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CELEBRIDADES

 IMACULADA Vestido branco
 comprido, assimétrico, em malha
 de seda, Givenchy. Entre as suas 
 jóias pessoais, gargantilha
 de diamantes e pulseira Panthère
 de ouro branco, diamantes
 e esmeraldas, Cartier.

DURANTE MUITO TEMPO, HOLLYWOOD NÃO SOUBE O QUE FAZER COM A SUA BELEZA ATÍPICA, ATÉ QUE QUENTIN TARANTINO A EMPURRA PARA ESTRELA DE KILL BILL. DEPOIS DE SE TER AFASTADO DO CINEMA PARA SE DEDICAR AOS DOIS FILHOS, UMA THURMAN RETOMOU O CAMINHO DOS ESTÚDIOS E TORNA-SE A NOVA EMBAIXADORA DOS PERFUMES GIVENCHY.

POR RICHARD GIANORIO l FOTOGRAFIA DE FELIX LAMMERS

John Malkovich descreveu-a assim: “O corpo de Jayne Mansfield com um cérebro terrivelmente brilhante.” Tarantino, o seu mentor, é mais categórico: Uma Thurman “pertence à corte das deusas”. Na verdade, os pais deram-lhe o nome de uma divindade indiana, e a profecia continua com a comparação a Marlene Dietrich e a Gretta Garbo. Uma Thurman deixou de lutar contra as evidências: ela não será nunca uma mortal comum, com o seu 1,84 m de altura, pernas e braços longos, o seu magnífico rosto anguloso, nariz forte – que ela detesta –, testa alta e um porte que não se improvisa. Ou se nasce com classe, ou não.

Essa beldade, Hollywood não podia deixar passar. Aos 18 anos, é dentro de uma concha que ela surge ex nihilo no cinema. Nua, emergia das águas, qual Vénus de Botticelli em AsAventuras do Barão Münchausen, de Terry Gilliam.

Depois? Uma filmografia irregular, alguns anos sabáticos (para ter dois filhos com o actor Ethan Hawke; um casamento com um final amargo), alguns picos de popularidade (Pulp Fiction e Kill Bill) e uma reputação imaculada de excelente actriz, ícone glamorousíssimo e espírito aguçado. A sua espantosa elegância nunca passou despercebida aos especialistas do luxo: Uma Thurman é a partir de agora a nova embaixadora de Givenchy, o rosto do seu perfume Ange ou Démon - Le Secret.

Encontramo-la no fim de um dia de Verão num palacete parisiense, qual deusa afável e sorridente. O Sol, esvanece-se, a luz é cor de âmbar e na varanda parece recortar-se a silhueta Savile Row de James Bond. Esse homem discreto e impecavelmente vestido é o noivo de Uma, Arpad Busson, um homem elegante, playboy e financeiro que julgávamos ser suíço, mas que se apresenta como francês. A certa altura, Uma Thurman levanta-se, enlaça-o e abraça-o. Ma - gníficos, um anúncio à felicidade…

“ESTOU CONVENCIDA DE QUE
NÃO SE PODE LEVAR UMA VIDA
PÚBLICA SEM AS BASES
DE UMA VIDA AFECTIVA.”
 

DIÁFANA A actriz usa um vestido em jersey de seda
Givenchy, gargantilha e bracelete Panthère,
Cartier. Brincos e pulseiras da própria.
 
A primeira vez que estive consigo, tinha 19 anos, estreava-se com Terry Gilliam...
Isso foi há 20 anos e tenho a certeza de que estávamos mais velhos do que agora... Foi no início da minha carreira. Apaixonei-me loucamente pelo cinema e a minha esperança era pertencer a esse mundo. E foi exactamente isso que aconteceu, com altos e baixos mas, apesar de tudo, mantive-me de excelente humor: continuo apaixonada pelos filmes e tenho dois filhos fantásticos...

Esses altos e baixos...
Podia dizer-lhe que isso não lhe diz respeito, mas a realidade é que não tem interesse, é bastante deplorável e enfadonho. Todos nós já passámos por situações difíceis; nesses casos é absolutamente necessário reagir.

Está tudo a correr bem: um contrato com Givenchy, rodagens de filmes e um apaixonado devoto...
Sim, sim, sigo em frente, muito entusiasmada com a ideia de voltar a pôr os pés nessa indústria depois de ter estado tanto tempo centrada na minha vida privada.

As supercelebridades também podem aspirar a ter vida privada, ou é apenas uma fachada para as revistas?
Asseguro-lhe que têm, necessariamente, vida privada, por vezes até vidas privadas insuspeitas! Estou convencida de que não se pode levar uma vida pública sem as bases de uma vida afectiva. A minha vida privada enraíza- -me e isto não é uma frase feita. Sou uma pessoa completa. Sem essa vida privada eu definharia. Tudo me alimenta. Esse equilíbrio entre a actriz e a mulher não é completamente natural. Adoro a minha profissão de actriz e encaro-a de uma forma saudável. Sempre assim foi: aprecio-a e nunca me queixo...

No início da sua carreira mostrava um empenho e uma segurança pouco comuns numa actriz tão jovem...
Era atirar poeira para os olhos. Quando os adolescentes são catapultados para um mundo de adultos, fazem de conta... O que podia parecer uma atitude sofisticada não passava de uma fachada para me proteger.

A vida de actriz é arriscada?
É preciso relativizar. A vida de uma actriz não é nada fácil – para algumas é particularmente difícil –, mas mesmo assim não é nada de especial quando comparada com a de uma mãe de família que se arrasta de um campo de refugiados para outro com os filhos famintos às costas.

O que é que acha das it girls ?
As it girls! É um conceito extraordinário, não acha? Quando eu comecei a minha carreira isso não existia. Naquela época, falava-se do “perfume do mês”, e a ideia era permanecer o perfume do mês durante anos... Mas eu já sou antiga, não é? [Ri]

Sublinhou-se muitas vezes a sua inteligência. A Uma é diferente...
Das outras actrizes? Já esteve com todas elas? Muito obrigada. É curioso... Toda a gente é diferente quando se olha mais de perto. Mas não posso negar esta realidade: durante muito tempo os americanos não sabiam o que fazer comigo... Tudo se passou exactamente como se eu não fosse americana, a minha integração de morou uma eternidade. Foi a Europa e realizadores como Terry Gilliam ou Stephen Frears os primeiros a compreenderem-me.

Quais são as suas aspirações?
A iluminação [desata a rir-se]. Agora a sério, gostava de envelhecer junto das pessoas que amo. Manter-me curiosa. Continuar a aprender. Estar em paz.

Foi Arpad Busson que lhe trouxe paz?
Pergunte-lhe a ele! [Ela levanta-se e dá-lhe um beijo na boca.]

Estão oficialmente noivos?
Sim, é maravilhoso. Não é, darling?

Nesse quadro idílico, o que é que lhe falta hoje?
Disciplina. Não sou nada organizada, e o pior é que pareço. É interessante como as pessoas organizadas ganham tempo e vivem melhor... À parte isso, nada a dizer, sou uma privilegiada e seria indecente queixar-me. Aliás, nunca me queixo... Seria… como é que vocês aqui dizem? Seria dégueulasse... [Ri]















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