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INTIMIDADE

Eis a mensagem do flirt. Ao que parece todos sabemos os passos desta dança erotizada, mas como podemos aperfeiçoar a performance, reunimos o assunto em 10 lições.
POR JÚLIA SERRÃO


Quando há meses uma amiga me confessava que o olhar dos outros (e leia-se dos homens) a fazia sentir-se viva, não pude deixar de lhe invejar o despudor com que sintetizava uma necessidade que toda a gente tem, mas que poucos assumem ter: a de ser flirtada. E a de flirtar. Porque nestas coisas não interessa quem toma a iniciativa, a não ser para os ‘caçadores profissionais’ que gostam de estar no comando, mas torna-se mais interessante quando existe reciprocidade, tornando-se um jogo a cada passo mais intenso. Pode demorar horas, até que um dos jogadores ‘denuncie’ o cansaço.


O FLIRT EM 10 LIÇÕES
Por Rita Craveiro Gonçalves, sócia-gerente do Espaço Segredos, direccionado para cursos sobre sensualidade e sedução:

1. Não se entregue, mas viva intensamente o momento

2. Não se disponibilize a contar a sua vida. No flirt não há compromissos – o que vem depois, é para depois

3. Invista na linguagem não verbal, nos gestos e no movimento do corpo, certificando-se que explora os mais importantes

4. Dos cinco sentidos, são mais relevantes a visão e o tacto. Por isso seduza-o com o olhar e um toque ousado

5. Aposte no papel de sedutor: é importante saber sê-lo

6. Se começar por ser seduzida, então saiba jogar, retribuindo com entrega e empenho

7. É importante não prever as horas a seguir, mas perceber que o que se vai desenhar para a frente depende desse investimento

8. Para flirtar com nota máxima é preciso estratégia. Monte a sua

9. Certifique-se de que está bem consigo própria. O flirt não é para ganhar miminhos

10. Mantenha a mente aberta, não esteja com romantismos
Gostar de flirtar
Madalena admite gostar do flirt. Outros escondem. Também há os que desconhecem o seu poder de flirtar (mas quando o descobrem nada fica como era!). E outros, cujos valores morais não deixam soltar as asas do desejo. Mas, no final, toda a gente flirta. Flirtam os solteiros. E os casados também. E flirtam porque isso faz parte da natureza humana. Afinal, treinamos a sedução desde pequenos, quando tentamos conquistar a mãe e o pai e trazê- -los para o nosso lado. É verdade que este tipo de canto e encanto ainda não tem a componente erótica, mas já é sedução. “Flirtamos por uma necessidade que serve para combater as nossas maiores dúvidas em relação a nós próprios”, explica o psicólogo clínico e psicoterapeuta Alexandre Nunes de Albuquerque. Inseguras porque não são suficientemente boas (e/ou reconhecidas) na vida amorosa ou na profissional, muitas pessoas tentam compensar essa falha com uma crescente necessidade de flirtar, esclarece ainda. O homem, pela sua própria natureza, “é mais necessitado de investimentos narcísicos externos, mas em geral todos temos essa necessidade”.


TESTEMUNHOS
- JOANA, 30 ANOS, PROFESSORA DE PORTUGUÊS DO ENSINO SECUNDÁRIO

O que é para si o máximo flirt?
Alimentar a história sabendo que nunca se vai deixar que aconteça nada, só porque é agradável o flirt per se. Não há toques nem conversas sobre o assunto, chegando eu a pensar se a coisa não será imaginação minha.

Qual o sítio mais hot onde já flirtou?
O mais esquisito foi sem dúvida na catequese para o crisma.

Como acabou a experiência?
Eu não fiz o crisma (mas não foi só por causa disso) e não faço a mínima ideia do que aconteceu ao senhor. Deve andar bem na vida numa paróquia qualquer...



- ALEXANDRA, 40 ANOS, PUBLICITÁRIA
O que é para si o máximo flirt?
É, ao fim de meia hora de conversa, estar desejando um beijo que há-de ser bom e acabar na cama.

Qual o sítio mais hot onde já flirtou?
Na praia, de noite; num carro estacionado numa rua mais ou menos movimentada, de dia. Mas a minha casa é o melhor.

Como acabou a experiência?
Como acabam os flirts: em nada.
Sinal verde
Por uma questão que se prende directamente com a nossa auto-estima, somos caçadores. E, simultaneamente, presas de um jogo feito de insinuações, de avanços e recuos. Flirtar é um jogo de tapa e destapa, cheio de estratégias de sedução erotizada. “O flirt é seduzir de forma erotizada, se não houver erotização não há flirt.” Apesar de também poder ser exercitado através das palavras, o psicólogo clínico defende que estas “também têm muito peso” – o flirt é uma linguagem essencialmente não verbal. Flirtar é uma dança, está carregada de gestos, olhares intensos e movimentos de corpo. A mulher deixa descobrir o pescoço afastando o cabelo, pestaneja, e levanta levemente a sobrancelha, pode cruzar e descruzar as pernas... às vezes ruboriza. O homem mantém o corpo aberto, exibe a caixa torácica, em posição de ataque. Segundo os cientistas, são tudo formas de dizer ‘estou preparada( o) para um relacionamento físico, es tou disponível’. É uma janela de oportunidade que se abre, como defende Perper. “Não é sim, nem não”, explica o cientista norte-americano, mas a possibilidade de ser qualquer coisa sem qualquer tipo de comprometimento.

Mas, afinal, o que queremos com o flirt? Jogar apenas, sem consequências? Alimentar a nossa auto-estima? As teorias dividem-se. É claro que toda a gente já ouviu falar dos D. Juan, uma espécie rara de homens viciada em jogos de sedução, a quem interessa apenas o jogo e a sua estratégia.


Objectivo: a cópula
“Há personalidades que necessitam de flirtar, e flirtar às vezes é sentirem que ainda são objectos de desejo, provocando ou imaginando que provocam desejo no outro.” Normalmente, o flirt tem sempre um objectivo concreto que é o relacionamento com o outro, com o objecto de sedução, garante Alexandre Nunes de Albuquerque. “Procura uma completude. O flirt tem o objectivo de concluir, ter um resultado. O que depois temos é o peso da ética, da moral, que nos coloca vários níveis de travão.” O flirt começa de uma forma filogenética, segundo o especialista: “Firtamos, vemos eroticamente o outro, para chegar à cópula. É assim com os animais, é assim connosco. É uma coisa física.” Mas como nem sempre conseguimos isso, diz, o flirt acaba por ser uma espécie de teste à nossa fantasia de controlo do ‘objecto’. “Como começa a ser um teste começa a ter um valor narcísico.”













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