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ESTRELA DO MÊS









Os últimos anos têm sido para Jude Law uma montanha-russa que começou com a revelação das suas infidelidades. O actor reconstruiu a vida pessoal e investiu na profissão.


Por Harold von Kursk
fotografia de james white/ corbis outline

O novo filme de Jude Law, Assalto e Intromissão, é um drama romântico que o junta ao realizador Anthony Minghella, que lançou Jude no estrelato com o filme O Talentoso Mr. Ripley, de 1997. Jude Law entrou também no filme de Minghella, de 2003, Cold Mountain. O desempenho em Assalto e Intromissão marca o regresso de um actor talentoso que parecia ter-se perdido em filmes de má qualidade – à excepção do seu brilhante trabalho em Closer. Jude também recuperou alguma estabilidade na sua vida pessoal, terminando a relação com Sienna Miller que rompeu com ele quando ele admitiu ter tido um caso com a ama dos filhos, mas que depois quis reatar com ele. O realizador Minghella disse a seu respeito: “Se pusermos de parte todo esse lixo que parece ter-se acumulado à volta de tudo o que diz respeito ao trabalho de Jude, o trabalho em si é espantoso e verdadeiro, genuíno, honesto e generoso.”

Está a tentar mudar o rumo da sua carreira?
Não particularmente. Vou com certeza tentar evitar ser colocado na posição de ter seis filmes a aparecerem todos em poucos meses, como me aconteceu há dois anos! Mas não estou realmente a repensar a minha carreira. Continuo à procura de papéis interessantes.

Embora tenha lutado contra esse estereótipo durante toda a sua carreira, parece-lhe neste momento mais interessante fazer o papel de um sedutor?
Sempre procurei papéis sérios que não explorassem ou me limitassem a uma só imagem. Quero entrar em filmes que deixem no público uma impressão duradoura e positiva. Fazer o papel de amante ou sedutor não foi nunca muito fácil para mim.

A sua imagem pública é totalmente outra...
Talvez, mas nunca pensei em mim dessa forma. No final da minha adolescência, talvez tenha destroçado o coração de umas quantas meninas de 17 ou 18 anos. Nunca fui um Casanova a acumular conquistas.

Sente que a imprensa o crucificou devido aos seus altos e baixos sentimentais?
Não tem sido uma experiência nada fácil para mim, mas de certa forma tornou-me mais duro e consciente de que a mi-nha maior responsabilidade é proteger a minha vida privada e os meus filhos desse tipo de especulação impiedosa. Não percebo porque é que a comunicação social adora, num momento, fazer dos actores heróis para, a seguir, os destruir com o maior prazer. Nunca pretendi ser um ser humano perfeito, que é o tipo de imagem que a comunicação social gosta de dar quando um actor começa a ficar famoso. E também não sou tão mau como me descreveram quando alguns acontecimentos da minha vida pessoal se tornaram públicos. Sou humano, tenho as minhas falhas, mas acho que sou uma boa pessoa, que tenta dar o seu melhor e que aprende com as experiências, boas ou más.

É hoje um homem feliz?
No geral, sim. Ser actor é uma vida interessante, embora a exposição inerente ao sucesso possa ser um fardo terrível. Mas aprende-se a viver com isso, anda-se com a vida para a frente e não se liga ao resto. Tenho uma boa vida e hoje em dia aprecio isso mais do que nunca. Já não deixo que o que a comunicação social diz de mim me dê volta à cabeça.

Falemos do seu novo filme, Assalto e Intromissão, que é a sua segunda colaboração com o realizador Anthony Minghella. Que tal a experiência de voltar a trabalhar com ele?
De cada vez que ele me enviou um argumento para ler, adorei. A nossa relação, desde a época em que trabalhámos juntos já há uns anos, em Ripley, evoluiu – quer em frente das câmaras quer por detrás delas. Sempre que trabalhei com ele, passámos uns bons bocados e fizemos um bom trabalho. Entendemo-nos muito bem e penso mesmo que algum do melhor trabalho que fiz foi com ele.


“Quero dar aos meus filhos todo o meu amor e ser o melhor pai possível.
O meu papel de pai é o mais importante da minha vida.”

A sua personagem em Assalto e Intromissão depara-se com um dilema moral em que se sente dividido entre a namorada e outra mulher. Preocupa-o estar de novo a representar uma figura quiçá velhaca, como em Alfie?
Não podemos preocupar-nos com essas coisas. Tentamos trazer para o papel algo que eleve a personagem e torne o filme o mais interessante e envolvente possível. Talvez devêssemos ser mais prudentes em aceitar certos papéis, mas prefiro não me impor esse tipo de restrição. Deixo-
-me guiar pela qualidade do argumento e pelo talento de actores brilhantes como Juliette [Binoche] e Robin [Wright Penn]. E, evidentemente, trabalhar com realizadores excelentes, como Anthony Minghella. Não há melhor conjunto de circunstâncias que um actor possa desejar.


Atracção Fatal
Um dos homens mais belos do mundo, Jude Law quer ser mais do que um mero “objecto de desejo”.
E o seu trabalho com actrizes consagradas como Gwyneth Paltrow, Julia Roberts e outras mulheres maravilhosas da sua vida cinematográfica?
Foi maravilhoso trabalhar com elas. Continuo a dar-me com a Gwyneth, com a Julia e também com a Angelina Jolie. São mulheres fabulosas, de enorme talento.

Também teve um relacionamento com uma tal Sienna Miller?
[Sorri] Sim, tenho uma vaga ideia... A Sienna é uma mulher maravilhosa e lamento que ela tenha tido de lidar com toda a atenção com que a comunicação social nos rodeou durante algum tempo. Não foi justo. Mas não é o fim do mundo. Mexericos é a coisa que menos interessa neste mundo.


Em O Amor Não Tira Férias aparece no seu primeiro papel romântico como protagonista. Fez tantos filmes sérios que já pode aceitar aqueles papéis mais leves que recusou quando tinha 20 anos?
Acho que estou a ficar mais velho e, por isso, deixei de recusar esses papéis por uma questão de princípio, além de que não quero esperar por ficar demasiado velho! [Ri] Não sou grande entusiasta das comédias românticas modernas. Falta-lhes a delicadeza que encontramos nos filmes do Cary Grant, como The Awful Truth, As Duas Feras e Casamento Escandaloso. É preciso verdadeiro talento para representar uma personagem sofisticada numa comédia em cinema. O legado de Cary Grant nada tem a recear da minha pessoa!

Passando a um assunto algo melindroso... Muito se falou das piadas do Chris Rock a seu respeito na cerimónia de entrega dos Óscares [“Quer-se o Tom Cruise e só se consegue o Jude Law?"]. O que pensa do assunto?
Primeiro ri-me porque achei que ele não sabia quem eu era. Depois fiquei furioso com as observações dele, que senti que se tornaram mais pessoais. Os meus amigos estavam lívidos. Fiquei emocionado quando o Sean veio em minha defesa. O Rock passou dos limites quando disse o que queria dizer, arrancou umas gargalhadas, mas depois não ficou por ali. Foi uma infeliz coincidência eu ter tido cinco ou seis filmes a sair ao mesmo tempo. Mas eu não tinha qualquer controlo sobre isso.

Quer dar algum conselho à Academia para o caso de eles considerarem a hipótese de Chris Rock voltar a ser o anfitrião na noite dos Óscares?
Pela obra se conhece o artista. Se não conseguirem o Billy Crystal, vale mais esperar!

Muito bem dito. Se olhar para a sua vida neste momento, o que aprendeu com toda a exposição que teve aos olhos do público?
Que se deve pôr sempre os interesses dos filhos à frente de todos os outros e tentar evitar tudo o que os possa afectar. É por isso que tento manter os meus relacionamentos o mais privados possível. Sempre que qualquer coisa corre mal, é nos filhos que se pensa em primeiro lugar. Não queremos que eles leiam ou ouçam o que a comunicação social diz da nossa vida amorosa. Não quero voltar a estar na posição em que as minhas acções possam expô-los a qualquer embaraço na escola por coisas que nem eles nem os colegas de escola podem compreender. Quero dar aos meus filhos todo o meu amor e ser o melhor pai possível. O meu papel de pai é o mais importante da minha vida.













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