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INTIMIDADE


Quando elas são umas autênticas bombshell, assustam alguns homens. Eles entram em pânico e paralisam. Chamam-lhes os rapazes da Teoria da Fórmula 1.

Por Dulce Garcia

 
Já ouviram falar da Teoria da Fórmula 1? Esqueçam, não tem nada a ver com o Autódromo do Estoril nem com o Schumacher. Foi o meu amigo J. que fez o favor de me explicar esta sensação aparentada com a fobia (?) que ataca alguns homens e põe em risco a vida sexual de muitas mulheres.

Imaginem que o génio da Fórmula 1 tocava um dia à porta deles para lhes deixar a chave do seu Ferrari. Alguns dirão que se atiravam ao volante com unhas e dentes, enganando a falta de prática com um entusiasmo comovente. Dariam voltas e voltas até ficarem tontos, enchendo o telemóvel de imagens que depressa seriam enviadas para a caixa do correio dos amigos com um sms do género: “Vejam só o que me veio parar às mãos.”

Os rapazes da Teoria da Fórmula 1 não fariam nada disto. Provavelmente, agarravam nas chaves com as mãos trémulas, sentavam-se catatónicos no sofá da sala – depois de tropeçarem nas colunas da aparelhagem e na mesa da televisão – e nem o pezinho punham dentro do carro. Porquê: por acharem demasiado para eles. Demasiado belo, demasiado veloz, demasiado intenso. Em suma: assustador. Traduzindo: há homens que ficam em pânico com as mulheres nota 10. O que é uma mulher nota 10? Aquela que entra numa sala e fica toda a gente a olhar. Mas isso, com os recursos que hoje existem (não me obriguem a falar de pestanas falsas nem das bolsinhas de silicone que se põem dentro do soutien), é cada vez mais comum.

O matemático John Nash, interpretado por Russel Crowe no oscarizado Uma Mente Brilhante, revolucionou a economia moderna com uma tese semelhante à de J.: a Teoria do Equilíbrio de Nash que, em termos gerais, implica MARÇO 2010 |MÁXIMA 83 que todos os rivais concertem uma estratégia e persigam objectivos distintos, para que assim nenhum seja prejudicado pelo negócio do outro.

SE EM VEZ DE QUEREREM FICAR TODOSCOM A LOURA, tivessem escolhido a ruiva ou a morena, teriam acabado a noite na parte de trás de um Cadillac a estudar anatomia.



Cuidado com as bonitas!

Parece que há razões científicas para os homens terem medo das mulheres nota 10. Um estudo recente da Universidade do Texas descobriu que:
• As mulheres que possuem níveis mais elevados de estradiol (hormona da auto-estima) sentem-se e parecem mais bonitas, o que faz aumentar a propensão para trocarem de parceiro com frequência ou, pelo menos, flirtarem com outros homens que não o legítimo
O facto de se considerarem mais belas faz com que sejam mais exigentes em relação ao sexo oposto, desencadeando um mecanismo de busca permanente
• Estas mulheres tendem a alternar relações duradouras com aventuras com homens belos, tendo em conta que é difícil concentrar num só homem o garante da estabilidade familiar e o melhor exemplar para procriação

 
Agora imaginem onde é que John Nash descobriu esta teoria, iniciando assim a sua caminhada para o Nobel? Num bar, rodeado de amigos e de copos de whisky e de cerveja.

Claro que tinha de haver uma loura nesta história. Ela entra, radiosa, com as amigas, e a rapaziada corre a deitar-se a seus pés. Resultado: pouco depois, voltam todos cabisbaixos aos seus lugares porque não só foram incapazes de arrancar um pestanejar à imitação de Marilyn Monroe como ainda levaram com os pés das amigas – ninguém gosta de ser segunda escolha.

O futuro matemático descobriu então a pólvora: se em vez de quererem ficar todos com a loura, tivessem escolhido a ruiva ou a morena, provavelmente teriam acabado a noite na parte de trás de um Cadillac a estudar anatomia. Assim, só lhes resta afogarem as mágoas num copo de bourbon. Um outro amigo meu, B., segue os conselhos de John Nash à risca, e ainda por cima sem grande esforço: gosta de dormir com raparigas magrinhas, com ar de passarinho assustado e penteado vintage. Diz ele que raramente tem concorrência e que lá para as quatro da manhã há revelações incríveis.

Isto abre um mundo novo para as mais discretas, digamos. Aquelas que descalças não medem mais de 1,60 m, mas dão umas dentadinhas atrás da orelha que nem a Heidi Klum faria melhor (mesmo que começasse já a treinar com o melhor vampiro da Roménia). A propósito, quem foi que disse que as mais bonitas são melhores amantes?

Conheço algumas mulheres de fazer parar o trânsito que nunca ultrapassaram os 70 quilómetros/ hora debaixo dos lençóis. Pior: respeitam todos os sinais de trânsito e nunca se arriscaram a trocar uma auto-estrada por um caminho de terra batida – daqueles mais duros mas onde se experimentam sensações incríveis.

O cinema terá seguramente contribuído para o mito da vamp insaciável. É verdade que Ava Gardner e Rita Hayworth tinham fama de amantes insaciáveis, mas será que a Kim Basinger alguma vez na vida fez sexo durante nove semanas e meia com o marido?

À luz da teoria de Nash, os do clube da Fórmula perdem muitas oportunidades por falta de coragem. Mas ao menos não perdem tempo. E às vezes cai-lhes o Ferrari em cima. A última de B. – que ainda por cima gosta de se dar a ares efeminados por achar que as mulheres estão todas doidas para converter gays – passou-se com uma amiga belíssima, que reencontrou ao fim de 10 anos e que convidou para jantar em sua casa (mas sem esperança alguma de a levar a conhecer outra parte da casa que não a sala e a cozinha). Parece que ao fim da primeira garrafa de Cabeça de Burro, a miúda fez um rewind até à adolescência e desafiou-o para um jogo: mostro- te as maminhas se me mostrares a pilinha. Apanhado de surpresa – e sem concorrência à vista – ele fechou os olhos e atirou-se a ela.

Mas pelo que sei, ainda não teve coragem de lhe telefonar para repetirem o circuito…













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