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O que procura a actual elite viajante? Qual o compromisso que deve existir entre o turismo de luxo e a defesa dos ecossistemas? Estas e outras questões foram trazidas a lume no primeiro evento Pure Life Experiences, em Marraquexe.
De acordo com Serge Dive, fundador e CEO da Pure Life Experiences, criador da ILTM (International Luxury Travel Market), em Cannes, e membro da Forbes Traveler nos Estados Unidos, actualmente, a diferença entre o viajante e o turista é que este último visita um destino e aceita a viagem como um fim em sim mesmo, feliz por ter visto e conquistado o lugar antes de o deixar. Por sua vez, o viajante vê todos os destinos como um ponto de partida, embarcando na aventura com a mente aberta e uma sede de experiência, para aprender mais sobre si mesmo e sobre o mundo.
Segundo Dive, os viajantes do século XXI procuram actividade, aventura e o contacto com as culturas locais. Querem demarcar-se firmemente dos turistas passivos, que apenas fazem sightseeing e nada procuram senão o óbvio.
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Em cima, vista do Virunda Lodge no Ruanda, propriedade
da Volcanoes Safaris, a empresa n.º 1 de safaris
de gorilas. Suite do Destination Spa na Tailândia. Em
baixo,
Bloon, um dos mais ambiciosos projectos
do futuro. |

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Juntos por um mundo mais rico
Estamos perante o surgimento de uma nova tendência. As viagens de experiências não são um luxo em si mesmas e o conceito de viajar apenas para passar o tempo deixou de fazer sentido, explica Serge Dive. Os desafios dos viajantes mais exigentes e informados prendem- -se com o desejo de explorar territórios remotos, no entanto, causando o menor impacto ambiental possível.
Segundo Michael Lutzeyer, proprietário da Grootbos Private Nature Reserve na África do Sul e um dos pioneiros do ecoturismo de luxo, chegámos a um ponto em que estamos assustados com o estado do planeta. E apenas podemos ter consciência do que está a acontecer no mundo, se viajarmos. A questão que se impõe é: será que através destas experiências podemos alterar os nossos hábitos e, consequentemente, o ambiente no regresso ao nosso dia-a-dia?
Para Praveen Moman, natural do Uganda, proprietário e General Manager da Volcanoes Safaris – a empresa n.º 1 de safaris de gorilas –, o planeta pertence a todos nós e todos temos o dever de o proteger. Os grandes problemas que enfrentamos são a gestão da água potável, as toneladas de lixo produzido e as emissões de gases poluentes. Como deve o turismo elevar os níveis de respeito pelo ambiente?
Sven-Olof Lindblad, fundador das Lindblad Expeditions, pioneiro do ecoturismo e especialista em turismo de aventura nas Galápagos, Antárctida e Alasca, explicou que o seu objectivo máximo é sempre aproximar as pessoas da Natureza.
O respeito pela fauna e flora do planeta e o desejo de oferecer experiências únicas, transfiguradoras, é um princípio já solidamente defendido neste segmento.

imagens do hotel flutuante da Aqua Expeditions, o único operador de cruzeiros de luxo no Amazonas peruano.
Algumas experiências a não perder
SHA WELLNESS CLINIC
Actualmente, um dos locais mais badalados do país vizinho, frequentado pela alta sociedade espanhola. Localizada em Valência, Sha é uma clínica de tratamentos que conjuga as técnicas milenares orientais com os últimos avanços médicos ocidentais, reequilibrando harmoniosamente o corpo, a mente e o espírito. Tudo isto no conforto de um hotel de cinco estrelas. Existem programas de fim-de-semana (3 dias), de semana (5 ou 7 dias) e de duas semanas completas (14 dias).
DESTINATION SPA DA SIX SENSES
Em Phuket, na Tailândia, surge o primeiro Destination Spa Six Senses do século XXI. Programas de saúde focados na prevenção de doenças, ajudando a contribuir para um estilo de vida mais saudável e consciente. Produtos naturais e nutritivos, tratamentos únicos e um serviço apaixonado tornam esta experiência verdadeiramente única.
NOMADS OF THE SEAS
Uma operadora de cruzeiros dedicada a descobrir a Patagónia chilena por ar, terra e mar com um enfoque especial na mais recente tecnologia e nos elevados níveis de conforto de alojamento. Os programas incluem whale watching, fotografias de Natureza, heli-ski e aulas de cozinha revolucionárias.
THE REAL JAPAN
Esta agência oferece experiências inesquecíveis ao interior da verdadeira cultura japonesa. Quer os clientes procurem a tranquilidade dos jardins nipónicos ou a vertigem das metrópoles futuristas, irão sempre encontrar a essência da cultura do país do sol nascente.
SILOLONA BOAT
Barcos à vela de luxo, todos em madeira e com altos níveis de requinte e conforto, que realizam cruzeiros de 5, 7 ou 9 dias na Indonésia, de Abril a Novembro, e na Malásia, Tailândia e Myanmar, de Dezembro a Março. Imagine a possibilidade de acordar todos os dias numa ilha diferente, de mergulhar em mares cristalinos e de visitar parques naturais com tribos indígenas.
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De balão até ao espaço
Francesco Galli-Zugaro, CEO da Aqua Expeditions e operador do MV Aqua, o único cruzeiro de luxo a operar no Amazonas peruano, debate-se igualmente pela preservação da Natureza e o menor incursões. A Aqua Expeditions assumiu, desde a sua criação em 2008, o compromisso de proteger o frágil e único meio ambiente da Amazónia, bem como da população indígena. Alguns projectos de responsabilidade social foram desenvolvidos, como a assistência médica às comunidades locais, a participação financeira em projectos de conservação da Natureza e apoio constante do Programa de Salvamento do Peixe-Boi.
O espanhol José Mariano López Urdiales, CEO da empresa zero2infinity, é o mentor de um dos mais ambiciosos projectos do turismo do futuro: Bloon. Um protótipo de balão que irá viajar até ao espaço, a cerca de 36 quilómetros de altitude, sem emitir quaisquer gases poluentes. Há previsões de que a primeira viagem de balão ao espaço possa ocorrer em 2016.
Experiências de vida com glamour
Matthew Upchurch, CEO da Virtuoso, uma rede do supra-sumo do luxo, que reúne cerca de 340 agências de viagens mais exclusivas dos Estados Unidos, América Latina e Austrália, explica que desde sempre conviveu com este mercado. Há cerca de 10 anos, mudou o nome da empresa que possuía em Nova Iorque, de API Travel Consultants para Virtuoso, “uma designação muito mais aspiracional”, assegura.
Upchurch explica que, no passado, muitas agências de viagens não construíram um modelo de negócio muito sofisticado e os novos viajantes não as olhavam com bons olhos. Ao alterar o nome para Virtuoso, decidiu criar igualmente uma nova identidade. “Fiz um discurso para a minha rede de contactos e disse- -lhes que a minha missão era tirá-los do negócio do turismo. Nos próximos 20 anos, o enfoque seria as experiências de vida. E, passados apenas 10 anos, podemos confirmá-lo.”
A Virtuoso funciona como um clube privado para o qual só se associam, após um rigorosíssimo processo de selecção, as melhores agências, e só por convite. Não colaboram com grandes cadeias de hotéis, ainda que luxuosas. Para se ser Virtuoso, é necessário ter uma dimensão relativamente pequena, de forma a criar uma relação mais personalizada com os clientes e obter elevados níveis de qualidade de serviços.
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