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Ford ganhou fama internacional pela reviravolta que provocou na casa Gucci, onde foi director criativo (1994-2004), e pela criação da etiqueta Tom Ford. Depois de sair da Gucci (e YSL), abriu a sua própria casa de moda. No início de 2006, atraiu a atenção dos media ao aparecer completamente vestido na capa da Vanity Fair ao lado de Keira Knightley e Scarlett Johansson, ambas nuas. Ford e o seu companheiro, o jornalista Richard Buckley, estão juntos há mais de 20 anos. Buckley foi o primeiro chefe de redacção da Vogue Hommes International. Ford expressou a sua vontade de ter filhos, embora Buckley tenha previamente manifestado ser contra essa ideia.
Foi muito difícil convencer os actores a participarem neste projecto, uma vez que era o seu primeiro filme. Que margem de improviso lhes deu?
Dei-lhes bastante margem, porque acho que uma das coisas… ou melhor, em primeiro lugar, não quero falar demasiado sobre moda porque é muitíssimo diferente em termos do que isto foi e da razão pela qual o fiz e espero continuar a fazer, e de que tipo de expressão se tratava. Mas existe uma certa semelhança no aspecto em que a moda é um campo onde se trabalha mais em conjunto do que o que se possa pensar. Tem de se ter uma ideia. Tem de se a comunicar a uma equipa que nos vai ajudar a concretizar essa visão e tem de se criar um ambiente que vá permitir que essas pessoas dêem o melhor de si.
Como conseguiu estes actores? Julianne Moore foi a primeira a aceitar.
Enviei-lhes um guião. Escrevi aquela parte esperando mesmo que a Julianne respondesse positivamente. E ela assim fez. Colin [Firth] foi absolutamente a minha primeira escolha. Temos o mesmo agente e verifiquei a disponibilidade dele logo no início.
Disseram-me: ‘Esquece. Ele está a fazer isto. Ele está a fazer aquilo e mais aquilo.’ Escolhi então um outro actor para o papel. Na estreia de Mamma Mia! em Londres, encontrei o Colin. Estava ali a conversar com ele, e ia pensando: ‘Não posso acreditar que não vais ser tu o George. És absolutamente perfeito para este papel.’ Semanas depois, o outro actor desistiu e procurei imediatamente saber o e-mail do Colin

Escrevi-lhe e enviei-lhe um guião. Ele respondeu-me no dia a seguir.
Como queria colocar-me algumas questões, voei do Novo México, onde me encontrava, para Londres. Ao fim da noite tínhamos, com um aperto de mãos, fechado um acordo.
Até onde é que acha que a comunidadegay conseguiu chegar nos nossos dias?
Penso que já conseguimos chegar bastante longe. Também acho que Christopher Isherwood estava muito à frente do seu tempo. Uma das coisas que sempre adorei em relação à sua escrita é a forma objectiva como ele tratava a homossexualidade. A maioria das suas histórias e romances eram autobiográficos e, portanto, há normalmente uma personagem gay, mas que não é o centro da história – é retratada como um ser humano que vive a sua vida. Era muito importante descrever a relação entre George e Jim de uma forma muito objectiva. Não queria que isto fosse nem uma história de gays nem uma história de heterossexuais, mas uma história humana. Quanto mais compreendermos que o amor entre duas pessoas é o amor entre duas pessoas, mais capazes seremos de defender isso.
Portanto, achar que eles tinham de se manter no armário é um dos preconceitos que ultrapassámos.
Absolutamente. Só se sente isso uma ou duas vezes, quando ele não é convidado para o funeral porque não é família… Mas a parte mais significativa é realmente quando Charlie [Julianne Moore], a sua melhor amiga, que o conhece há anos, lhe diz: ‘Não sentes a falta do que podíamos ter sido, de ter um relacionamento a sério e filhos?’ Isso, para mim, se eu fosse o George, teria sido aquilo que maior sofrimento me provocaria, que uma pessoa tão próxima de mim continuasse a não compreender a relação que eu tivera com outra pessoa.
Tem um companheiro de longa data.
Vinte e três anos.
Em que é que isso o influenciou quando escreveu esta história?
A ideia de perder alguém que se ama pode colocar-nos numa situação em que não se consegue imaginar o futuro e em que ficaríamos realmente a viver no passado. É o que acontece com George. O Christopher escreveu esta história quando o Don o abandonou por cerca de oito meses e se mudou para Nova Iorque com outra pessoa. O Christopher imaginou que o Don tinha morrido e ele estava sozinho. E escreveu esta história.
Para um filme que é sobre a morte…
Não é sobre isso...
| Tom Ford com o elenco
do filme no Festival
de Veneza.
Ao lado, uma das capas
que fez para a Vanity Fair.
No centro, uma cena
do filme e em baixo,
na sua despedida,
no último desfile que
fez para a Gucci. |
O que quero dizer é que há muita sensualidade no filme, não apenas sexo…
Não há sexo.
Mas podemos falar na justaposição das duas coisas?
Primeiro que tudo, é sobre a vida. O filme não é sobre a morte. Este filme é de facto viver o momento, percebermos a nossa ligação ao universo e de percebermos que as relações com outras pessoas são de facto o que importa. Quando o George decide suicidar-se, de repente a beleza do mundo começa a puxar por ele, porque, pela primeira vez, ele está a olhar e a ver. Temos muitos olhos no filme porque o George não costumava olhar as pessoas nos olhos. Tinha um olhar desinteressado. Agora, de repente, estabelece uma ligação e as pessoas correspondem de uma forma diferente. Ele começa a corresponder…
A sua intenção de o filme ser sobre a vida é que fez com que cada pormenor do final parecesse tão planeado?
Há duas ou três razões para que isso aconteça. O George é uma personagem que mantém o seu equilíbrio mantendo em ordem o seu mundo exterior. É a sua forma de existir. No pior dia da sua vida, vemo-lo a engraxar os sapatos. A pôr a gravata. A superfície e a ordem das coisas ajudam a que não desmorone. Isto pode parecer uma parvoíce para algumas pessoas – mas o Christopher Isherwood era do signo Virgem. Eu sou virginiano. Colin Firth é virginiano. Foi um filme ligado ao signo Virgem. Mas é também muito uma parte da sua personalidade. É um homem cujos mundos, interior e exterior, estão ligados. Ele sente que se conseguir manter o seu mundo exterior em ordem, consegue não desmoronar por dentro.
Agora que começou nesta segunda profissão, estou curioso em saber o que, em criança, queria ser quando crescesse...
Pensava que ia ser actor. Estudei arte dramática na Universidade de Nova Iorque e fiz uma série de anúncios para televisão – foi assim que consegui tirar o meu curso. Depressa percebi que não queria ser actor porque, nessa altura, não me sentia suficientemente seguro. Voltei para a escola e estudei arquitectura e moda, e agora vim aqui parar.
A nudez neste filme é feita com muita elegância. Alguma vez considerou o nu frontal, como fez em alguns dos seus anúncios publicitários?
Podia ter-se feito. Mas se sabe alguma coisa sobre a minha carreira na moda, tem sido muito acerca da nudez, sexualidade e sexo. Creio que muita gente pensa que é só o que me interessa. Para mim, esta é uma história de amor. E se tivesse havido aqui necessidade desse tipo de nudez, então, evidentemente... mas não houve essa necessidade. É por isso que não está lá.
Já sabe o que vai fazer a seguir, em cinema?
Não. Há uma coisa em que estou a trabalhar, mas tenho de me distanciar um pouco deste. Acabei de o editar em Agosto e houve todos estes festivais de cinema… Preciso de um pouco de espaço. |
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