticos Dove, que com a campanha
publicitária Beleza Real tem como grande
objectivo contrariar a influência que os media
têm vindo a exercer ao definir parâmetros
irreais de beleza, concluiu que:
• Só 2 por cento das 3200 mulheres
inquiridas em 11 países se consideram bonitas
• Das inquiridas, 40 por cento afirma
que não se sente bonita
• Apenas 5 por cento fica confortável
em descrever-se como “gira” e 9 por
cento se considera atraente
• 13 por cento sente-se muito satisfeita
com a sua beleza; 17 por cento muito satisfeita
com o seu rosto e apenas 13 por cento diz que está
satisfeita com o seu corpo
• 68 por cento das inquiridas concorda
que os media e a publicidade definem parâmetros
irreais de beleza, que a maioria das mulheres nunca
conseguirá alcançar
• 57 por cento concorda que a beleza
feminina é definida de forma demasiado redutora
Esta campanha aposta na imagem de mulheres de todas
as idades e de diferentes silhuetas, que fogem aos
conceitos estereotipados de beleza.
A Dove convida o público a julgar a beleza
da modelo, escolhendo uma de duas respostas: “Enrugada
ou encantadora?”, “Volumosa ou charmosa?”
A beleza (real) pode ter muitas idades, formas e
tamanhos. |
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