Assinar Revista | PDA
Newsletter
Directório:  Acessórios | Beleza | Calçado | Vestuário | Marcas | Vestuário

  Home
  Moda
  Especial
  Tendências
  Shopping
  Shows
  Moda em notícia
  Crónica
  Directório de Lojas
  Beleza
  Tendências
  Shopping
  Noticias
  Mulher & Carreira
  Sociedade
  Intimidade
  Celebridades
  Saúde
  Corpo e Alma
  Saúde em notícia
  Canal Nutrição
  Família
  Estrela do Mês
  Dossiers
  Fala-se de...
 As nossas escolhas
  Lazer
  Livros
  Cinema
  Música
  Palcos & Artes
  Vídeo/DVD
  Espaços Abertos
  Decoração
  Directório de Lojas
  Casas e Interiores
  Especiais
  Horóscopo
  Correio
  Fórum
  Actualidade
  Beleza
  Moda
  Contactos
  Notícias por RSS
  Jogue on-line
  Acção
  Desporto
  Plataformas
  Puzzle
  Shoot´Em Up
  Máxima PDA
Pesquisar

 
Subscrever Máxima




FAMÍLIA

Uma criança turbulenta não deve ser vista como futuro delinquente.

Agitação na creche, desordem no jardim de infância, mentiras frequentes... Será uma criança impulsiva um futuro delinquente? A psicanalista Sylviane Giampino e a neurobióloga Catherine Vidal opõem-se à estigmatização dos comportamentos. Tranquilizador.

Por Sophie Carquain

Ao ler o seu livro tem-se a impressão de que as crianças vivem um dos piores períodos da sua história: são perseguidas, desvalorizadas, julgadas…

Sylviane Giampino – Estamos a viver um momento muito particular, em que se faz uso de testes e questionários muito intrusivos, na sua maior parte vindos dos Estados Unidos e do Canadá para tentar despistar as eventuais perturbações de comportamento nas crianças de tenra idade. Em nome da saúde pública, tenta-se desde muito cedo distinguir aqueles que são susceptíveis de se tornarem associais ou mesmo delinquentes! As expectativas dos adultos em relação às crianças tornam- se mais rígidas. Em que é que se transformaram as asneiras das crianças? Desde logo mentiras e pequenos furtos são tratados como delitos...

Porquê essa evolução?

Sylviane Giampino – O desejo de domínio e o medo do futuro deixam circular a ideia totalmente absurda de que, se se fizer cedo o despiste da criança, poder-se-á impedi-la de vir mais tarde a agir mal... Mas as crianças não são adultos em miniatura! A infância é o período das tentativas, da criatividade, das experimentações...

Catherine Vidal – ... uma coisa que as descobertas recentes sobre o cérebro ilustram perfeitamente. A Ressonância Magnética provou, de facto, a extraordinária plasticidade do cérebro. À nascença apenas existem 10 por cento das ligações entre os neurónios. O resto formar-se-á posteriormente em função do ambiente e das aprendizagens. O cérebro evolui ao longo da vida!

No entanto, psicólogos e psiquiatras ensinaram-nos que quanto mais cedo se tratar uma perturbação mais eficaz é o resultado... Ava - liar as cri anças quando são muito pequenas não poderá ser consi de - ra do um procedimento pre ventivo?

S. G. – Claro, mas tudo depende daquilo a que se chama “perturbação”. Considerar a impulsividade de uma criança de quatro anos um factor de risco para o futuro, na minha opinião é aberrante. É negar as etapas do desenvolvimento normal de uma criança. Por exemplo, a mentira seria, segundo os critérios de avaliação de determinados testes, um indicador de distúrbio de personalidade. É absurdo porque é nessa idade que se instalam as categorias real e imaginário. É uma fase de construção necessária da intimidade da criança, uma forma de proteger a sua vida interior, de ser menos “transparente” relativamente aos pais. E de se tornar menos influenciável.


BILHETE DE IDENTIDADE

Sylviane Giampino e Catherine Vidal são co-autoras de Nos enfants sous haute surveillance, com prefácio de Axel Kahn (edições Albin Michel). Sylviane Giampino é psicanalista e psicóloga de crianças. É autora de Les mères qui travaillent sont elles coupables? (edições Albin Michel). Catherine Vidal, neurobióloga, directora de investigação no Instituto Pasteur, é autora de Hommes, femmes, avons-nous le même cerveau? (edições Le Pommier).

 
Do mesmo modo que os “pequenos gatunos” de bicicletas não são delinquentes de calções?

S. G. – Claro que não são! Uma criança de três ou quatro anos que rouba o brinquedo do colega só quer uma coisa: entrar em relação com o outro! Andar à bulha nem sempre é agredir, mas provocar- se. Ter-se-á esquecido que até aos cinco ou seis anos uma criança é prioritariamente “psicomotora”? É através das sensações do exercício muscular, através do movimento e do contacto que a criança aprende a pensar. O gosto por aprender começa pela apropriação física das coisas. Não é por essa razão que uma criança é um ladrão ou um hiperactivo!

C. V. – Assistimos a uma evolução do léxico. Ainda há pouco tempo qualificávamos as crianças como “traquinas”, “marotas”, “diabinhos”. Hoje, esses termos afáveis foram substituídos por termos saídos do registo médico de um policial: oponente, hiperactivo, introvertido... É estigmatizante.

S. G. – Este vocabulário espalha-se nas creches e nas escolas há menos de 10 anos porque os profissionais recebem actualmente formação em avaliações comportamentais. Se não pas - sasse de uma moda, não nos teríamos dado ao trabalho de escrever este livro. Mas estes métodos têm efeitos nocivos, pois quanto mais se trata uma criança como “oponente” ou como “hiperactiva”, maior é o risco de ela assim se tornar. A criança molda-se às palavras que a designam. É assim que a nossa “melhor coisa do mundo” pode muito rapidamente cair na previsão. E que nos arriscamos a empurrar a criança para a violência à força de a vermos por todo o lado. Na escola, à força de se perseguir o insucesso escolar cada vez mais cedo, dá-se-lhe origem em grande escala.

Todavia, as professoras primárias afirmam que há cada vez mais crianças hiperactivas, ingovernáveis, intolerantes à frustração...

S. G. – Sim, é verdade, mas será que a sociedade se interroga sobre as condições dessa violência? E sobre a sua própria diminuição de tolerância? Obrigamos as crianças a viver uma vida de zapping e de estímulos excessivos. Já não sabemos sentar-nos ao lado delas, estar disponíveis, ser benevolentes. Oferecemos-lhes jogos didácticos logo no berço, exigimos- -lhes, quando andam na creche, que se preparem para o jardim infantil; no jardim infantil, que aprendam a ler para ir para a primária... Estamos continuamente a projectá- las no futuro. Por que não haveriam de ser agitadas se o mundo o é? Acusamo- las de falta de concentração ao mesmo tempo que as impedimos de se concentrarem no seu momento presente, na sua infância. É paradoxal.

C. V. – Depois, para as pormos no caminho certo, damos-lhes um “comprimido de obediência” que é da família das anfetaminas, não muito longe da cocaína... Nos Estados Unidos, oito milhões de crianças consideradas hiperactivas são tratadas com Ritalina. É incrível. Em França, as prescrições estão a aumentar.

Por que não resolvemos tratar com profundidade os sofrimentos delas? Ou ouvi-las?

C. V. – A tendência é procurar uma solução rápida, que não seja muito cara, eficaz!

S. G. – A nossa sociedade tem uma relação patológica com o tempo. Já não sabemos estar perto das crianças sem fazer nada. Inculcamos-lhes aos sete anos o receio do desemprego, a ameaça de vir a ser sem-abrigo... Subtilmente, substitui-se a educação (que exige tempo) pelo condicionamento, pela “rigidez”, ou mesmo pelos medicamentos, que tornam as crianças submissas em vez de as ensinarem a vida. As crianças precisam de tempo para se construírem, para criarem, para sonhar. E os pais também. É preciso uma boa dose de inconsciência, de utopia e de sonho para crescer. Será que nos esquecemos disso? Para as “educar”, no verdadeiro sentido da palavra, não é preciso cortarmos-lhes as asas ...













Anunciar on-line | Assinaturas | Contactos | Notícias por RSS | Promoções | Serviços Móveis Record | Serviços Móveis CM
ADSL.XL | Classificados | Emprego | Directórios | Jogos | Horóscopo| Tempo

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.