
Por ocasião do lançamento da primeira fragrância do génio criativo Nicolas Ghesquière para Balenciaga, o Director Artístico da Casa e a sua Musa inspiradora Charlotte Gainsbourg entrevistaram-se mutuamente, numa animada e descontraída conversa sobre moda, a casa Balenciaga e o novo perfume.
Charlotte Gainsbourg: Lembra-se da primeira vez que nos conhecemos?
Nicolas Ghesquière: Sim, claro! Estávamos no Verão de 2000 no evento de “Les Arts Decoratifs” e eu aguardava ansiosamente a sua chegada. Você chegou, gostou do evento e dissemos que seria agradável vermo-nos novamente. Eu pensava que tinha um trabalho maravilhoso, mas lá no fundo, eu pensei sempre em si. Mesmo antes de a conhecer, eu já desenhava para si.
CG: Como idealiza uma fragrância?
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Nascido em 1895, em Guetaria, na região basca de Espanha, Cristobal Balenciaga foi contra as expectativas e hipóteses e, ao invés de seguir os passos do pai que se dedicava à pesca, foi guiado pela influência costureiras da mãe. Com apenas 13 anos surpreendeu a Marquesa da Casa Torres, de tal maneira que esta vestiu uma réplica de alta costura criada pelo jovem. Seguiram-se a abertura das primeiras lojas sob o nome Balenciaga em Espanha e, em 1937 o mítico showroom na Avenida George V de Paris. Um arquitecto do design, esculptor de formas, filósofo e pintor da moda, Cristobal Balenciaga formou um império através do lançamento de sucessivas colecções vanguardistas. |
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NG: Uma fragrância é imaterial e imemorial, flutua e deixa um rasto. Eu sempre me senti fascinado por este paradoxo. Você “usa” uma fragrância e já não precisa de se vestir, é o campo da pura fantasia. È a liberdade de idealizar a mulher que eu quero, mas sem lhe dar um estilo concreto.
CG: Porque quis que eu fosse a imagem desta fragrância?
NG: Porque você é exactamente isto. Tem uma presença forte e, ao mesmo tempo, fugaz, tudo de uma só vez. Você não e o ícone ou a imagem desta fragrância, você é o que eu idealizo!
CG: Pode falar-me de tudo sobre Balenciaga Paris?
NG: É uma fragrância determinada. Parece leve e sabe ser misteriosa. Pode parecer frágil porque é delicada de inicio, contudo deixa um rasto duradouro atrás de si.
NG: É tão discreta. O que sente ao ser a imagem de uma fragrância?
CG: Eu vivo envolvida pela imagem de Balenciaga. Confio muito na sua visão porque sinto que revela quem eu sou, mesmo antes de me apreceber para onde me está a levar. Esta fragrância é como um vestido que criou para mim, em que me sinto maravilhosamente bem.
NG: Encara isto como um trabalho a desmepenhar?
CG: Não. Balenciaga é como uma segunda casa. Esta fragrância tem uma personalidade forte, como a sua roupa: clássico, feminina e refinada. E eu realmente gosto da ideia que tenha criado tudo a pensar em mim.
NG: Como consegue encarnar uma fragrância?
CG: sendo eu própria e não sendo influenciada pela forma como você e Steven Meisel me veêm.
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O perfume
Uma eau de parfum que evoca os primeiros momentos de Abril, as brisas primaveris que se revelam através das notas iniciais apimentadas que se espalham sobre notas amadeiradas e musgosas e se evidenciam através das pétalas secas de violeta. (€ 86.65)
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